Mais um encontro catastrófico com os moradores da Rocinha

O PAC realizou mais uma reunião de apresentação do PAC2  para os moradores, desta vez foi na Rua 01, local que terá obras de intervenção. A reunião se iniciou com apresentação do plano de obras para a Rocinha e em seguida foi dada a palavra para alguns moradores falarem e deixarem suas criticas, sugestões, opiniões e fazerem perguntas.

Eram apenas cerca de 120 moradores, numero irrisório para discutir mudanças em uma comunidade de quase 200 mil moradores. Questionando esse número com um dos representantes do PAC, o mesmo informou que a divulgação havia sido feita, mas ele não sabia responder como havia sido feita, e informou que é difícil divulgar um evento em uma comunidade tão grande. O engraçado é que quando o governador quis se eleger, tinha papel, santinho e placa dele no pico mais alto do morro, no ultimo barraco da favela. Ora, então não é difícil divulgar uma reunião, difícil é ter vontade.

Entre todos os moradores que falaram, nenhum deles foi a favor da politica que o PAC vem desempenhando na comunidade, entre as criticas estão as queixas sobre as obras inacabadas do PAC1, a instalação do teleférico e a falta de participação dos moradores nas definições das obras. Os moradores oferecem suas avaliações, são anotadas, porém não é seguido o que fere a lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. 

“Criaram uma passarela maravilhosa, nada contra o arquiteto Niemeyer, mas para que fizeram uma passarela tão magnifica, onde já existia passarela, e não tiveram a preocupação em terminar a creche, que é prioridade para nossas crianças. Até agora não foi apresentado o projeto para o Laboriaux. Enquanto estamos aqui discutindo teleférico, a Rua 01 está sem luz, um verdadeiro descaso”. Desabafou o morador José Ricardo Duarte, liderança comunitária do Laboriaux.

O líder William de Oliveira também manifestou sua opinião: “estamos cansados de andar na lama, no esgoto. Querem nos enfiar um projeto goela a baixo, não podemos aceitar e esperar o trator passar na nossa porta, nos expulsando. O saneamento e habitação digna são nossas prioridades, teleférico é para turismo, temos que exigir prestação de contas e conclusão do PAC1 e aí sim vamos discutir PAC2”

A moradora Adriana Pirozzi, membra da Comissão de Moradores da Rocinha, criticou que os moradores da Rocinha não estavam sabendo das reuniões que estão sendo feitas sem divulgação, além de questionar o trajeto do teleférico que não visa atender a parte mais alta do morro, além de criticar a falta de compromisso do Governo que não está cumprindo os acordos feitos após a manifestação da Rocinha.

O Governador Sérgio Cabral firmou compromisso com um grupo de 10 moradores da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu formada a partir da manifestação realizada pela Rocinha em julho de 2013, no entanto, ele não vem cumprindo os acordos firmados nesta data. Inclusive, foi acordada a participação dessa comissão para acompanhar as obras e todo processo do PAC, o governador concordou, porém não fez valer o acordo.

O sentimento geral dos moradores é de tristeza e incredibilidade, não confiam mais nas palavras do governo, que ainda não terminou as obras do PAC 01 desde 2008. Os moradores pretendem realizar uma nova manifestação. Mais uma vez ficou comprovada a falta de interesse do governo em ter os moradores presentes na participação e elaboração do projeto, o descaso com os moradores e suas prioridades e a sensibilidade com as questões da comunidade. O governo precisa entender que a comunidade se transformou, não vamos mais aceitar o que eles querem, e se for pra brigar e defender os nossos direitos, vamos para as ruas com toda a garra dos milhares de trabalhadores que ganhão o pão com muita honestidade e vivem com as maiores dificuldades nessa comunidade que sonha com um futuro melhor. 

*Davison Coutinho, 23 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Formando em desenho industrial pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade, funcionário da PUC-Rio.