Itaú: PIB cai 10,6% no 2º tri e 4,5% em 2020

Apesar de prever queda de 10,6% no PIB do 2º trimestre em relação ao 1º, que teve retração de 1,5%, o Departamento Econômico do Itaú acredita que o “pior já passou”, tendo “a economia alcançado o fundo do poço em abril”, e que, com os “sinais incipientes de estabilização da propagação do coronavírus, embora as incertezas permaneçam”, manteve nesta 6ª feira, 3 de julho, sua projeção de que o PIB se recupera no 2º semestre e fechará o ano com queda de apenas 4,5%.

Para o Itaú, “a recuperação esperada em maio e junho gera um carrego estatístico positivo para o PIB do 3T20, para o qual esperamos crescimento do PIB de 8,5% (não anualizado). A reabertura gradual das atividades econômicas ao longo dos próximos meses deve fazer com que a recuperação continue. Ainda assim, no final do terceiro trimestre, o PIB ainda estará cerca de 4,4% abaixo do observado em dezembro de 2019”.

A previsão do maior banco privado do país é a mais otimista de todas as feitas recentemente para a economia brasileira. Na 5ª feira, 2 de julho, o Ministério da Economia reviu para 6,5% a queda do PIB. É bem menos que os -9,1% previstos há uma semana pelo Fundo Monetário Internacional, mas está em linha com a queda de 6,54% estimada pela mediana do mercado na Pesquisa Focus do Banco Central divulgada no dia 29 de junho. O Bradesco manteve a previsão de queda de 5,9% no PIB.

As justificativas do Itaú

“Mantivemos nossas projeções para o PIB em -4,5% este ano e 3,5% em 2021. Dados iniciais indicam que atividade atingiu um piso em abril”. O banco vincula a recuperação da economia à evolução do Covid-19.

“Esperamos déficits primários de 11,0% do PIB em 2020 e de 2,5% do PIB em 2021. O déficit do ano que vem contempla elevação de gastos sociais, parcialmente compensada por aumentos de tributos”.

O Banco prevê que “a dívida bruta deve alcançar 92% do PIB em 2020 e 90% do PIB em 2021, ante 76% do PIB em 2019. No caso de piora fiscal adicional, a retomada da economia ficaria ainda mais prejudicada, e a manutenção da taxa de juros próxima às mínimas históricas poderia ser inviabilizada”, adverte.

“Projetamos a taxa de câmbio em R$ 5,75 por dólar em 2020 e R$ 4,50 por dólar em 2021”.

“Mantemos nossa projeção de inflação em 1,8% este ano e 2,8% em 2021. O cenário para a inflação segue benigno, e a inflação baixa deste ano deve se propagar para o próximo ano”.

Desemprego e juros

“Revisamos nossa projeção para a taxa de desemprego de 14,0% para 16,6% ao final de 2020, e de 13,7% para 16,2% em 2021. Desde março, quando tiveram início as medidas de isolamento social, a população ocupada caiu praticamente 10 milhões no Brasil”, assinala o Depec Itaú.

“Acreditamos que o Copom irá interromper o ciclo de afrouxamento monetário em sua próxima reunião, nos dias 4 e 5 de agosto. Por um lado, entendemos que os dados de atividade econômica a serem divulgados no futuro próximo reforçarão nosso entendimento de que a contração econômica do segundo trimestre (e de 2020, como um todo) será menos intensa que o esperado pela autoridade monetária (e pelo consenso de mercado, atualmente em -6,5%)”. Assim, “mantivemos nossa projeção para a taxa Selic em 2,25% a.a. em 2020 e 3,0% a.a. em 2021”.

Dependência do Covid-19

“A queda do número de novos casos/óbitos deve ser lenta, e, a reabertura da economia, gradual e desigual entre os estados. Locais com um primeiro surto da doença mais agudo estão começando a flexibilizar as medidas de distanciamento, sem até o momento registrarem um novo aumento de casos, enquanto regiões onde a doença foi inicialmente mais moderada tiveram que voltar a adotar medidas de distanciamento”.

As “incertezas sobre a estabilização do surto de coronavírus permanecem. O número de novos óbitos continuou relativamente estável ao longo do mês de junho, mas com uma mudança na sua composição: as regiões mais afetadas no primeiro momento, como Norte, Nordeste e Sudeste, tiveram alguma moderação, enquanto as regiões Sul e Centro-Oeste estão apresentando alta de casos e de ocupação hospitalar”.

“Acreditamos que a queda dos óbitos em escala nacional deve começar em julho, permitindo a continuação da abertura gradual da economia. Para isso, será importante monitorar a evolução das taxas de contágio. A capacidade hospitalar é um indicador importante para realizar a flexibilização das medidas de isolamento social com maior margem de segurança. No município de São Paulo, por exemplo, a adição de novos leitos e o cronograma de reabertura gradual reduzem as chances de colapso no sistema de saúde que, por sua vez, impediria um retorno das atividades”.

Dilema economia X saúde

“O início da flexibilização das medidas de distanciamento social em certos estados favorece, em tese, a retomada da atividade econômica, mas também aumenta o risco de agravamento da pandemia”.

Para o Itaú, “os principais riscos negativos para nosso cenário advêm da evolução e propagação do vírus, que podem inviabilizar a continuidade de uma abertura gradual e ordenada das atividades econômicas ao longo do terceiro trimestre. Vale notar que, mesmo com a retomada da economia no segundo semestre deste ano e durante o ano que vem, o PIB no final de 2021 ainda estará abaixo do nível pré-vírus.