Felipão controla e vence 'crise Neymar' na Seleção

Neymar era um assunto que inspirava cuidados para a Copa das Confederações. Do Santos, trazia alguns problemas físicos. Do Barcelona, as preocupações que uma transferência milionária e midiática poderiam gerar. Em meio a isso, 840 minutos sem balançar as redes. Luiz Felipe Scolari teve sua estratégia para evitar a crise e pode se dizer que teve sucesso.

Diante do México na Arena Castelão, quarta-feira, em Fortaleza, Neymar teve uma exibição exuberante. Mostrou-se muito bem fisicamente, teve lances lindos e decidiu com um gol e uma assistência para a vitória da Seleção Brasileira por 2 a 0. Pela segunda vez no torneio, foi eleito o melhor em campo e teve a melhor partida pelo Brasil dentro de uma competição oficial.

Para colher esses frutos, Felipão precisou driblar alguns obstáculos. A principal estratégia para isso foi a blindagem a Neymar. Seus comentários sobre o jogador, mesmo depois de exibições ruins contra Inglaterra e principalmente França, foram apenas de elogios. Ressaltou a participação do atacante, seu bom comportamento e seu potencial.

Nos bastidores, também agiu para que Neymar se sentisse mais à vontade. Se o jogador quer vestir a camisa 10, assim seja. Se quer ir a Barcelona se apresentar ao novo clube e perder horas de descanso e um treinamento, assim seja. Tudo dentro de um contexto de blindagem, insistiu.

Não por acaso, Neymar foi o 23º e último jogador a conceder entrevista coletiva para a Copa das Confederações. Foi poupado de atender os jornalistas no dia seguinte, em zona mista em Brasília. Tudo para recuperar seu foco, sua parte física e sua parte técnica. Evitar qualquer tipo de crise, o que Felipão geriu com sucesso.

“Estou cada vez mais feliz e mais à vontade”, disse Neymar na Arena Castelão. “A gente vai melhorando. Eu falei na coletiva que quando fossemos um time as qualidades individuais iam aparecer. E vêm aparecendo, estamos nos entrosando”, afirmou o atacante na saída do estádio.

Diante dos mexicanos, Neymar mostrou que jejum, Barcelona e problemas físicos foram questões superadas. A 9min, marcou um belo gol, de novo em sem pulo, como contra o Japão. Teve lances lindos, principalmente um aos 25min. Recebeu de Fred, matou no peito com finta no marcador e arrancou para finalizar de canhota, por cima. E, claro, concedeu assistência perfeita para Jô depois de colocar a bola entre as pernas de seu marcador. Ao chefe, com carinho.