Indústria tem reação em março

...

CPDOC JB
Credit...CPDOC JB

A queda de 2% na produção industrial em janeiro (com foco na indústria automobilística, que antecipou a produção para novembro e dezembro de 2021 dos modelos cuja fabricação seria proibida a partir de 1º de janeiro de 2022) continua pesando no resultado do 1º trimestre. Apesar da alta de 0,3% em março (após avanço de 0,7% em fevereiro), a média móvel trimestral caiu 0,4% e o resultado acumulado do trimestre, comparado a igual período do ano passado foi uma queda de 4,5%. Em 12 meses a indústria seguia negativa em 1,8%. Segundo os dados de março, divulgados hoje pelo IBGE, a produção industrial estava 2,1% abaixo do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020.

Para André Macedo, gerente da pesquisa, além do impacto forte de janeiro influir no resultado, os fatores que dificultam uma retomada da indústria ainda permanecem. “Questões complicadoras na oferta, que é algo mais global, afetado pelo mercado internacional, e na demanda doméstica”, exemplifica. De acordo com Macedo, as plantas industriais ainda percebem o aumento do custo de produção e refletem a escassez de algum insumo. O crescimento da economia vai depender muito da gradual normalização do setor de serviços.

 

LCA arrisca previsões

A LCA Consultores, que esperava expansão de 0,4% na indústria (a mediana do mercado era de + 0,2%), fez hoje previsões preliminares para o desempenho dos vários componentes do PIB para o mês de março. O volume vendido pelo comércio varejista ampliado (que o IBGE divulgará no dia 10 de maio e no dia 11, o IPCA de abril) teria queda mensal de 2,4% e redução de 1,3% frente a abril de 2021. O volume de serviços (divulgado dia 12) teria expansão de 0,1% em março e de 8,1% na métrica anual.

Com tais números (prejudicados pelo resultado um pouco aquém da indústria), a LCA está projetando variação de 0,4% no IBC-Br (o indicador do Banco Central que procura antecipar o desempenho do PIB) de março e 0,6% na métrica de março 22/março 21. Nas mesmas projeções o IBC-Br registraria variações de +0,6% no trimestre e de 0,5% frente ao 1º trimestre de 2021. A expectativa anterior da LCA era de 0,3% no trimestre. Talvez acerte, errando.

 

China complica cadeia global

O recrudescimento da pandemia em algumas grandes cidades da China, sobretudo em Xangai, a maior cidade do país, com mais de 25 milhões de habitantes, e em Pequim, está criando uma situação de difícil controle até mesmo para os rigorosos padrões autoritários chineses.

O rigoroso “lockdown” decretado em Xangai, que, segundo relatos de seus habitantes, dificulta até a compra de alimentos, começa a gerar forte insatisfação popular. Xangai é um grande centro industrial e o maior porto da China, e a retração das duas atividades pode desacelerar a economia do país e complicar a cadeia global de suprimentos, afetando a produção industrial de vários países (inclusive o Brasil) que dependem de insumos “made in China”. Num mundo conturbado pelas consequências da invasão da Ucrânia pela Rússia, é a formação da tempestade perfeita.

 

Qual o maior risco: rublo ou cripto?

Tenho um amigo, muito afeito a correr riscos, que, depois de suspirar aliviado com o pagamento, em dólares dos bônus russos que ameaçavam entrar em default, andou fazendo contas e acredita que investir em rublos, que estão super desvalorizados, pode ser uma boa oportunidade especulativa depois que acabar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

Ele falou isso debochando de dois outros amigos que passaram atribulações na semana passada quando a Solana e a Ethereum, duas das principais redes usadas para negociação de NFTs (non-fungible tokens), mais conhecidas como criptomoedas, passaram por problemas e ficaram fora do ar por várias horas.

Não há pior risco para um investidor, que deveria saber que a segurança e a liquidez não combinam com alta rentabilidade - mesmo para quem se dispõe a correr riscos num ativo que não está sujeito a controle de autoridades monetárias ou órgãos de supervisão (até aqui uma SEC ou uma CVM nada podem fazer para regular este mercado) - do que a falta de liquidez e transparência em relação ao ativo em que investiu parte do patrimônio.

A Solana ficou fora do ar por quase sete 7 horas por problemas de congestionamento devido ao abuso de um programa de criação de NFTs.

Já a Ethereum, que foi a rede utilizada para o lançamento da coleção das terras do universo dos BoredApes, maior coleção NFT da atualidade. Não aguentou a gigantesca demanda, que praticamente congelou a rede, fazendo com que taxas de transação chegassem acima de US$ 5.000.

Nenhum dos dois morreu do coração, mas o médico recomendou que não tenham emoções fortes. Resta saber se o especulador em rublo entendeu.

 

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade.
Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Saiba mais