A cidade e o encontro dos diferentes

De quem ou para quem é a cidade? Em uma caminhada pelo já famoso Boulevard Olímpico, não pude deixar de pensar no quanto as camadas populares não acessam e, o pior, não se apropriam dela.

As dificuldades vão além do preço exorbitante dos meios de transporte, da alimentação fora de casa (que facilmente se resolve com um bom e velho sanduíche caseiro). 

Vão além da acessibilidade comprometida pelas péssimas condições das calçadas e da mobilidade urbana dificultada por uma malha viária ainda distante do que merecemos.

Os impeditivos são muito mais subjetivos, ou melhor, os impedimentos que não detectamos em um primeiro momento, avistamos em um olhar mais profundo.

A mensagem é sempre de que a cidade, embora cantada como diversa, não demonstra no cotidiano essa apropriação por parte da sua diversidade populacional. 

Precisamos pensar seriamente sobre isso. Em uma cidade onde não há estímulo ao encontro dos diferentes, onde não se produz um sentido de afeto por todas as partes do todo, estamos fadados à um futuro nebuloso.

* colunista, consultora na ONG Asplande e membro da Rede de Instituições do Borel

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