É preciso ouvir as comunidades

O ativista e  educador formado em História e morador da favela de Manguinhos Fransérgio Goulart, chama de insurgências as ações que vêm salpicando a cidade do Rio de Janeiro de eventos propostos e executados por moradores e instituições de favelas ou parceiras.

Estas "insurgências" se dão a partir de uma total sensação de abandono crescente e cada vez mais pelos processos que vêm resultando em mortes que são definitivamente desnecessárias.

A diminuição de recursos ou até mesmo a supressão dos que são destinados aos pagamentos de benefícios, dentre eles o aluguel social, vem causando muito desgaste.

A questão é que, além de ter os direitos mais fundamentais violados todos os dias, a ausência de diálogo com a população mais vulnerável aos desdobramentos de situações como a que vem vivendo o estado do Rio de Janeiro, causa descontentamento e a sensação de que mais uma vez, vive-se o problema crônico da administração pública nestas áreas: a precariedade e a provisoriedade.

É urgente encontrar solução mais coerente e equilibrada, como por exemplo a abertura de um canal de diálogo sério e realista, para além do recurso amplamente utilizado, a força repressora do braço armado do estado.

É imprescindível que se encontrem caminhos. É preciso ouvir as comunidades, seus representantes, seus moradores. O diálogo é sem dúvida o melhor caminho, o mais seguro e sem dúvida um dos mais eficazes. 

* Mônica Santos Francisco - Consultora na ONG ASPLANDE, Colunista no Jornal do Brasil. Coordenadora do Grupo Arteiras