Um cenário de ainda mais desalento nas favelas 

A situação está cada vez mais insustentável para moradores das favelas do Rio de Janeiro que vivem no aluguel social ou aguardam sem saber quando serão indenizados ou realocados para novas unidades habitacionais.

A situação de penúria vem afetando diretamente os mais vulnerabilizados pela precariedade na aplicação das políticas públicas que se destinam aos seus locais de moradia.

Como adiantamos aqui na quarta-feira passada, centenas de moradores de favelas e organizações apoiadoras e parceiras ocuparam a Defensoria Pública do Estado para cobrar respostas no último dia 31.

Foi um ambiente de grande constrangimento por parte dos responsáveis técnicos enviados para responder aos moradores era notório.

Segundo o coletivo de mídia independente, Mutirão Rio 2016, os moradores de Manguinhos, Complexo do Alemão, Jacarezinho e Caju , junto com o NUTH - Núcleo de Terras e Habitação da Defensoria do Estado do Rio de Janeiro, participaram desta audiência pública para exigir do governo a garantia dos seus direitos.

Cerca de 600 pessoas lotaram o auditório da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro e apresentaram suas demandas para representantes da Prefeitura, Governo do Estado, Empresa Municipal de Obras Públicas – EMOP, funcionários da Caixa Econômica Federal e da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos. Além de diversos movimentos e organizações de luta por direitos sociais.

Levantamentos diversos apontam cerca de 1.750 famílias no Complexo do Alemão, 1.090 em Manguinhos e 1.900 no Jacaré, estão esperando o cumprimento de promessas que em alguns casos, já leva nove anos, como é o caso dos moradores da Favela da Skol no Complexo do Alemão.

Eu estive lá e vi o desespero e a dor de pessoas que não sabem nada sobre seu futuro mais próximo. Não conseguem se mover, estão imobilizadas pela falta de respostas. Muitos vivem em casa de parentes ou conhecidos, em uma situação extrema. Esse é o quadro aterrador, pintado pelo descaso e pela descontinuidade das políticas públicas.

* Consultora na Ong Asplande, pesquisadora e Fundadora da Rede de Instituições do Borel