Qual a cara da democracia brasileira?

Dos movimentos sociais a juristas, dos intelectuais a artistas, dos sambistas aos funkeiros e rappers, manifestações contra golpe e a favor da democracia não param de crescer no Brasil. São professores e estudantes, organizações sindicais e do movimento negro, idosos, crianças e uma juventude ‘que não foge da raia e não tem medo de nada’.

Cresce no país e fora dele, uma frente suprapartidária em defesa do direito do povo, fruto de uma mistura de cores, raças, credos e religiões, uma sinergia que vem fazendo das ruas um palco aberto e da liberdade de expressão uma arma!

São milhões de pessoas que enxergam na defesa da democracia uma defesa de garantias de direitos conquistadas até aqui. As pessoas querem avançar, querem mais do país, do governo e da política, firmam o pé para a evolução e não para o retrocesso. Defender o impeachment de uma presidenta eleita pelo povo, que vem sofrendo duros golpes desde as últimas eleições, é uma forma de não respeitar a decisão de uma população que foi as urnas, que militou e que enxerga nesse projeto político uma chance de continuarem a trilhar direitos sociais, seguridades e transformações em suas realidades.

Defender a democracia é reafirmar que a vontade soberana de uma nação tem que ser decisão dela e não de uma parcela da sociedade que entende que o acesso à cultura e educação são privilégios e não direitos sociais. O povo escolheu uma presidenta, dona de um projeto que dialogou com melhorias e avanços, com conquistas sociais, não com manutenção da riqueza e da exclusividade.

Aluta pela democracia no país é contra o capitalismo covarde, contra o neoliberalismo que se sustenta na manutenção das desigualdades e da exploração do ser humano.Defender a democracia é lutar contra a tentativa da implementação de um Estado totalitário das classes dominantes. Defender a democracia é garantir os direitos civis da população que são cotidianamente violados.

A cara da democracia é a cara liberdade, fruto das diferenças, das múltiplas cores e nuances, das mulheres, do povo negro e pobre, do pedreiro que viu seus filhos entrarem na universidade, da empregada que é dona da própria casa. A cara da democracia é forjada pelo suor e sangue das brasileiras e brasileiros trabalhadores que de variadas formas resistem e são as engrenagens para a mudança do estado-nação que está vivenciando um momento histórico de verdadeiro ataque a preservação da vida e dignidade da população.

A jovem democracia brasileira não vai abrir brecha ou espaço para intolerância, ameaças e ódio. A jovem democracia brasileira não vai tomar um golpe.

* Walmyr Júnior é morador de Marcílio Dias, no conjunto de favelas da Maré, é professor, membro do MNU e do Coletivo Enegrecer. Atua como Conselheiro Nacional de Juventude (Conjuve). Integra a Pastoral Universitária da PUC-Rio. Representou a sociedade civil no encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