Ao estilo Romário, Fred usa irreverência e personalidade para vencer críticos

Em um futebol com discurso pasteurizado entre jogadores, Fred se destaca com a mesma irreverência com que Romário e Renato Gaúcho, por exemplo, marcaram época. A segurança e leveza com que encara os microfones, somadas à personalidade adquirida com a maturidade, fazem do centroavante um dos nomes escolhidos pelo técnico Luiz Felipe Scolari para capitanear a Seleção Brasileira na Copa das Confederações e Copa do Mundo. Além dele, Thiago Silva, David Luiz e Daniel Alves dividem a responsabilidade simbólica de liderarem o jovem grupo.

Em uma entrevista de quase meia hora na última quarta, Fred adotou um discurso leve para tratar das críticas de que não se movimenta em campo, arrancou risadas ao falar da bola Cafusa e não fugiu da polêmica ao dizer claramente que tinha problemas de relacionamento com Mano Menezes. Não deixou pergunta sem resposta.

Vivendo boa fase na Seleção, com quatro gols e uma assistência desde que Felipão assumiu o cargo de técnico, Fred sabe que não é unanimidade. Mas em vez de confrontar os críticos, fez como alguns dos mais irreverentes jogadores da história do futebol brasileiro fariam: valorizou seu estilo “paradão” como uma evolução.

Fred está com 29 anos e a maturidade transformou o jogador não só dentro de campo. O atacante parece ter aprendido com as polêmicas que marcaram a sua carreira travaram o desenvolvimento na Seleção. Solteiro, não esconde que gosta de aproveitar a vida em seus momentos de folga. Mas neste ano tem conseguido evitar qualquer interferência.

Se no passado a vida festeira ajudou em sua dificuldade de manter a forma e não se lesionar, hoje Fred diz que conhece seus limites e aprendeu a conviver com eles. “Não tenho medo, mas você procura uma fisioterapia, colocar a perna para cima, diminuir o ritmo. Todo mundo vai ter dor, mas se você sente a coxa, não vai dar 20 chutes no treino, dá dez, oito”, disse.

A preocupação física acompanha Fred inclusive durante a preparação para Copa das Confederações. O jogador se apresentou à Seleção um dia depois de ser flagrado tomando um comprimido analgésico durante jogo do Fluminense na Copa Libertadores. Para não deixar dúvidas, pediu para explicar a situação ao lado do médico José Luiz Runco: tinha uma fratura incompleta na costela, mas ia suportar qualquer dor pela Seleção. Hoje se diz 100%.

Colocar os problemas em pratos limpos é tudo o que Fred tem tentado fazer nos últimos tempos. Quando foi perseguido por dois torcedores do Fluminense na noite carioca e acusado de beber 60 caipirinhas de saquê, apresentou a nota fiscal para provar que tinha sido menos. O mesmo fez ao ser questionado sobre seu relacionamento com Mano Menezes.

“Deixei claro publicamente que não me dava bem com ele, mas nunca teve nenhum tipo de sacanagem. O único problema que tinha é que ele não gostava de centroavante”, disse. Fred chegou a cobrar publicamente o técnico por suas ausências em convocações, mas nunca confirmou o que seu pai disse: ele teria forçado uma dispensa do Superclássico das Américas.

Passado à parte, Fred vive no momento seu melhor momento com a camisa da Seleção Brasileira. Pela primeira vez é titular absoluto e, em seu melhor estilo reverente, disse que se sente da mesma forma de quando começou a carreira.

“Para mim é normal jogar aqui, no Fluminense, no Lyon, e jogar com 20 anos no Cruzeiro. Para nenhum jogador muda a sensação, o prazer. A responsabilidade é igual. Na categoria de base você tem que vencer na vida para ajudar a sua família. Estou preparado para qualquer tipo de pressão. Nunca vou fugir da responsabilidade”, disse.