Mercado na expectativa do PIB e recuperação no mundo

O mercado financeiro, conforme o Relatório semanal Focus, divulgado na manhã de 2ª feira, 25 de maio, aprofundou as previsões de queda do PIB este ano ao nível histórico de -5,89% (ante retração de 5,12% na semana anterior), com queda de 4,7% na indústria e de 4,1% em serviços, e elevou as expectativas para 2021, de 3,2% para 3,5%. O tombo supera a queda de 4,35% no Plano Collor (1990) e os 4,25% de 1981 (gestão Delfim Neto).

A semana será bastante movimentada em indicadores econômicos. Os dados de crédito referentes a abril e a prévia da inflação de maio ajudarão a medir o pulso da economia no 2º trimestre. A evolução do surto do Covid-19 e as medidas políticas para conter os impactos da onda, como potenciais anúncios dos governos estaduais e prefeituras sobre regras de isolamento, continuarão a ser acompanhadas de perto ao longo da semana.

O Congresso pode votar a MP 936, que trata de medidas trabalhistas suplementares, como o Programa de Manutenção de Emprego e Renda. O texto já está em vigor, mas, por ser uma medida provisória, precisa ser validado pelo Congresso no devido tempo, e está sujeito a alterações. É possível também serem definidos a extensão e o valor do Auxílio Emergencial, previsto em R$ 600 até junho.

Mas o que está em jogo, no momento, é o resultado do PIB do 1º trimestre, que o IBGE divulga na próxima 6ª feira, 29 de maio. O Departamento de Estudos Econômicos do Bradesco espera queda de 2% ante o 4º trimestre de 2019. O Santander prevê retração de 1,5% e o Itaú espera um “declínio de 1,4%, com a produção agrícola subindo 1,5%, a produção industrial caindo 0,9% e os serviços caindo 1,6%”. A conferir.

Para o 2º trimestre, que está prestes a entrar no último mês, as previsões são mais sombrias e a demora na retomada das atividades, já que os sinais de declínio no número de contágios da pandemia do Covid-19 ainda não são confiáveis, vem derrubando para baixo as projeções do PIB deste ano.

Há mais de um mês, o Itaú estimava que havia chances do isolamento nas grandes cidades ser relaxado até 15 de maio. Se fosse a partir de 25 de maio, o tombo do PIB seria maior. Tudo indica agora que o isolamento não será relaxado ainda na 1ª quinzena de junho. Isso aprofunda a queda do 2º trimestre. O Itaú está prevendo “para o 2º trimestre um declínio de 10,6%”, frente a igual período de 2019, “uma vez que as medidas de distanciamento social permanecem em vigor durante a maior parte do trimestre”. Mas o banco já chegou a prever retração de 11,5%, sinal de que os últimos indicadores têm sido mais favoráveis.

O maior banco privado brasileiro vê “a economia se recuperando a partir do 3º trimestre (com queda de 3,2% contra o 3º trimestre de 2019 e retração de 3% ante a mesma métrica no 4º trimestre), levando o PIB a cair 4,5% em todo o ano, e a crescer 3,5% em 2021.

Os bancos estrangeiros estão mais pessimistas que os nacionais. O Citibank publicou semana passada previsão de queda de 6,5% no PIB. Já o Goldman Sachs vê a queda chegar a 7,4%.

Vale lembrar que as projeções do Itaú para o México (queda de 8,1%) e Argentina (-8,3%) são mais drásticas em matéria de PIB do que para o Brasil, o que se explica pela resistência das exportações de petróleo e minério de ferro e do agronegócio brasileiro, que têm a China como principal mercado.

Confiança do consumidor sobe em maio

O Índice de Confiança do Consumidor e empresário do setor de comércio, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, subiu 3,9 pontos em maio, para 62,1 pontos. A alta veio abaixo do apontado na prévia, divulgada alguns dias atrás. O resultado agregado foi puxado pelo componente de expectativas, enquanto o de situação atual recuou pelo 3º mês seguido, mas a um ritmo menor.

O Índice de Confiança do Comércio avançou 6,2 pontos, para 67,4 pontos no mesmo período. Nesse caso, contudo, o dado reportado ficou acima da prévia e os dois componentes registraram alta. A conferir nos próximos levantamentos do IBGE, que divulga o comportamento de abril no dia 16 de junho.

