Petrobras mostra nesta terça (21) impacto do novo mercado do petróleo

As empresas de petróleo e gás, que reportam ganhos no 2º trimestre nas próximas semanas (a Petrobras apresenta nesta 3ª feira o relatório de produção e vendas e o balanço completo no dia 30 de julho), estão cortando investimentos e tentando vender bilhões de dólares em recursos. Mesmo antes dos bloqueios de 19 países atingirem a demanda de energia e os lucros das empresas de petróleo, os investidores desconfiavam de grandes projetos. Agora, o risco de ativos ociosos onerosos se tornou mais óbvio, segundo revela a revista “The Economist”.

No mês passado, a BP e a Royal Dutch Shell, uma rival anglo-holandesa, disseram que aceitariam reduções de até US $ 17,5 bilhões e US $ 22 bilhões, respectivamente, em ativos. Conforme a “Economist” revelou, as empresas de petróleo estão cada vez mais dispostas a possuir apenas as reservas mais baratas e limpas.

Na semana passada, em entrevista, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, confirmou a concentração dos negócios no pré-sal e a expansão das exportações para a China e os países do sudeste asiático, que absorvem 70% das vendas.

Hoje, o petróleo Brent, uma referência global, chega a pouco mais de US $ 40 por barril, tornando a metade das reservas mundiais de petróleo muito caras para produzir. As imparidades anunciadas pela BP e pela Shell no mês passado acompanharam revisões de suas previsões para o preço do Brent. A Shell agora espera que o barril custe US $ 40 em 2021 e US $ 50 em 2022, abaixo dos US $ 60 que assumiu em seu relatório anual mais recente. A BP prevê que o Brent terá uma média de US $ 55 entre 2021 e 2050. Há apenas alguns meses, seu pressuposto central para os preços nos próximos 20 anos era de US $ 70.

Os supermajors trabalharam para cortar custos. No ano passado, o preço médio do petróleo necessário para cobrir os gastos de capital e dividendos dos cinco maiores - ExxonMobil, Shell, Total, Chevron e BP - foi menos da metade do que era em 2013, segundo o Goldman Sachs (veja o gráfico). O impacto da pandemia na demanda levou a novos cortes nos orçamentos de capital. Para alguns gigantes, isso coincide com uma mudança lenta para energia mais limpa.

Passando projetos ruins adiante

Enquanto buscam projetos mais limpos e baratos, muitas empresas estão lutando para descarregar projetos medíocres. A BP é a única supermaior a cumprir sua meta de desinvestimento, de US $ 15 bilhões - em parte graças à decisão de junho de vender sua unidade de petroquímicos, um negócio que os concorrentes consideram ter perspectivas melhores do que a perfuração.

No passado, encontrar um comprador para um campo de petróleo ou gás não era tão difícil. Greig Aitken, da Wood Mackenzie, uma consultoria em energia, lembra “uma visão generalizada de que os preços chegariam a US $ 80 ou US $ 100” após a queda nos preços de 2014. Mesmo antes da covid-19, no entanto, os compradores estavam se tornando mais cautelosos.

Na China, a repressão à corrupção tornou as empresas petrolíferas estatais menos aquisitivas em meio a um exame mais minucioso dos acordos estrangeiros. As empresas de private equity não têm mais uma estratégia de saída fácil para investimentos em energia, porque a regulamentação e a demanda incertas dificultam a visualização de uma listagem ou venda bem-sucedida a uma importante companhia dentro de alguns anos.

Como resultado, compradores dispostos estão ficando cada vez mais difíceis de encontrar, embora alguns compradores surjam pelas mesmas razões que outros ficam longe: a transição para uma energia mais limpa é incerta e os mercados permanecerão voláteis por um tempo.

Desembrulhando a reforma tributária

O mercado financeiro aguarda com muita expectativa que a equipe econômica pode desembrulhe amanhã proposta de reforma tributária do governo ao Congresso. Em princípio, a proposta terá como objetivo unificar os tributos federais PIS/Cofins em um único IVA, provavelmente servindo como complemento às propostas do Congresso que dispõem de uma gama mais ampla de impostos, incluindo os regionais, como o ICMS estadual e os impostos municipais do ISS.

Além disso, o Congresso pode votar pela derrubada de alguns vetos presidenciais, a maioria deles ligados ao combate aos impactos da pandemia, com consequências fiscais relevantes. As decisões podem incluir vetos à ampliação do auxílio emergencial a uma gama mais ampla de categorias de trabalho, mudanças nos critérios de elegibilidade para receber o chamado BPC (programa de apoio à renda), aumentos salariais aos servidores públicos e também o veto mais recente do presidente Bolsonaro, quanto a prorrogação da folha de pagamento até 2021.

Pelo telefone

O aumento da concentração na telefonia celular brasileira, caso a Oi, em recuperação judicial, aceite até a assembleia de agosto, a proposta conjunta da Vivo, TIM e America Movil (do bilionário mexicano Carlos Slim, dono da Claro, da Net e da Embratel/Nextel) de fatiarem entre si as operações de telefonia da Oi, foi bem recebida no mercado. As ações de todas as participantes negociadas na B3 subiram.

Depois da própria Oi PN, que valorizou 8,84, enquanto os papéis ON avançavam 9,09%, a maior valorização foi dos papéis da Telefônica Participações PN, dona da Vivo, com alta de 6,17%. Os papéis da italiana TIM tiveram alta de 6,25%. Isso num dia em que o Ibovespa fechou acima de 104 mil pontos (104.426,17 pontos), com alta de 1,49%.

Concentração ou mais concorrência?

Se prevalecer a ideia de rateio em partes iguais da fatia de 16,25% da Oi na telefonia celular, o mercado aumenta a concentração. A Vivo manterá a liderança, ampliando-a para 38,43% do mercado, seguido dos 31,49% da Claro e os 28,62% da TIM.

A surpresa será se a proposta da brasileira Algar, do Triângulo Mineiro, com suporte financeiro do fundo soberano de Cingapura, que controla 25% da empresa da família Garcia, reforçada pela parceria com o fundo americano de hedge, Digital Colony superar a proposta do trio, estimada em R$ 15 bilhões. Aí volta a haver perspectiva de concorrência no mercado, que a Oi nunca conseguiu cumprir, diante do enorme custo das obrigações telefonia fixa.