Jornal do Brasil

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

Bradesco: cortes de juros em diversos países devem dar suporte à economia mundial

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

Ao fazer nesta sexta-feira, 19 de julho, a análise semanal da conjuntura econômica, com projeções para a próxima semana, o Departamento Econômico do Bradesco considera que o movimento de redução de juros liderado pelos principais bancos centrais do mundo vai ajudar o Banco Central brasileiro a baixar os juros mais vigorosamente. A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) será realizada dias 30 e 31 de julho (três horas de intervalo após o Fed, o BC dos Estados Unidos, decidir sobre os juros do país).

Para o Depec, os “indicadores de atividade econômica ainda demandam monitoramento, a despeito de alguns sinais de estabilização no encerramento do segundo trimestre. Na China, o PIB desacelerou de 6,4% para 6,2%, na passagem do 1º para o 2º trimestre, mas a indústria e o varejo indicaram alguma estabilização em junho, em nível ainda baixo. Nos EUA, persiste a divergência entre desempenho industrial e do comércio. Diante das incertezas em relação a um acordo comercial entre EUA e China, a expectativa de cortes de juros em diversos países deve dar suporte à economia mundial”, acredita.

O Bradesco destaca que o corte de juros nos EUA “deve acontecer no final deste mês. O presidente do Fed, Jerome Powell, compartilhou a visão de riscos globais em discurso esta semana. Ele e outros representantes da instituição reforçaram a necessidade de adoção de uma política monetária mais frouxa nos EUA. Esperamos dois cortes de 0,25 p.p. da taxa de juros norte-americana neste ano, começando no próximo dia 31”.

Nesse ambiente, as moedas de países emergentes mantêm tendência de apreciação. Os bancos centrais da Coreia do Sul e da Indonésia anunciaram cortes de 0,25 p.p. de suas taxas básicas nesta semana. Surpresas negativas com atividade local e inflação abaixo da meta nos dois países deram suporte para tais decisões. O mesmo movimento é esperado para Canadá e Tailândia (e talvez México e Turquia).

Copom deve seguir movimento

Para o Bradesco, o “Copom deverá também reduzir a Selic agora em julho. Não há pressões inflacionárias relevantes. O PIB brasileiro deve ter crescido 0,2% no 2º trimestre. A confiança do empresário industrial está em baixo patamar, apesar da ligeira melhora apontada para este mês”, assinala.

O banco considera que a “adoção de estímulos como a liberação de recursos do FGTS e do PIS/PASEP – a ser anunciada nos próximos dias, segundo autoridades – não altera nossa visão para o ciclo de alívio monetário. Isso porque terá efeito temporário e concentrado no 3º trimestre, em linha com o crescimento de 0,8% do PIB projetado para 2019”.

Perspectivas para a próxima semana

O Depec destaca que as atenções estarão voltadas, na próxima semana, à divulgação de inflação e das sondagens empresariais e do consumidor. O IPCA-15 deve mostrar alta de 0,11% em julho. Mais uma vez, o indicador deverá mostrar a inflação bem comportada, com núcleos abaixo de 3,0%”, em termos de taxas em 12 meses.

As sondagens poderão apresentar alguma melhora de confiança, mas o patamar ainda seguirá baixo, com diferentes desempenhos entre as percepções de situação atual e as expectativas (melhorando).

No cenário global, o Depec chama atenção para “os indicadores prévios de atividade referentes a julho. Tais informações ajudarão a compor o cenário global, que pode estar entrando em uma fase de estabilização. Nos EUA, a divulgação do PIB do 2º trimestre deve apontar desaceleração, com o consumo em ritmo mais forte do que o dos investimentos”, mas sem afetar a disposição de baixa dos juros em 0,25 p.p. na reunião do Federal Open Market Committee (FOMC), dia 31.