Felipão critica "pressão externa" na Seleção e vê jogadores sem liberdade

O técnico Luiz Felipe Scolari já explicitou diversas vezes que um dos seus principais problemas na preparação e disputa da Copa das Confederações tem sido controlar as interferências externas a jogadores dentro da Seleção Brasileira. Em um período importante de negociações no futebol internacional, os atletas da equipe verde e amarela não ficam de fora.

Desde o começo da preparação, dois jogadores já acertaram sua transferência para o exterior: Neymar fechou com o Barcelona e Fernando com o Shakhtar Donetsk. Porém, outros estariam negociando saídas dos clubes que atuam. O corintiano Paulinho deve fechar com o Tottenham, Bernard é cogitado na Alemanha, Hulk pode parar no Chelsea, assim como a dupla de zaga David Luiz e Thiago Silva podem deixar Chelsea e Paris Saint Germain.

Quando indagado para comparar este grupo com o que trabalhou em 2002, quando foi campeão mundial, Felipão destacou a interferência externa como sendo a principal diferença. "Essa é uma Seleção diferente, são mais jovens, tem toda essa parafernália, é difícil da gente controlar. São 500 procuradores, 500 pessoas envolvidas com marketing, é propaganda de tudo quanto é lado", disse.

Além da chamada pressão externa, o treinador destacou que o assédio em cima da Seleção por atuar dentro do Brasil é muito maior que se a equipe fosse jogar em outro país. Para Felipão, o grupo só consegue manter o foco na disputa da Copa das Confederações por ser muito disciplinado.

"É horrível para gente fechar o treino, os jogadores não conseguem sair na rua, os jogadores estão presos dentro do hotel, eles não têm liberdade nenhuma. É um pouco difícil manobrar essa Seleção. A diferença deles é que me dão horários e a forma como se comportam", disse.

"Quando passam ideias aceitam ou discutem e te dão retorno, são jovens que querem alguma coisa a mais, por isso fica muito fácil para gente trabalhar. Está muito mais difícil controlar o por fora do que lá dentro", completou o treinador.

Felipão crê que a união deste grupo, que deve ser a base para a Copa do Mundo de 2014, se assemelha muito ao que conquistou o pentacampeonato mundial pelo País. "A Seleção de 2002 foi muito massacrada antes de ir para o Mundial, mas o grupo foi sensacional. A gente tem uma amizade tão grande que formou uma união. Tomara que seja igual, possa conviver como um grupo anos e anos".