Precisamos mudar drasticamente a política de combate às drogas

É muito duro ter que ter o que dizer sempre. Ou melhor, no meu caso escrever. Mas também é muito bom poder ter um canal para fazê-lo e, principalmente, ter vocês leitores, para ler e interagir. Ainda sob o efeito eleições (será que isso é só comigo?), pois bem, ainda nessa onda ou vibe para os moderninhos, penso que um dos desafios mais hercúleos de nossas metrópoles é a erradicação do crack.

Deparei-me com uma das cenas mais deprimentes hoje, tendo essa droga como elemento de cena. Uma moça com mais ou menos 25 anos, pode até ter menos, tendo em vista os efeitos devastadores dessa substância. A moça em questão estava caída na Praça Saens Peña, em frente a uma grande drogaria (não foi trocadilho) e um ponto de ônibus.

Fraca, debilitada, quase imóvel, e uma barriga de talvez uns cinco ou seis meses de gravidez. Muitos idosos e idosas em volta, trabalhadores apressados em seu destino, curiosos todos do desfecho daquela situação.

Uma velhinha falava que tudo aquilo era resultado da falta de Deus no coração, e que ia rezar por aquela moça. Outra foi tocar a barriga da moça para ver se o bebê estava mexendo. Um guarda municipal ligava para o Corpo de Bombeiros, enquanto alguém dizia que ela já estava "acostumada" a passar mal e voltar para a mesma situação.

Passado o primeiro impacto desta triste cena, que me deixou com um nó na garganta e um imenso aperto no peito, sem falar no tal do sentimento de impotência, percebi que temos de mudar drasticamente nossa política de combate às drogas. É preciso um olhar mais humanizado e ações menos paliativas e mais eficientes no cuidado dos usuários de crack.

Mais do que colocar cacos de pedra embaixo de viadutos ou gradear alguns espaços da urbe, precisamos de políticas públicas eficazes e com uma forte dose de  intersetorialidade.Não é só um caso de polícia, já deixou de sê-lo há muito tempo. É condição sine qua non para não vivermos mais dias de tragédia urbana, que os governos federal, estadual e municipal, tracem medidas muito urgentes nesse sentido.

Estamos vivendo a nossa epidemia,tão grave e devastadora quanto a do ebola, e é preciso que toda sociedade se dê conta disso.

"A nossa luta é todo dia. Favela é cidade. Não à GENTRIFICAÇÃO e ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!"

*Mônica Francisco, membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.(Twitter/@ MncaSFrancisco)