Como diria Bethânia: "Eu gosto de ser mulher"

Há alguns dias me lembrei de um fragmento de uma canção da MPB, que diz 'Eu gosto de ser mulher', acho que na voz da diva Bethânia. Finalizando o mês de Março, mês das mulheres, pensei nas mulheres da favela.

Mulheres que ressignificam e dignificam a existência delas e dos outros a sua volta. Que fazem do cotidiano violento, combustível para ir em busca de uma vida melhor, para si e para as outras. Ainda que nem tenham se apercebido disso.

Lembrei de tantas que conheci e conheço. Não à toa, favela é substantivo feminino e complexo, cheio de nuances e humores. São elas que produzem ainda, o amálgama que de alguma forma mantém atados os laços e as relações.

São elas que cuidam, ainda que por vezes de maneira invisível e silenciosa, da saúde, da creche, não que não tenhamos homens que colaborem de forma intensa nesse sentido, mas a mulher perfuma.

São tantos os talentos, as possibilidades, as transformações. São tantos os caminhos construídos por elas nesta luta diária peça melhoria das condições de vida nas favelas, que não poderia fechar o mês de Março, sem marcar a importância do papel das mulheres de favela na luta pela cidadania.

Não posso escrever nomes, embora eu queira muito, mas o bom senso me diz que minha memória vai me pregar peças. Fico então com o bom senso e digo que todas, as conhecidas e as desconhecidas, deixam esse lugar tão ambíguo, cada vez melhor.

*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE. (Twitter/@ MncaSFrancisco)