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Sociedade Digital

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André Miceli

Oi, sumido!

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Larry Page, um dos fundadores do Google, tem, eventualmente, faltado a compromissos. Existe uma grande discussão sobre as razões pelas quais ele tem feito isso. Uns dizem que é soberba e outros que é uma questão de saúde. No passado, sua abordagem silenciosa lhe rendeu aplausos e uma imagem benéfica como o principal visionário da, então Google, hoje Alphabet. A questão é que sua distância nos últimos tempos levanta dúvidas sobre quem exatamente orientará a empresa nos próximos tempos.

As pessoas que o conhecem dizem que ele tem sumido do mercado para visitar sua ilha particular de areia branca no Caribe, mas isso não quer dizer que, aos 45 anos, ele já esteja vivendo o estilo de vida do 100% aposentado. Sua influência no desenvolvimento de produtos e estratégias da empresa segue firme.

Page, apesar de ser um dos homens mais ricos do mundo, definitivamente não tem vida fácil. Em audiência recente, diversos senadores criticaram a Alphabet em função de suas negociações, principalmente aquelas feitas pelo pessoal de produto do Google, o principal produto da empresa, com a China. Desde então, Page tem sido visto por alguns como um vilão da nação. É estranho ver como essas críticas podem distorcer sua imagem e que, talvez, por causa delas, ele não entre para a história apenas como um pesquisador, futurista e amigável. Numa de suas últimas aparições públicas, em uma conversa no palco do TED em 2014, ele parecia espantosamente jovem e otimista. Na ocasião, Page falou sobre a então recente questão com a China. “Precisamos ter um debate sobre isso ou podemos não ter uma democracia funcional”. A questão é como debater com alguém que não está lá.

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Lá também

Jeff Bezos, presidente da Amazon.com e homem mais rico do mundo, anunciou que irá criar um fundo de US$ 2 bilhões para pré-escolas e famílias desabrigadas. A promessa veio três meses depois que a Amazon ajudou a derrubar uma proposta de imposto sobre grandes empregadores em sua cidade natal, Seattle, que arrecadaria cerca de US$ 50 milhões por ano para combater a falta de moradia e criar moradias mais acessíveis.

Na ocasião, Bezos foi bastante criticado pois, em tese, seria exatamente esse o destino do dinheiro arrecadado pelos impostos. Ao criar o fundo, a mensagem que ele dá para a sociedade é a de que se acha mais competente na gestão dos recursos do que seriam os órgãos públicos. Parece que esse sentimento não é um privilégio brasileiro.

Um dos canais mais populares do YouTube foi comprado por um trio de veteranos da indústria do entretenimento ligados à Disney. Cada vez mais, os criadores independentes de conteúdo descobrem que o caminho para expandir seus negócios, assim como acontece com as startups, é apoiar-se em fundos de investimento ou estabelecer parcerias com grandes canais e outros produtores de vídeo.

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Embarque nesse carrossel

Little Baby Bum é o 9º canal mais assistido do YouTube e um alento para pais cansados e carentes no mundo todo. São mais de 17 bilhões de views com histórias bem contadas através de uma produção relativamente simples e uma estética comum no diálogo com as crianças. Carros que falam, carrossel e nada muito além disso. O canal foi comprado por uma agência chamada Moonbug, que pode usá-lo para buscar outras empresas na esperança de construir escala e otimizar recursos de produção.

No ano passado, o YouTube se concentrou em promover conteúdo original estrelado por celebridades tradicionais de Hollywood, após uma reação negativa de anunciantes insatisfeitos com a exibição de seus produtos ao lado de conteúdo inadequado, como mensagens de extremismo político. O foco nos bichinhos e no carrossel parece estar fazendo efeito, pelo menos para quem produz o conteúdo. Dado que o consumo do público infantil costuma ser no idioma local, pode ser uma boa ideia embarcar nesse conceito por aqui também.



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