Amanhã IBGE divulga o IPCA-15 de maio

O Depec Bradesco está prevendo queda mensal de 0,56% para o IPCA-15, que funciona como prévia do IPCA cheio do mês, levando a leitura de 12 meses a 1,99% (de 2,92% em abril). Os combustíveis e as passagens aéreas provavelmente registrarão a maior contribuição para baixo no mês. O banco espera que todas as medidas de inflação central permaneçam desacelerando.

Para o IPCA cheio de maio, o mercado espera deflação de 0,39%, enquanto as Top 5, as cinco das 100 instituições consultadas nas pesquisas semanais do Banco Central, vão mais além e projetam queda de 0,49%. Outra medida de inflação, o IGP-M de maio, apurado pela FGV até o dia 20, será divulgada na quinta-feira. Com a maior influência dos preços do atacado (que pesam 60% no cálculo final do índice) o Bradesco prevê “um aumento mensal de 0,16%”.

Ainda no campo das influências na inflação, que o mercado espera cair para 1,57% este ano (e as Top 5 preveem apenas 1,42%), na 6ª feira, a Aneel anuncia a bandeira tarifária nas contas de luz para junho. O Bradesco espera continuar na modalidade verde, sem tarifa adicional.

Contas externas de abril, o teste

Amanhã o Banco Central divulga o resultado das contas externas em abril, o primeiro mês totalmente impactado pelo coronavírus. O Bradesco espera que a conta corrente (balança comercial + serviços + conta de renda e juros) registre superávit de US$ 3,2 bilhões. Se a previsão se confirmar será o 2º superávit mensal consecutivo e bem acima do déficit de US$ 1,9 bilhão de abril de 2019.

Com a valorização do dólar frente ao real, o Bradesco espera que os déficits no serviço (especialmente viagens internacionais) e as contas de lucros e dividendos caiam muito. No mesmo sentido, a balança comercial apresentou forte resultado positivo no mês, contribuindo também para o superávit esperado. O déficit em conta corrente em 12 meses deverá recuar para US$ 43 bilhões (2,4% do PIB). O banco prevê investimento direto no país de US$ 2,1 bilhões no período, com o saldo em 12 meses de US$ 76,5 bilhões.

Desemprego de abril na quinta-feira

O sensível indicador da taxa de desemprego de abril será divulgado 5ª feira pelo IBGE. O Bradesco chama a atenção para que paralelamente à perda de empregos na economia, a taxa de participação (na força de trabalho) também vem caindo, o que cria incerteza para as previsões de taxa de desemprego. O banco espera “que a taxa de desemprego seja ajustada sazonalmente em 13,5% (13,9% sem ajuste sazonal), assumindo que a taxa de participação recue para 60,5% de 61,0%, ajustada sazonalmente. O Depec observa que, “se a taxa de participação permanecesse no nível de fevereiro (61,8%), a taxa de desemprego subiria para 15,4% no mês de abril”.

Crédito e contas fiscais vão indicar tendências

Indicadores sensíveis sobre a capacidade de reação da economia brasileira serão divulgados na 5ª feira, quando o Banco Central publicará o relatório de crédito de abril. No mesmo dia, o governo central divulga o saldo das contas fiscais de abril, para o qual o Bradesco prevê déficit de R$ 111,3 bilhões. O Itaú espera que as contas públicas consolidadas (incluindo estados e municípios) de abril apresentem na 6ª feira déficit primário (despesas menos receitas, sem considerar os juros da dívida pública) de R$ 113,4 bilhões.

Confiança cresce no exterior com reabertura

Na Alemanha, confiança empresarial avança com reabertura em curso da economia. O índice IFO avançou da mínima histórica de 74,2 pontos em abril para 79,5 pontos em maio. Esse resultado surpreendeu positivamente. No período, a melhora das expectativas dos entrevistados está associada à flexibilização das medidas de distanciamento social, ao passo que o recuo da percepção quanto à situação atual ainda é compatível com a recessão que deverá ser registrada neste trimestre.

Reabertura de economias leva mercados ao campo positivo nesta 2ª feira, quando os mercados estão fechados nos Estados Unidos e no Reino Unido em comemoração de feriados nacionais, mas tensões entre EUA e China seguem no radar. O governo japonês retirou hoje o estado de emergência declarado em Tóquio e outras quatro regiões, pondo fim às restrições no território nacional.

Ao longo da semana mais detalhes poderão ser conhecidos sobre a proposta de criação do fundo de recuperação econômica para o bloco europeu. Nos EUA, os dados de ordens de bens duráveis de abril serão divulgados 5ª feira.