Gabriel Jesus, o mais jovem da seleção, admite ansiedade às vésperas da estreia contra a Suíça

SOCHI - A média de idade da seleção brasileira que está na Rússia é de  28,1 anos. Só não é maior porque o caçula do grupo tem apenas 21 anos. Ele atende pelo nome de Gabriel Jesus e, apesar de ainda ser um menino, ter cara de menino e se portar como um menino, é um dos principais nomes do grupo que vai tentar o hexa.  Com 10 gols em 17 partidas, o atacante do Manchester City  é o artilheiro da Era Tite. Agora está prestes a disputar sua primeira Copa. 

Um sonho para quem, em 2014, com 17 anos,  estava pintando ruas do Jardim Peri, em São Paulo. Há quatro anos, Gabriel Jesus, que já jogava no Palmeiras, queria muito conhecer Neymar. Achava o então craque do Barcelona o máximo. Hoje, os dois são companheiros dentro de campo. Às vezes Gabriel Jesus acha que ainda está sonhando. “Só fui conhecer o Neymar pessoalmente nas Olimpíadas. Ele me tratou muito bem desde o início. Sempre deu conselhos, como um irmão mais velho. Isso é muito importante, conta bastante”, afirma Jesus. Apesar dos gols, de ter sido escolhido a dedo por Guardiola, de ser campeão inglês, o camisa 9 da seleção continua sendo o garoto, o menino da seleção. Muitas vezes se sente como o mascote do grupo, tamanho o carinho e a atenção que recebe dos companheiros. 

“Eles me tratam como o mais novo, mesmo, e não como o camisa 9 da seleção. Brincam muito comigo, mas sem sacanagem”.  Garoto, caçula, juvenil, artilheiro. Gabriel Jesus é tudo isso, mesmo. E, como tal, começa a sentir um frio na barriga. Admite que está ansioso, contando as horas para a estreia do Brasil. “Claro que não tenho experiência de Copa. Por mais que pareça que eu tiro de letra, o que tem acontecido na minha carreira, podem ter certeza que, em se tratando de Copa,  tranquilo não é. A ansiedade bate um pouco, é normal”,. O que não é normal é um amigo filmar o treino secreto da seleção o postar nas redes sociais. Foi o que aconteceu na quarta-feira, com um parceiro de Jesus. Ontem, o atacante até brincou com o episódio. “Ainda bem que ele colocou só a cabeçada, nada tático. 

Aí eu levaria a bronca”, afirmou. O quarteto ofensivo, formado por Philippe Coutinho, Neymar, Willian e Gabriel Jesus, é a grande aposta da torcida para conquistar o hexa. O  atacante tem total noção do que esperam dele. E dos demais. Se a seleção for campeã, o quarteto será eternizado no Olimpo do futebol. Mas se fracassarem, as críticas serão pesadas, cruéis, como aconteceu com o quarteto fantástico da seleção na Copa de 2006, formado por Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Ronaldo e Adriano. “Todos que fizeram história ganharam muito com a camisa da seleção. É isso”, resume o garoto.