A precarização do ensino público

Estamos caminhando em um terreno muito perigoso por estas paragens. O sucateamento acintoso nos campos simbólico e concreto, da educação em nossa sociedade, vem tomando dimensões que já beiram a catástrofe.

A desvalorização e a precarização do ensino público, dos docentes e que de maneira mortal incide diretamente na vida dos alunos e alunas que enterram toda a sua perspectiva de futuro e o pior de um presente, sim porque é no presente, na vivência dos sonhos acalentados que vamos construindo um futuro. Mas a verdade é que, não há mais quase nenhuma possibilidade de sonhar.

Angustiante ver que além de toda essa situação, mais uma tragédia, a criminalização dos alunos da escola pública. Chocante a narrativa de roubos efetuados por "estudantes da escola pública", tendo como pano de fundo a imagem de crianças de uniforme escolar do ensino fundamental.

É a radicalização do abandono e a prova de que não se quer nenhuma mudança. Não há nenhuma possibilidade de acreditarmos em um outra mundo melhor, sem entendermos que precisamos acabar de uma vez por todas com essa ameaça à vida das nossas crianças.

Não vejo a escola como salvação, vejo a escola como lugar da descoberta, da construção e da possibilidade da troca, da vivência, ou pelo menos deveria ser. Iniciativas que beiram o heroísmo existem aos montes pelo país, experiências de um professor ou professores, diretores, enfim, famílias, que tentam criar na escola um ambiente que possibilite-a ser o que se predispões à ser ouvimos todos os dias.

O que queremos e o que os adolescentes e jovens querem, é mais do que conquistar, ter a possibilidade de sonhar em conquistar. Nós já estamos e pagaremos um preço altíssimo por não atentarmos ara o que estamos fazendo com as nossas crianças,adolescentes e jovens, principalmente.

Mostrar crianças uniformizadas como praticantes de roubo, potencializar ações como as que já começam à ser disseminadas em redes sociais, de justiceiros para "frear" a onda de "assaltantes uniformizados", "supostos alunos" de escola pública, à mim me soa como tragédia, e não uma tragédia pontual ou da situação em questão, mas uma tragédia desta sociedade. 

Precisamos nos unir em torno, ou pelo menos abraçar o pensamento sobre uma nova forma de se fazer e viver a escola e a educação de maneira mais ampla, porque ela não diz respeito somente ao corpo escolar, mas à tida sociedade. Que nos contaminemos do espírito da alunada de São Paulo e ocupemos todos nós este espaço tão caro à nossa sociedade.Lembrei-me de uma frase vista uma vez, de Oscar Wilde sobre a educação e quero finalizar este artigo compartilhando-a com vocês. "A educação é uma coisa admirável, mas é bom recordar que nada do que vale a pena saber pode ser ensinado".

A educação é inspiração, assim mesmo, como o ato de respirar, ela nos enche de vida. Bom Domingo! 

A nossa luta é todo dia. Favela é Cidade. Não aos Autos de Resistência, à GENTRIFICAÇÃO, à REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL, ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL,ao VOTO OBRIGATÓRIO, ao MACHISMO, À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER e à REMOÇÃO!"

*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE. (Twitter/@MncaSFrancisco)