Juntos vamos construir uma cidadania plena e um país melhor para todos

Passado o processo eleitoral, coloca-se um grande desafio para todos nós, que é promover o encontro entre o desenvolvimento e o crescimento econômico sem que haja prejuízo dos ganhos sociais já adquiridos e dos que são necessários ainda conquistar, entre aquelas populações ainda vulneráveis.

A discussão analítica promovida pelo Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) em parceria com a Actionaid, nesta terça-feira, contribuiu para pensar o papel fundamental da comunicação na construção de uma sociedade mais participativa.

Mas, mais do que participar na promoção dessa sustentabilidade6 que é sinônimo de sobrevivência nossa e de nossas futuras gerações, como pontuei inicialmente,é participar ativamente, contribuindo efetivamente nos processos de construção de um país que possa vencer os desafios do desenvolvimento sustentável, que se coloca como um grande desafio em qualquer lugar do mundo.

É preciso reformular ou rever muitas práticas, que por uma questão cultural talvez tenha se solidificado em nossa sociedade. O vice-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), presente ao encontro, fez uma menção à forma de construir em nosso país, que é a mesma há 50 anos. É preciso atualizar os métodos, que contribuem na forma que estão sendo empregados, em um gasto excessivo de material e energia, sem contar na qualidade da mão-de-obra, que poderia ser muito melhor.

É preciso intensificar a qualificação e os investimentos em educação. É premente nos apropriarmos mais das nossas tecnologias sociais, construídas nos laboratórios das grandes universidades públicas, por exemplo. Não podemos deixar de lado essa riqueza tão próxima e tão à mão.

Instituições como o IAB, as universidades, as Organizações não Governamentais que contribuíram para o crescimento e o fortalecimento da democracia no Brasil e a sociedade civil devem estar imbuídas de um espírito solidário e colaborativo, e acredito que estejam, para construir de forma compartilhada, conhecimento e tecnologia, que nos levem ao desenvolvimento que precisamos e que merecemos. E o governo federal não pode perder essa oportunidade.

As favelas, para falar aqui da minha praia, já não querem só consumir, isso não é o bastante. Não queremos ser olhados como mera possibilidade de negócios, com PIB de agronegócio simplesmente. Isso seria ingênuo como pensamento e extremamente simplista em se falando de favelas ou periferias hoje.Principalmente no caso do Rio de Janeiro.

Há uma juventude organizada, com acesso a tecnologias de informação, conectada, trocando experiências no local e nos fóruns ampliados. Lançando mão de tecnologia e querendo ser inserida não só pelo tripé cultura, esporte e lazer. Ela quer mais que educação consistente, participar dos processos, incidir nas políticas que lhe dizem respeito, deixar de ser alvo preferencial da violência e olhada como problema.

Há uma enorme necessidade de melhorar a qualidade da infraestrutura, da continuidade de políticas públicas, e da oferta de serviços públicos. O morador de favela não pode continuar sendo visto como aquele que não quer pagar a conta, ele é levado, pela descontinuidade ou precariedade dos serviços ofertados, como os da Light. por exemplo, só para citar um deles.

Lembrando que, nesse caso, não se trata de um serviço público, mas como exemplo é muito bom. Bom, porque a cantilena é que as favelas não pagam, vivem na informalidade, roubando energia. Mas agora em que uma parte delas tem o serviço de forma mais tranquila e viável, a empresa não executa o serviço, deixando como no caso do Borel, por exemplo, parte da comunidade sem a reorganização do sistema e outra parte pagando contas estratosféricas e muitas sem a menor justificativa.

Casas sem muitos aparelhos elétricos que pagam quase o triplo de um apartamento classe média da Tijuca. Outras aguardando a instalação de medidores. Enfim, é esta disparidade entre o Brasil oficial e o Brasil real, que queremos mudar. E esse é o momento, todos juntos, construindo uma cidadania plena e um país melhor para todos e todas.

É dessa forma, discutindo, construindo junto, pensando formas jeitos novos de construir a sociedade que queremos e que lutamos tanto para conquistar. E é assim desse jeito que vamos avançando no debate e na ação. Porque, como disse Salomão em seu livro dos Provérbios, quem olha o vento nunca cega. Temos que olhar o vento e fazê-lo soprar em nosso favor, para colhermos belos frutos no futuro.

"A nossa luta é todo dia. Favela é cidade. Não à GENTRIFICAÇÃO e ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!"

*Mônica Francisco, membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.(Twitter/@ MncaSFrancisco)