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Um ano dando voz, sem 'tradutores' e sem 'filtro', aos favelados

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A coluna Comunidade em Pauta completou um ano no último dia 18 de Agosto. Com esta iniciativa, o JB ousa ao dar voz em via direta e sem "tradutores"  e sem "filtro" aos favelados em um grande veículo de comunicação, mais do que ousadia, torna-se uma ato político.

A opção ousada deu certo e vem possibilitando ao leitor deste jornal a chance de ler o outro lado da notícia, escrito pelo objeto da notícia ou se preferirem, pelo ator principal da notícia. E tinha que começar por ela, amor de todas a Rocinha.

A favela mudou, ou melhor, os favelados mudaram. Querem se ver e se ouvir, não de maneira caricata e estereotipada. Querem ler suas notícias, mas querem ler considerações mais do que verdadeiras, inteligentes e bem elaboradas, como qualquer outro leitor ou leitora que preze a si mesmo e à sua inteligência.

A favela está em diálogo com o Brasil e o mundo e isso precisa ser dito. A favela é um espaço de disputa e ao contrário do que pensam, extremamente valorizado na e da cidade. O mundo quer saber mais da favela e de sua rotina.

Como diz uma música feita pelo pessoal da JOCUM (Jovens Com Uma Missão) aqui do Borel, "quem vem no morro para conhecer a realidade? Gente que rala pra sobreviver na legalidade ou na malandragem. Mas o que importa mesmo é descobrir, tem muita coisa saindo dali. Tem quem se emprenha para melhorar mudando o mundo à sua volta."

Porque favela é isso, antropofagia, reinvenção, alternativa, utopia, potência, opressões, criatividade, lugar de vida, harmonia, beleza,conflito, dialética, síntese, fé, estigma, improviso, força, sensualidade, sangue, suor, lágrima, samba, funk, forró, pagode, gospel... Como em qualquer outro lugar ao sul.

Um ano que deve ser reverenciado em dias tão difíceis. E ela ainda continua na/em pauta e pautando muitas agendas. Longe de ser assunto morno, que venham mais um, dois, dez, vinte anos de celebração do Comunidade em Pauta. Porque assunto, ah, isso não vai faltar.

"A nossa luta é todo dia. Favela é cidade. Não à GENTRIFICAÇÃO e ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!"

*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.(Twitter/@MncaSFrancisco)