Seleção encara Itália para devolver foco ao futebol e evitar Espanha na semi

Depois de um jogo envolto no ambiente político que dominou o Brasil durante as últimas semanas, a Seleção volta a campo neste sábado com a intenção de devolver o foco ao futebol na partida diante da Itália, às 16h (de Brasília), na Fonte Nova, em Salvador. Se antes do duelo contra o México a maioria dos jogadores manifestou apoio ao que ocorre nas ruas do país, agora o discurso é de, pelo menos no que está ao alcance, manter o ambiente político afastado da concentração do time.

Na entrevista de sexta, Daniel Alves pediu que as questões sobre os protestos ocorridos em todo o Brasil fossem deixadas de lado, pois todos já tinham se manifestado e ali não era o lugar de prolongar estas discussões. Felipão disse que dá total apoio à livre opinião de seus jogadores, mas reforçou as palavras de seu lateral. “Tenho que cuidar da minha equipe, fazer o nosso trabalho”, disse.

Apesar do esforço da Seleção em deixar o foco no futebol, no lado externo dificilmente haverá sossego entre manifestantes e Polícia. Assim como aconteceu no duelo entre Uruguai e Nigéria na quinta, grupos planejam protestos. Apesar de o principal deles, do Movimento Passe Livre, prometer não passar nas imediações da Fonte Nova, existe possibilidade de novos confrontos.

Na última quinta, mais de um milhão de pessoas foram às ruas das cidades brasileiras, e pelo menos por enquanto as manifestações ainda não perderam força. Por conta de toda a agitação, a Fifa teve que desmentir a possibilidade de suspensão da Copa das Confederações.

Contra o México, a efervescência política no Brasil entrou na Arena Castelão por meio de cartazes, teoricamente proibidos pela Fifa, e por uma execução de Hino Nacional que virou manifesto, com uma força poucas vezes vista por parte de torcedores e jogadores. Felipão espera ainda mais contra a Itália. “Já vim jogar na Bahia uma vez e eles foram mais efusivos ainda que o pessoal de Fortaleza. É fantástico como vibram com o hino”, disse.

Se a força das arquibancadas foi fundamental para a arrancada inicial diante dos mexicanos, contra os italianos ela será ainda mais necessária. O duelo vale a liderança do grupo e a chance de escapar dos espanhóis, que devem confirmar a primeira colocação da outra chave diante da Nigéria. O empate mantém o Brasil com a liderança, mas em confronto recente, em março, os italianos mostraram mais futebol no 2 a 2 de Genebra.

Os dois times, no entanto, devem entrar em campo com times bastante modificados em relação aquela partida. Entre desfalques por lesão e suspensão, o técnico Cesare Prandelli ainda poupará titulares e tentará contornar a ausência de Pirlo, meio-campista que dita o ritmo da seleção italiana. Grande destaque, Balotelli dará muito mais trabalho à defesa brasileira do que japoneses e mexicanos.

"Vamos procurar jogadores frescos, que têm boas condições físicas, porque o aspecto mais importante da competição, que faz mais diferença, não é o técnico, mas sim o físico", afirmou Prandelli.

Felipão não ficará atrás em problemas a solucionar. Paulinho fica fora por entorse no tornozelo, e o treinador abriu a possibilidade de poupar ainda mais jogadores por conta de desgaste físico ou perigo de suspensão. Daniel Alves e Thiago Silva podem desfalcar o Brasil na semifinal se receberem novo amarelo e há boas chances de o zagueiro ser substituído por Dante.

“Vamos jogar para ganhar, podemos usar a segunda hipótese que é o empate no decorrer do jogo, mas não podemos montar situação de jogo que só se jogue por aquilo. Tanto que não decidimos ainda, mas temos Thiago e Daniel e acho que, com todas qualidades no grupo, se tiver oportunidade de jogar para ganhar, temos que ganhar”, afirmou.

FICHA TÉCNICA

ITÁLIA X BRASIL

Local: Arena Fonte Nova, em Salvador (BA)

Data: 22 de junho de 2013 (sábado)

Horário: 16h (de Brasília)

Árbitro: Ravshan Irmatov (Uzbequistão)

Assistentes: Adbukhamidullo Rasulov (Uzbequistão) e Bakhadyr Kochakarov (Quirguistão)

ITÁLIA: Buffon; Abate, Bonucci, Chiellini e De Sciglio; Montovilo, Aquilani, Marchisio; Candreva (Giovinco), Diamanti e Balotelli 

Técnico: Cesare Prandelli

BRASIL: Júlio César; Daniel Alves (Jean), Thiago Silva (Dante), David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo e Hernanes; Hulk, Oscar e Neymar; Fred. 

Técnico: Luiz Felipe Scolari