Jornal do Brasil

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

A economia global em transe, segundo o Itaú

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

Maior banco privado brasileiro e da América Latina, com presença no México, Colômbia, Peru, Chile, Colômbia, Argentina, Uruguai e Paraguai, o Itaú acionou seu Departamento Econômico, comandado por Mário Mesquita, para fazer um extenso painel da economia mundial em desaceleração, como consequência das escaramuças comerciais entre Estados Unidos e China, jogando foco nas principais economias da América Latina.

Em relação à economia mundial, a avaliação é de que apesar da reação das autoridades monetárias, com estímulos monetários e redução dos juros pelos principais bancos centrais, a incerteza permanece.

O Itaú considera que os cortes de juros pelo Fed (e nesta quarta-feira, tanto o Itaú quanto o Bradesco esperam que o Fed baixe novamente os juros em 0,25 ponto percentual, para 2%, fechando o ano em 1,75%), mais flexibilização pelo BCE e estímulos adicionais na China podem atenuar a desaceleração mundial, mas o crescimento global permanece em risco, dados os obstáculos para um acordo comercial entre EUA e China.

PIB mundial em desaceleração

O PIB mundial, que cresceu 3,7% em 2017 e 2018, deve desacelerar para 3,2% em 2019 e 2% em 2020.

A taxa de crescimento do PIB dos EUA cairia dos 3,3% de 2018 para 2,2% e baixaria para 1,5% em 2020.

Já a China, que cresceu 6,5% em 2018, cairia para 6,2% este ano e apenas 5,7% em 2020, a menor taxa deste século. O Bradesco espera 6% este ano e 5,8% no próximo ano.

Brasil, recuperação lenta em meio à incerteza global

O Itaú manteve o crescimento de 0,8% este ano e de 1,7% em 2020. Manteve as projeções para a taxa de câmbio em 3,80 reais por dólar em 2019 e 4,00 em 2020, mas, adverte: “na ausência de boas notícias no âmbito global, a moeda pode se estabilizar num patamar mais depreciado”.

O lado bom é que tanto Itaú quanto Bradesco esperam que o Comitê de Política Monetária, três horas após a reunião do Fed, baixe de 6% para 5,50% a taxa Selic. O Itaú espera nova queda em 30 de outubro, para 5% e feche o ano assim, permanecendo neste patamar até dezembro de 2020.

Bradesco aposta que Selic fique abaixo de 5%

Mais pessimista com a desaceleração da economia mundial e as dificuldades de tração da economia brasileira, o Bradesco aposta que a taxa Selic feche o ano em 4,75% e fique assim até dezembro do ano que vem, mas não descarta a necessidade de mais estímulos.

Por isso, trabalha com três cenários para 2020: 1 - o PIB mundial se estabiliza em 3,2% e o BC leva a Selic a 5,5%; 2 - economia global desacelera para 2,8%, sem resposta por parte do BC (juros inalterados); 3 - mundo desacelera e o BC corta os juros até 4,50%.

Argentina, choque de realidade

Os preços de ativos colapsaram após a derrota do presidente Macri nas eleições primárias. Sem acesso aos mercados, o governo anunciou mais uma reestruturação da dívida pública e introduziu controles de capital.

O Itaú espera um salto na inflação de 45,6%, em 2018, para 62% este ano, com a taxa básica de juros pulando de 59,5% para 70% ao ano, e novo encolhimento de 2,5% no PIB, como o de 2018.

Para 2020 (já com o provável governo de Alberto Fernández) prevê nova queda de 1,1%.

E o nível de desemprego vai saltar dos 9,2% em 2018 para 11% em 2019 e 2020. Patamar atual do Brasil.

México, ciclo de flexibilização tem início

O Itaú espera que o Banxico (o Banco Central do México) reduza novamente a taxa de juros em 0,25 p.p. em setembro, com outros dois cortes de mesma magnitude nas reuniões subsequentes de 2019, levando a taxa para 7,25% ao final do ano. O PIB, que cresceu 2% em 2018, deve levar um tombo este ano, crescendo apenas 0,4%.

Chile, terapia de choque

Para enfrentar a desaceleração da economia (crescimento de 4% em 2018 e previsão de apenas 2,2% este ano), o banco central cortou a taxa de juros em outros 0,50 p.p., para 2,0%, e sinalizou que mais flexibilização pode ocorrer à frente.

Peru, incerteza ameaça perspectivas de investimento

Para o Itaú os desdobramentos políticos e conflitos sociais relacionados à mineração ameaçam as perspectivas para o investimento. O PIB, que cresceu 4% em 2018, deve desacelerar para 2,7% este ano.

Colômbia, ainda na contramão da região

Apesar da volta das atividades das FARCs, nossos vizinhos seguem com a economia em expansão: o PIB deve crescer 3% este ano, acima dos 2,6% de 2018. Por isso, o Itaú passou a “esperar que a taxa de juros permaneça estável em 4,25% em todo o horizonte de previsão, em contraste com o novo padrão de taxas de juros mais baixas na região”.