Caged: abril cria 196 vagas; março perde 48 mil

...

JB
Credit...JB

Está explicado porque a divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do mês de abril pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social atrasou uma semana: nos dados divulgados esta manhã, houve a criação de 196.966 em abril (acima das 174 mil vagas previstas pelos analistas do mercado). Entretanto, na revisão dos dados, as vagas de março encolheram 35,7%, caindo de 136.189 para apenas 88.145 vagas. No acumulado do ano foram criados 770.593 empregos (7.715.322 admissões e 6.944.729 desligamentos).

O setor de serviços, que retoma a normalidade com o aumento da vacinação no país, liderou, com folga, a criação de empregos no mês de abril: 117.007 postos, distribuído principalmente nas atividades de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (39.610 postos). O Comércio gerou 9.261 postos. A indústria gerou 26.378 postos, concentrados na Indústria de Transformação (22.520 vagas). A construção criou 25.341 novas vagas. Apenas as atividades de Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura tiveram perda de mão de obra: 1.021 postos.

 

Macaque in the trees
. (Foto: Ministerio Previdência)

 

Aumento em todas as regiões

Todas as cinco regiões pesquisadas tiveram aumento na geração de emprego. O destaque foi o Sudeste, que aumentou 101.279 postos (+0,48%). O Nordeste criou 29.813 postos (+0,45%). A região Centro-Oeste, com 25.598 novos, foi a que registrou maior crescimento em abril (+0,72%), seguido dos +0,62% da região Norte (12,023 postos). A região Sul gerou 25.102 novos postos (+0,32%).

Em abril, 25 das 27 unidades da federação registraram saldos positivos. Os maiores avanços foram em São Paulo, com 53.818 postos (+0,42%), seguido pelo Rio de Janeiro, com 22.403 postos (+0,69%) e Minas Gerais, com 20.059 postos (+0,46%). Só dois estados tiveram desempenho negativo em abril: Pernambuco e Alagoas, que estão sendo assolados pelas chuvas de fins de maio, o que agrava o quadro social na região Nordeste.

 

A força dos serviços

Como assinalou o IBGE, o setor de Serviços (que inclui atividades de lazer, hotelaria, bares e restaurantes, Atividades financeiras e seguros e ainda Atividades imobiliárias) é o que tem maior peso no Produto Interno Bruto (69,8% no ano passado, aí incluindo o Comércio, que o Caged trata à parte) e também é o maior empregador de mão de obra.

Com a normalização progressiva das atividades de lazer, de janeiro a abril, das 770.593 vagas líquidas criadas (já descontados os desligamentos), o setor de serviços respondeu por 534.523 vagas. Ou seja, 69,36% do total. O número dos Serviços (no conceito do PIB) seria maior se o Comércio não tivesse fechado 34.646 vagas neste começo do ano.

A indústria ficou em 2º lugar na criação de empregos, com 127.788 vagas, seguida da Construção, com grande demanda de obras públicas no ano eleitoral, e a abertura de 119.923 vagas líquidas, num aumento de 5,20% . A agropecuária respondeu pela criação de 23.009 vagas liquidas nos primeiros quatro meses do ano.

 

Educação lidera vagas

Um dado importante, que mostra como o avanço da vacinação, incluindo crianças a partir de cinco ano ajudou à retomada das atividades, foi a liderança do setor educacional na criação de vagas este ano. De janeiro a abril, o segmento de ensino gerou 124.186 novas vagas, num crescimento de 7,09%.

Superou todas as 113.042 vagas (+1,57%) criadas em todas as atividades da indústria de transformação, as quase 120 mil vagas da Construção e as 80.170 (+1,57%) das Atividades Administrativas e Serviços complementares. Indicações futuras do Censo 2022 (e dos vindouros) vão indicar quais os estragos que o “gap” na educação durante a pandemia (2020-21) causaram nos estudantes brasileiros e na formação da sociedade.

 

Focus: PIB e IPCA aumentam, juros não

Após interrupção pela greve de seus funcionários, o Banco Central divulgou hoje dados parciais da Pesquisa semanal Focus, encerrada na 6ª feira, 3 de junho. A projeção do PIB de 2022 aumentou de 0,70% em 2 de maio para 1,20%, em 3 de junho, depois da divulgação do crescimento de 1% no 1º trimestre pelo IBGE. Mas a taxa do ano que vem foi reduzida de 1% para 0,76% na mesma métrica.

Um dos motivos da revisão para pior foi as previsões de aumento da inflação, medida pelo IPCA, que subiu de 7,89% em 2 de maio para 8,89% em 3 de junho. O que vai gerar aperto das restrições monetárias. Apesar da escalada da inflação, a previsão da Selic em dezembro deste ano foi mantida em 13,25% (está em 12,75%). Mas a taxa do final de 2023 subiu de 9,25% para 9,75%.



Gilberto Menezes Côrtes
.


Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade.
Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Saiba mais