A falta de oportunidades aos jovens da Rocinha: quais os resultados?

Relato neste artigo a experiência pessoal e sentimento de ineficácia ao não conseguir atender ao pedido dos diversos jovens da Rocinha que buscam um emprego ou uma primeira oportunidade. São centenas entre 16 e 25 anos que me procuraram e pedem a oportunidade de trabalhar, mas infelizmente as vagas quase não existem.

É triste ver a quantidade de jovens na esperança de encontrar um trabalho e o mercado não oferece essas oportunidades. As vagas para jovens aprendizes ainda são poucas e pouco se tem feito para oferecer oportunidades a essa juventude que anseia por uma chance. Infelizmente, muitos não resistem às necessidades e as portas fechadas e procuram caminhos alternativos na busca da sobrevivência. 

Muitas meninas acabam engravidando e encontrando no parceiro uma solução passageira para resolver as despesas, abandonam a escola e o ciclo da pobreza continua se repetindo nas famílias. Muitos rapazes desistem da busca do trabalho e da qualificação e se corrompem com as facilidades e sedução que a criminalidade proporciona. 

E nós nos sentimos de mãos atadas, fazendo o trabalho de formiga na busca de proporcionar condições dignas para cada um destes pedidos. O poder público, lamentavelmente, não tem colocado nas favelas opções para que os jovens possam de fato ter um futuro. 

E depois querem falar de pacificação. Por que não “FORMAÇÃO” e “OPORTUNIZAÇÃO”?

* Davison Coutinho, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel em desenho industrial pela PUC-Rio, Mestrando em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade.