Calendário do AB impacta o eleitoral

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JB
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Duas pesquisas eleitorais divulgadas nesta 2ª feira - da FSB/BTG, realizada dias 22 e 24 de julho, por telefone, junto a 2.000 eleitores, e da Ipespe/XP, entre 20 e 22 de julho, também junto a 2.000 eleitores - chegaram a resultados semelhantes e indicam que a eleição teria 2º turno. Na mais recente, da FSB/BTG Pactual, Lula segue liderando no 1º turno, em 2 de outubro, sem garantia de liquidar a fatura (44% a 31% de Bolsonaro e Ciro Gomes tem 9%) e vence no 2º turno, em 30 de outubro, por 54% a 36%. Na pesquisa do Ipespe/XP, Lula vence no 1º turno por 44% a 35% e liquida a fatura no 2º turno por 53% a 36%.

As duas pesquisas captaram as primeiras medidas de redução de preços da energia elétrica, telecomunicações e combustíveis, sem que tenha havido mudanças significativas na intenção de voto: em relação à pesquisa anterior FSB/BTG (divulgada em 11 de julho), Lula manteve os 40% no voto espontâneo e Bolsonaro, 30%. Na Pesquisa estimulada, Lula subiu de 41% para 44% e Bolsonaro desceu de 32% para 31%. Na pesquisa espontânea do Ipespe/XP, Lula teve 40% das menções (+1 p.p) e Bolsonaro, 30% (+ 1 p.p. também). No voto estimulado, Lula teve 44% de menções e Bolsonaro, 35%. No 2º turno Lula venceria por 54% a 36%.

O cenário foi feito sem entrar em campo a dinheirama que o governo vai despejar para vários segmentos da população, buscando com isso reverter o voto do eleitorado até aqui favorável ao ex-presidente Lula. O Diário Oficial da União publicou hoje o calendário dos desembolsos do Auxílio Brasil turbinado de R$ 400 para R$ 600, elaborado pela Secretaria Especial de Desenvolvimento Social.

 

Jorrando dinheiro para o eleitor

As liberações de R$ 26 bilhões até dezembro para cerca de 21 milhões de famílias seguem os números de identificação social (NIS) e começam em 9 de agosto - uma semana antes do início do calendário da propaganda no rádio e na TV - coincidentes com a liberação do vale gás para cerca de 5,6 milhões de famílias. Os desembolsos serão diários no total de 10 lotes até 22 de agosto.

Em setembro serão novamente 10 rodadas, iniciadas em 19 de setembro e encerradas em 30 de setembro, dois dias antes do 1º turno. Em outubro, de 18 a 30 de outubro (data do 2º turno), serão nove pagamentos (a última parcela do mês será dia 31). Em novembro serão 10 parcelas, entre os dias 17 e 30. Em dezembro, os pagamentos vão de 12 a 23 de dezembro, reforçando o Natal.

 

Carona de caminhoneiros ...

Para reforçar o aliciamento do eleitor, o Ministério do Trabalho e Previdência também anunciou hoje o pagamento da 1ª e da 2ª parcela do Benefício Emergencial aos Transportadores Autônomos de Carga (BEm-Caminhoneiro), que também serão depositadas dia 9 de agosto. Cada uma terá valor de R$ 1 mil (R$ 2 mil no total, compreendendo os meses de julho e agosto).

 

...e de taxistas também

Já o Auxílio a taxistas, também em parcelas mensais de R$ 1 mil, começará a ser pago em 16 de agosto. Assim como os caminhoneiros, o 1º pagamento irá contemplar duas parcelas de R$ 1 mil cada, referentes aos meses de julho e agosto, segundo o Ministério do Trabalho. Já o crédito dos taxistas incluídos na 2ª etapa está previsto para o dia 30 de agosto.

Ou seja, até a eleição no 1º turno, cerca de 800 a 900 mil caminhoneiros e um milhão de taxistas irão receber pelo menos três parcelas cada uma de auxílio emergencial de R$ 1 mil. Será suficiente para mudarem os votos?

 

E as tarifas vão baixar?

A pergunta que não quer calar é: depois da redução dos impostos que baixaram os preços dos combustíveis nas bombas (a única exceção até aqui é o óleo diesel, que está custando mais caro que a gasolina e o etanol), quando os taxis irão baixar suas tarifas?

Se não fizerem isso, será apropriação de dinheiro público. Também fariam o mesmo as distribuidoras e donos de postos se não baixarem os preços proporcionalmente à redução dos impostos e preços nas refinarias.

 

Petrobras reduz custos

O balanço de produção e vendas da Petrobras, que anuncia seus resultados financeiros do 2º trimestre na noite de 5ª feira, 28 (os mercados fecham às 19:30/20 horas, se Bolsonaro abordar algo na “live” semanal seria “inside information”?), mostrou uma espetacular redução de custos (que se revelou altamente lucrativa neste ano, quando os preços do barril dispararam após a invasão da Ucrânia pela Rússia). Isto se acentuou com a decisão, tomada na gestão do ex-presidente Roberto Castello Branco, de vender poços em terra e águas rasas, com altos custos de produção para volumes relativamente baixos, e se concentrar nos mega poços em águas profundas e ultra profundas, como o pré-sal, que produziu 73% óleo e gás no período.

