França sofre, mas bate Austrália em jogo com uso de árbitro de vídeo

Depois de inaugurar a tecnologia da linha do gol em 2014, contra Honduras, a França foi protagonista de uma inédita consulta à vídeo-arbitragem (VAR) em Copas, que resultou na marcação do pênalti que abriu o caminho para uma suada vitória por 2 a 1 sobre a Austrália, em Kazan. O adversário se mostrou bem mais difícil do que o esperado, e fez confronto equilibrado na maior parte do tempo. Jedinak empatou de pênalti logo na sequência, mas o talento de Pogba garantiu o triunfo para os franceses, que largaram na frente no Grupo C.

Os cinco minutos iniciais apresentaram o que a maioria esperava. A França se impôs, encurralou a Austrália em seu campo de defesa e deu impressão de que atropelaria. Mas não passou de exceção em um primeiro tempo de equilíbrio e pouco sofrimento para os australianos. O jovem Mbappé teve boa chance logo no segundo minuto, mas chutou na rede pelo lado de fora. Griezmann finalizou bem aos seis para boa defesa de Ryan, e os franceses pararam por aí.

Liderada por Mooy, que distribuía bons passes do meio-campo, a Austrália ajustou o posicionamento defensivo para conter o trio de ataque francês e conseguiu igualar as ações com uma das favoritas ao título. Em falta cobrada por Mooy, aos 17, Tolisso desviou para trás e Lloris precisou se esticar até o cantinho esquerdo para evitar o gol. Os australianos ainda assustaram no fim do primeiro tempo, aos 45, quando Behich buscou o ângulo e viu a bola passar perto da meta.

Na escalação inicial, o técnico francês Didier Deschamps optou por Pavard e Lucas Hernández nas laterais. A dupla garantiu maior solidez, mas, ao preterir Sidibé e Mendy, Deschamps perdeu duas peças que acrescentariam ao poderio ofensivo da equipe, carente na etapa inicial.

O segundo tempo ganhou em emoção, e a tecnologia tratou de ajudar. Ignorada nos dois primeiros dias do Mundial, a inédita consulta ao VAR aconteceu aos dez minutos. O juiz uruguaio Andrés Cunha parou o jogo para conferir lance entre Risdon e Griezmann na área da Austrália, e deu pênalti ao observar que o atacante francês caiu após leve toque por baixo do lateral australiano. O mesmo Griezmann bateu forte no canto esquerdo, aos 13, e marcou seu primeiro gol em Copas.

Mal deu tempo para comemorar. Em mais uma falta cobrada na área por Mooy, aos 16, Umtiti ergueu os braços e cometeu pênalti infantil ao desviar a bola. O capitão Jedinak cobrou rasteiro e deixou tudo igual.

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Deschamps mexeu nas peças do ataque para tentar ser mais perigoso. Trocou Dembélé e Griezmann por Fékir e Giroud, mas as substituições não surtiram efeito imediato, e a partida seguiu equilibrada.

Já aos 35, Pogba chamou a responsabilidade. O meia tabelou com Mbappé, depois com Giroud, e acabou encobrindo Ryan em dividida com Behich. A bola quicou dentro e voltou. Utilizada, a tecnologia da linha do gol não deixou dúvidas: 2 a 1 para a França e três pontos no bolso.

França: Lloris, Pavard, Varane, Umtiti e Lucas Hernández; Kanté, Tolisso (Matuidi) e Pogba; Mbappé, Griezmann (Giroud) e Dembélé (Fékir). 

Austrália: Ryan, Risdon, Sainsbury, Milligan e Behich; Leckie, Jedinak, Mooy e Kruse (Arzani); Rogic (Irvine) e Nabbout (Juric). 

Juiz: Andrés Cunha (Uruguai). 

Cartões amarelos: Tolisson, Leckie, Risdon e Behich.