Qual o impacto de alta de 1 ponto pelo Fed?

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JB
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A inflação nos Estados Unidos, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI), surpreendeu novamente com alta de 1,3% em junho frente a maio e de 9,1% em termos anuais. Mais do que a maior taxa de inflação da economia americana desde novembro de 1981, foi o 2º mês seguido com taxa mensal acima de 1% (nível de maio), o que deve exigir resposta enérgica do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA na reunião de 26 e 27 de julho.

O núcleo da inflação, que exclui preços mais voláteis como alimentos e energia, aumentou 0,7% no mês e 5,9% em 12 meses. Todos os indicadores vieram acima das expectativas dos analistas que projetavam variação de 1,1% no CPI cheio (expectativa de 8,7% em 12 meses) e 0,5% no núcleo (5,7% em 12 meses).

A pergunta que já preocupa os investidores é se o FED irá acelerar o processo de ajuste na política monetária como forma de evitar a desancoragem das expectativas. Os mercados já reagiram negativamente hoje, com a aposta majoritária dos investidores (51%) de que o FED irá aumentar a taxa de juros em 1,00 p.p. na reunião do Federal Open Market Committee (FOMC).

Com a elevação dos juros, em meio à inflação que tira poder de compra da população, as projeções de crescimento da economia americana em 2022 e 2023 começam a ser reduzidas, indicando uma possível recessão no final do ano. O efeito imediato se notou nos preços das commodities, que começam a dar sinais de arrefecimento, sobretudo petróleo e metálicas. Isso pode auxiliar o Fed, mas o trabalho da política monetária será duro.

O CPI acelerou sua alta em 12 meses ao atingir 9,1%, ante a expectativa de 8,8%. Esse novo desvio da inflação é um fator de preocupação para o Fed, pois pode resultar num processo de desancoragem das expectativas de inflação. De fato, a surpresa altista do CPI de junho levou os investidores a apostarem que o Fed agirá mais rapidamente e adiantará parte relevante de seu orçamento de juros neste trimestre.

Para a reunião de 27 de julho a aposta predominante para a Fed Fund Rate é de uma alta de 100 pontos base, para 2,75%. A tabela a seguir mostra o caminho dos juros precificado no mercado futuro. Antes. a curva esperada era de + 75 pb em julho e uma taxa em torno de 3,50% no fim do ano. Os pronunciamentos dos diretores do Fed até o FOMC de julho serão importantes para a confirmação das novas expectativas.

Na 4ª feira, o presidente do Fed de Atlanta, Rafael Bostic, comentou que todas as alternativas estão disponíveis (até 1 ponto percentual de aumento). A presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, disse que o relatório de inflação de junho justifica uma alta de pelo menos 0,75 p.p. pelo FOMC. Embora sem se manifestar sobre ajuste mais forte, ela espera os indicadores a serem divulgados nos próximos dias, mas reconheceu que os juros terão de ficar bem contracionistas.

 

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. (Foto: OLM)

 

Mercados reagem em queda

Os números da inflação repercutiram negativamente nos mercados globais, ante o temos dos Investidores de que o Fed poderá acelerar novamente o ritmo de aperto monetário para conter as persistentes pressões inflacionárias, o que ampliaria os riscos de recessão no próximo ano.

Pesam também sobre os negócios as revisões das projeções da União Europeia para a região em 2022 e 2023, que agora espera crescimento de 2,6% e 1,4% (ante 2,7% e 2,3% na divulgação anterior) e inflação de 7,6% e 4% (ante 6,1% e 2,7%), respectivamente.

Assim, os mercados operam em queda generalizada, com os preços do petróleo operando abaixo dos US$ 100, a US$ 95,46, menor cotação desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro. No Brasil, o Ibovespa caía quase 2% às 11 horas, abaixo de 96 mil pontos, menor cotação desde outubro de 2020. Na direção oposta, em reação à possível redução do diferencial de juros entre o Brasil e os EUA (e o impacto da queda das receitas de exportações, com menor saldo da balança comercial), o dólar chegou a passar de R$ 5,490 e subia 1,41% às 11 horas, cotado a R$ 5.481 para venda.

 

 



Gilberto Menezes Côrtes
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