Jornal do Brasil

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

Itaú mantém aposta de Selic a 4% até março

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

O Departamento Econômico do Itaú, manteve hoje, quarta-feira, 11 de dezembro, quando logo mais às 18 horas o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) vai anunciar a queda da taxa Selic em 50 pontos percentuais para 4,50% ao ano, a aposta de que a Selic vai continuar a cair até 4,00% a.a. em março de 2020 e assim permanecer até o fim do ano.

O mercado financeiro, prevê manutenção da taxa em 4,50% até dezembro de 2020. O Bradesco espera 4,25%, assim como as Top 5 (as cinco instituições que mais acertam as previsões nas pesquisas semanais do BC). O Itaú não vê “qualquer risco de inflação excessiva no horizonte de política monetária relevante, mesmo tendo em conta a recuperação contínua da atividade econômica, os recentes choques de preços e uma moeda mais fraca”.

Com o cenário econômico não tão forte [confirmado no crescimento de apenas 0,1% no volume de vendas do varejo em outubro, contra a expectativa de aumento de 0,3% sobre setembro de Bradesco, Itaú e do mercado, ainda que as vendas do varejo ampliado tenham crescido 0,8%, com a liberação do FGTS], o Depec Itaú, já considerando um declínio na taxa de juros real neutra, vê “espaço para um maior estímulo monetário”. O banco observa, porém, que “à medida que o ciclo de flexibilização chega ao fim, a mensagem das previsões de inflação do Banco Central será particularmente relevante para avaliar o grau de estímulos monetários adicionais que o comitê espera implementar no futuro”.

Traduzindo: o mercado está de olho na sinalização futura dos passos do Copom. E Itaú acha “provável que as autoridades (...) indiquem ajustes adicionais na taxa Selic, mas sem se comprometer com esses ajustes e enfatizando que as próximas decisões dependerão de dados”, [de crescimento, inflação, câmbio, emprego e da massa salarial].

O Bradesco tem a mesma visão em seu Boletim Diário e ainda espera definições do Fed, o Banco Central dos Estados Unidos, que anuncia sua decisão às 15 horas. “Avaliamos que o comunicado [do Copom] tende a deixar as decisões futuras cada vez mais dependentes dos dados. No exterior, o foco estará na reunião do Fed, com atualização de suas projeções e possíveis sinalizações sobre os próximos passos da política monetária”, diz o Bradesco.

O tombo de livros, jornais e revistas

A nota triste no balanço das vendas do comércio em outubro feito pelo IBGE, foi o tombo de 13,3% na comparação com o mesmo mês do ano passado nas vendas de livros, jornais, revistas e artigos de papelaria. Foi o único segmento a apresentar resultado negativo nesta base de comparação. O comércio varejista avançou 4,2%; o segmento de hiper, supermercados, alimentos, bebidas e fumo, cresceu 2,6% em volume de vendas; artigos de uso pessoal e domésticos avançaram 8,3%; produtos farmacêuticos e de perfumaria venderam mais 7,3% e móveis e eletrodomésticos evoluíram 8%.

No caso dos artigos informativos e culturais apresentados em papel, foi a menor variação desde a queda de 10,4% em julho (contra julho de 2018). Mas o IBGE faz uma ressalva que não deixa de ser uma autocrítica à falta de atualização de seu modelo de pesquisa atribuindo como parte dos fatores de influência no desempenho negativo do segmento às “mudanças na forma de comercialização dos principais itens de atividade”.

Ou seja, a venda física de livros, jornais, revistas e itens de papelaria nos locais tradicionalmente pesquisados pelo Instituto pode estar caindo, mas num termômetro, mas poderia estar sendo substituída pela leitura de livros e-book, jornais e revistas estariam perdendo leitores em papel, mas migrando para a leitura em tablets, computadores ou celulares.

Caberia ao IBGE ajustar as pesquisas. Mas é inegável a mudança do modelo de leitura, que levou à quebra de livrarias, enxugou os negócios das maiores editoras do país e provocou a mais violenta crise na imprensa brasileira, cujo maior exemplo foi a recuperação judicial do Grupo Abril, e o fechamento de publicações em papel. Frente ao pico de 2012, o mercado encolheu 57%

Muito abaixo do normal

O IBGE apresentou o desempenho dos diversos segmentos do varejo, em volume de vendas, para ver como muitos deles ainda estão longe de superar a crise que se instalou em 2014 para a maioria e já vinha sendo percebida em 2012 para alguns. Detalhe, a população aumentou, mas diante do desemprego, o mercado consumidor encolheu.

O segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria é o único atingiu o ápice em outubro de 2019. Os Hipermercados, supermercados e o comércio de produtos alimentícios e de bebidas ainda está 0,5% abaixo do pico registrados em dezembro de 2013. Os artigos de uso pessoal e doméstico tiveram o pico em novembro de 2018 e estavam 2,6% abaixo em outubro deste ano. Como um todo, o comércio varejista ainda está 4,4% abaixo do seu pico, registrados em outubro de 2014.

O segmento de material de construção (integra o comércio varejista ampliado com carros, motos e autopeças) estava 5,8% abaixo do pico de fevereiro de 2014. O volume das vendas de automóveis, motos, partes e peças ainda é 24,1% menor que o pico de junho de 2012. O comércio varejista ampliado estava 6,9% abaixo do recorde de agosto de 2012.

Em tecidos, vestuário e calçados, a queda era de 16% frente a abril de 2013. Em móveis e eletrodomésticos, a queda era de 17,9% ante maio de 2014. Combustíveis e lubrificantes registram perdas de 22,5% ante fevereiro de 2014.

Os equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicações tiveram seu pico em janeiro de 2015 e estavam 25,3% abaixo em outubro.

Mas nada se compara a livros, jornais, revistas e papelaria, que tiveram queda de 57,5% comparados ao pico de outubro de 2012.

Embora a capacidade de compreensão das pessoas que leem notícias em smartphones seja menor do que em uma página de jornal ou revista, onde há o contexto da edição organização pelo editor, não se pode dizer que o país tenha ficado menos informado, ou educado.

Mas as pesquisas do PISA têm indicado na direção contrária. A educação como um todo [que compreende a indispensável informação não deturpada sobre a realidade] caiu muito de qualidade. Por isso, é importante que o IBGE atualize sua base de dados, incluindo o universo da internet e vendas online.

O Rio de Janeiro mal na fita

O ex-governador Luiz Fernando Pezão foi solto para cumprir pena em prisão domiciliar, mas o Estado do Rio de Janeiro, do qual foi vice de Sérgio Cabral, assumiu o governo ao fim do segundo mandato, em 2013, e depois foi reeleito em 2014, para deixar o mandato, preso, em novembro de 2018, continua muito mal na fita, segundo as pesquisas do IBGE sobre o comércio em outubro.

Enquanto o comércio varejista ampliado avançava 3,8% em todo o Brasil de janeiro a outubro sobre igual base de 2018, no RJ o avanço foi de apenas 1,5%, igual a Minas Gerais. Entre os estados de maior dinamismo econômico, a liderança foi de Santa Catarina, com 9,2%. São Paulo cresceu 5,2%. Em Brasília, o avanço foi de 3%, mesmo nível do Rio Grande do Sul e do Ceará. Paraná cresceu 2,7%, acima dos 2,5% de Pernambuco. Entre os grandes estados o destaque negativo foi da Bahia, apenas + 0,8% no período.

Prova de que o alto desemprego pesa no consumo de materiais de construção (na autoconstrução, nas favelas e cidades do interior, e no mercado de imobiliário, que é um dos mais retraídos do país), foi a queda, em 12 meses, de 4,7% no volume de vendas no RJ. Em São Paulo houve expansão de 5,9% em 12 meses. Em Minas, também em crise fiscal, houve avanço de 2,2%.

O jabuti na árvore

Dia 9 de dezembro, o ex-presidente da Odebrecht, afastado do comando desde a prisão em 2015, pela Operação Lava Jato, Marcelo Odebrecht dá entrevista à “Folha de S. Paulo”, procurando vender a imagem de que foi até prejudicado pelo governo Lula, que nos eventos que a empreiteira fazia no exterior, visando reforçar posições locais, “vendia a engenharia brasileira” como um todo.

No dia 10 de dezembro, o grupo Odebrecht apresenta sua última versão do plano de recuperação judicial, propondo pagar as dívidas bancárias R$ r1 bilhões em 25 anos, com emissão de debêntures com 25 anos de prazo, prorrogáveis por mais 25, além de impor desconto de 92% nas dívidas que tinha com ex-diretores e altos funcionários do grupo, indiciados na Lava Jato, na qual fizeram acordos de delação premiada.

Há um velho ditado no Nordeste. “Jabuti não sobe em árvore; se está na forquilha, foi enchente ou mão de gente”.

À La Zòzimo

E o Bolsonaro, hein?. Não acerta uma. Chamou Greta Thunberg de "pirralha" e a jovem sueca que luta contra o aquecimento global foi eleita Personalidade do Ano pela revista "Time". Louvou Trump e levou duas caneladas. Torceu pela reeleição de Macri e deu Fernández. Defendeu atos draconianos no Chile e o próprio presidente Sebástian Piñera, de centro direita, resolveu reformar a constituição deixada por Pinochet.