Jornal do Brasil

O Outro Lado da Moeda

O Outro Lado da Moeda

Gilberto Menezes Côrtes

IPCA chega a 4,94%; taxa anual já pode cair em maio e despencar em junho

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

A alta de 0,57% no índice oficial de inflação (IPCA) em abril, divulgado hoje (sexta-feira, 10) pelo IBGE, abaixo dos 0,75% de março, não impediu novo avanço na inflação em 12 meses de 4,58% para 4,94%. Mas, pelas apostas do mercado financeiro de um IPCA entre 0,30% e 0,35% em maio, pode começar a cair este mês, já que em maio de 2018 foi de 0,40%. Ficaria abaixo de 4,9%.

E em junho, quando houve explosão de 1,26% em 2018, devido à greve dos caminhoneiros, a taxa cairia novamente abaixo dos 4% (3,9% se o IPCA ficar em 0,32% como preveem as Top 5, as cinco instituições que mais acertam a pesquisa Focus do Banco Central). Vale lembrar que o centro da meta do Copom é de 4,25%.

A inflação de abril foi puxada pelo reajuste anual dos remédios (média de 2,25%) que provocou alta de 1,51% no item Saúde e Cuidados pessoas, impactando em 0,18 pontos percentuais o IPCA, que mede as despesas das famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, seguido do impacto de 0,17 p.p. dos Transportes, que subiram 0,94% e do impacto de 0,16 p.p. dos preços dos Alimentos e Bebidas, que tiveram alta de 0,63%.

Os indicadores da inflação, com a economia andando de lado e o desemprego em alta, são mesmo de baixa. No caso dos remédios já não deve pesar tanto no índice deste mês, e no caso dos alimentos, já se desenha um quadro mais favorável: a alta de 0,67% foi bem menor que os 1,37% de março e há quedas expressivas no atacado, devido à boa safra agrícola, que derruba preços de grãos e o conjunto das proteínas.

As incógnitas seguem sendo os combustíveis e a energia, mas a base de comparação com 2018 leva a taxa do IPCA para baixo.

Maior parte do país já sofre inflação de 5%, atingida no INPC

E é bom que a inflação ceda. Para a maioria do país, a inflação já passou dos 5% em 12 meses. A taxa acumulada do Índice Nacional dos Preços ao Consumidor (INPC), que mede as despesas das famílias com renda até quatro salários mínimos (R$ 3.992), já atingiu os 5,07% em abril. E a maioria dos brasileiros está nessa faixa de renda. Tanto que o INPC é o índice de reajuste do salário mínimo.

No levantamento do INPC do IBGE, cinco em 10 regiões metropolitanas já atingiram em abril inflação acima de 5% (São Paulo, a maior região metropolitana do país, com mais de 20 milhões de habitantes, registrou 5,19%; o Rio de Janeiro, 2ª maior, 5,28%, PA liderava com 5,68%, Salvador tinha 5,45%; Belo Horizonte alcançou 5,06%. Outras cidades onde o IBGE coleta dados também estavam acima dos 5%: São Luiz, com 5,39%, Aracaju, com 5,43%, Vitória, com 5,50% e Rio Branco, também com 5,50%. Goiânia, vizinha a Brasília, registrava 5,07%.

Brasília, a “ilha da fantasia”

Não se sabe se foi coincidência com as críticas do presidente Jair Bolsonaro aos índices do IBGE (desemprego, inflação e a celeuma sobre o Censo de 2020), mas o fato é que Brasília segue sendo uma “ilha da fantasia”, com a menor inflação acumulada do país, tanto no INPC (3,40%) quando no IPCA (renda de um a 40 SM – R$ 39,920, acima do teto salarial do STF), que ficou em 4,21%, também a menor taxa acumulada do índice. Algumas cidades estão com índices mais altos por pressão dos reajustes anuais da energia elétrica, que incidiu em abril e terá impactos ainda em maio.

Onde a inflação pesa mais

Região                             INPC (%)                  IPCA (%)

Brasil                                5,07                          4,96

São Paulo                          5,19                         4,99

Rio de Janeiro                    5,28                         5,02

Salvador                            5,45                         5,26

Brasília                              3,40                         4,21

Recife                                4,78                         4,86

Porto Alegre                       5,65                         5,63

Curitiba                             4,93                         4,50

Fortaleza                           4,93                         4,95

Goiânia                              5,07                        4,67

Campo Grande                   4,52                         4,27

Belém                              3,97                         4,35

Aracaju                            5,43                         5,59

São Luiz                          5,39                          5,49

Vitória                             5,50                          5,02

Rio Branco                       5,50                          5,38

Fonte: IBGE