Jornal do Brasil

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

Brasil, o butim de Ana Botín, dona do Santander

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

O espanhol Santander divulgou nesta quarta-feira, 30 de outubro, o balanço trimestral de suas unidades pelo mundo. O banco presidido por Ana Botín, que opera diretamente em 13 países, fez novamente do Brasil o paraíso do seu butim, arrancando 29% do lucro global em sua rede brasileira de quase 2.700 agências nos nove meses deste ano. O ganho atingiu R$ 10,824 bilhões, um aumento de 20,4% sobre igual período de 2018.

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Lucro do Santander/Outubro 2019 (Foto: Reprodução)

O ganho é quase o dobro da fatia de 15% propiciada pela atuação do banco na Espanha em 2019. O Santander Consumer Finance (SCF), que opera no varejo europeu, garantiu 13% dos lucros, enquanto a unidade do Reino Unido amealhou 10%. Portugal e Polônia completam a rede do espanhol na União Europeia. A filial Santander nos Estados Unidos gerou 8% dos lucros globais. Mesma fatia da rede de agências do México.

Na América do Sul, o Santander passou a ser dirigido por Sérgio Rial, que nos últimos anos comandou a filial brasileira, a mais rentável do banco de maior capitalização do mundo. O Santander atua no Chile, que garantiu 6% do lucro, Argentina (1%), Uruguai, Peru e Colômbia.

Inadimplência cresce nas pessoas físicas

O balanço do Santander Brasil foi pujante, mas aponta alguns dados preocupantes. A começar pelo aumento da inadimplência das pessoas físicas, sua principal fonte de financiamentos, com saldo de R$ 147,8 bilhões, um aumento de 18% nos primeiros nove meses deste ano sobre o mesmo período de 2018.

Outro ponto importante de expansão do crédito a pessoas físicas foi o financiamento do consumo (via cartões de crédito e financiamento de automóveis e de imóveis), que somou R$ 55,5 bilhões, alta de 16,6% no período. O montante das operações com cartões de crédito (R$ 90,1 bilhões) aumentou 11%, com crescimento de 19% no número de transações.

Acontece que a inadimplência entre as pessoas físicas não parou de crescer, Era de 3,8% em setembro de 2018 e chegou a 4,1% em setembro deste ano.

Com a redução de 1,4% nos empréstimos às grandes empresas (quem não foi apanhada na Lava Jato está aproveitando a baixa dos juros básicos – Selic - para fazer captações diretas no mercado a menor custo que os juros bancários) a inadimplência no segmento caiu de 1,9% para 1,5% no período.

Uma das estratégias do Santander Brasil foi ampliar os créditos às pequenas e médias empresas, que somaram R$ 38,6 bilhões, aumento de 11,6% frente a setembro de 2018. Mas a curva da inadimplência também subiu entre as PEM.

Ou seja, a inadimplência no Santander cresce de forma pulverizada.

A retração do crédito imobiliário às empresas

Um dado que chama a atenção foi a forte queda nas operações de crédito imobiliário às empresas. Em setembro, o saldo das operações murchou para R$ 2,737 bilhões, uma queda de 22,2% em relação ao 2º trimestre e de 42,2% em relação a setembro do ano passado.

O banco preferiu concentrar os créditos diretamente nas pessoas físicas, segmento onde as operações de retomada dos imóveis em caso de inadimplência ficaram mais ágeis.

Em setembro, o montante das operações com pessoas físicas somava R$ 35,490 bilhões, crescimento de 4,5% no trimestre e de 12,7% em 12 meses.