Vejam o caso da revitalização de Marlim-Voador, o maior campo de petróleo e gás na Bacia de Campos, exemplo do “up-grade” da produção/redução de custos da petroleira.

A Bacia de Campos, que salvou o Brasil na crise da dívida externa a partir da metade dos anos 80, ainda responde por 30% da produção de petróleo e gás o país (ela tem área no sistema de pré-sal), que é mais intenso na Bacia de Santos e concentra elevados reservatórios de óleo e gás em profundidades de mais de 5 mil metros (sendo mais de 2 mil de lâmina d’água).

A Petrobras anunciou no di1 8 de julho, que o FPSO Anna Nery, estava saindo do estaleiro na China com destino ao Brasil, para ter concluídas as instalações no estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis (RJ). Com capacidade de produzir 70 mil barris de óleo por dia, a plataforma vai se juntar ao FPSO Anita Garibaldi (com capacidade para processar 80 mil barris-dia), para aumentar a produtividade do campo de Marlim-Voador, atualmente na faixa de 57 mil barris dia equivalente de petróleo, para um máximo de 153 mil barris-dia.

A quase triplicação da produção se fará com a substituição de 9 Unidades Estacionárias de Produção (UEPs) nestes campos, incluindo as atualmente em operação (P-18, P-19, P-20 e P-47) e as já em fase de descomissionamento (P-26, P-32, P-33, P-35, P-37). As maiores plataformas semi-submersíveis na Bacia de Campos têm capacidade de processar a separação de água e gás do petróleo e estocar até 6 mil barris de óleo e gás. Trata-se, portanto, de enorme ganho de escala, com redução de custos. E as novas FPSO já incorporam o conceito All Electric, que maximiza o uso de energia elétrica para acionar os equipamentos, reduzindo emissões de carbono.

O efeito da troca de milhares de equipamentos por FPSO concentradoras de produção é um enorme ganho para a Petrobras. Foi isso que Castello Branco vislumbrou - quando anunciou em entrevista ao JORNAL DO BRASIL, em novembro de 2018, ao ser indicado para presidir a Petrobras -, que iria concentrar as atividades de exploração e produção da companhia no pré-sal, visando a economia de escala. A baixa dos preços na pandemia da Covid-19, em abril-maio de 2020, mostrou que a companhia fez a opção correta.

 

Refino de diesel e GLP são o problema

Mas os dados da Petrobras, que produziu 2.114 mil barris dia de óleo e LGN no 2º trimestre, mostram que ela segue com os gargalos no refino, tendo o diesel, o produto mais consumido no Brasil, e o GLP como os problemas mais sérios.

Do total produzido, 90% de petróleo nacional foram processados nas refinarias da Petrobras, que refinaram 1.771 mil barris diários no período, dos quais 1.717 barris diários foram vendidos no mercado interno e 60 mil barris de derivados exportados (sobretudo óleo combustível para navios - bunker).

A produção total de 711 mil barris dia de óleo diesel (40% do total refinado) foi insuficiente para atender à demanda de 750 mil barris dia no 2º trimestre (auge da movimentação da safra de grãos no país). Houve necessidade de importar 39 mil barris diários.

A Petrobras reprogramou as refinarias em operação (já sem a Landulpho Alves-BA, vendida para o fundo Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos) para extrair 40% de óleo diesel, 18% de gasolina, 14% de óleo combustível, 8% de GLP e 8% de nafta (os demais são Querosene de Aviação, 4%, e outros derivados, como o asfalto, que somam 8%).

Mas o consumo de diesel foi exatamente o dobro do consumo de gasolina (375 mil barris dia). É que enquanto a gasolina tem a concorrência do etanol e do GNV, não há substituto para o óleo diesel que recebe mistura de óleo vegetal (sobretudo óleo de soja) e gordura animal (sebo bovino, suíno e de frango).

 

No GLP país supre só 52%

O caso mais crítico é do GLP. Mesmo com o aumento da produção de gás natural, a Petrobras só conseguiu transformar em Gás Liquefeito de Petróleo (o gás de botijão, usado em 85% dos lares brasileiros) 112 mil barris diários. Isso correspondeu a apenas 52% dos 215 mil barris consumidos, com necessidade de importação de 103 mil barris-dia.

Para ajustar o mercado doméstico às cotações internacionais, atualizadas pela taxa de câmbio (dólar), foi criado, em 2016, o sistema de Paridade de Preços Internacionais (PPI).

Aumentar a capacidade de produzir diesel com a expansão das refinarias tem o paradoxo de gerar excedentes de todos os outros derivados (gasolina, nafta, óleo combustível e QAV). Como são exportados sem impostos, choveriam críticas de que a empresa estaria vendendo derivados a preço de banana...

No caso do GLP, o Brasil está atrasado em fazer a transformação de gás natural, só estando em fase de execução a central de gás liquefeito do malogrado Comperj - Complexo Petroquímico de Itaboraí (RJ), cujos planos da central petroquímica foram abandonados na crise financeira mundial de 2008. A Petrobras ainda tentou manter uma refinaria de até 330 mil barris (em duas fases de 165 mil barris-dia) para processar o óleo do pré-sal, mas o projeto também foi hibernado, restou apenas a Central de Gaseificação.

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