Brasil garante 24,6% do lucro do Santander

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Maior unidade do espanhol Santander no mundo, a filial brasileira voltou a liderar os lucros globais do banco de Ana Botin no 1º trimestre, com 627 milhões de euros, equivalente a 24,65% do lucro total de 2.543 milhões de euros. A filial dos Estados Unidos teve o 2º maior lucro (583 milhões de euros, ou 22,9% do total). As operações da matriz espanhola tiveram ganhos de 365 milhões de euros, inferiores aos 375 milhões da unidade do Reino Unido. O México ficou em 5º lugar com 249 milhões de euros.

As valorizações das moedas locais diante do euro influíram no lucro global do Santander, que avançou 11,8% sobre o 4ª trimestre de 2021 e 18,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Em reais, o Santander Brasil lucrou R$ 4,005 bilhões no 1º trimestre, com alta de 3,2% sobre o trimestre anterior e de 1,23% sobre janeiro-março de 2021. Em euros, o lucro trimestral caiu 1% no Brasil e 8% nos EUA. O maior avanço foi no México: 32%.

 

Inadimplência cresce e reduz ganhos

O Santander inaugurou a temporada dos balanços bancários no Brasil, que terá sequência com o Bradesco em 5 de maio e o Itaú, dia 9. O aumento da inadimplência afetou os resultados do Santander no Brasil e era vista (antes da divulgação, na manhã de hoje) pelo analista da Genial Investimentos como “o banco que estamos menos otimistas, percepção justificada pelo menor índice de cobertura e expectativa de baixo crescimento de lucro no ano”.

E previa que no cômputo geral, o 1º trimestre “deve ser positivo para os bancos, com avanço de lucro t/t e a/a [e apontou o Itaú e o Banco do Brasil como prováveis destaques] exceto para o Santander”, que deve “ser impactado pelo baixo NII mercado e a elevação da PDD” (previsão para devedores duvidosos, que era baixa em dezembro). De fato, a previsão de R$ 4,612 bilhões no 1º trimestre, foi 24,9% superior à do último trimestre e 45,9% mais elevada que a de igual período do ano passado.

 

Tamanho é documento?

No balanço global do Santander dá para se ver as dimensões da filial brasileira, que tinha 53.865 funcionários em março. A título de comparação, toda a operação na Europa (que inclui Polônia e Portugal), tinha 60.443 funcionários. Só na Espanha, que concentra a corporação e o SFC, o braço de financiamento ao consumidor do Santander, são 26.095 empregados, menos da metade do que a filial brasileira. Nos EUA, o lucro de 583 milhões de euros, veio de um contingente de 15.544 empregados. Parte da diferença está no avanço da automação fora do Brasil.

O Santander iniciou operação no Brasil em 1997, com a compra do Banco Geral do Comércio, seguida da compra de pequenos bancos (Noroeste, América do Sul e Sudameris). Ganhou novos territórios com a compra do antigo Banco Meridional, com base no Sul do país, e grande impacto com a privatização do Banespa, em fins de 2000. Mas foi a compra do Real AMRO em 2008, que lhe deu o formato final e o alçou à posição de 3º banco privado do país e o 5º do ranking, quando se inclui o BB e a Caixa Econômica Federal). A rede de agências do antigo Banco Real (vendido em 1998 ao holandês ABN AMRO Bank) foi herdada da compra do banco holandês, arrematado, em 2007 por consórcio formado pelo Royal Bank of Scotland, o belga-holandês Fortis e o espanhol Santander, que ficou com operação brasileira.

 

Brasil lidera na inadimplência

Os critérios de se medir inadimplência no Brasil e nos demais países onde o Santander atua são diferentes. A conjuntura inflacionária é um fator importante na inadimplência. No Brasil, costuma-se considerar inadimplente (o que exige formação de reservas para eventual provisão para devedores duvidosos) quando os atrasos nos pagamentos dos empréstimos ultrapassam os 90 dias.

Por tal critério a inadimplência no Santander Brasil ficou em 2,9% no 1º trimestre, aumento frente aos 2,7% de dezembro de 2021 e quase retornando aos 3% de março de 2020 (quando os bancos baixaram provisões para enfrentar a pandemia da Civid-19). Decompondo os números, os atrasos das pessoas físicas subiram de 3,6% em dezembro para 4,0%, mesmo nível de março de 2020. Nas pessoas jurídicas, a taxa ficou em 1,4%, frente aos 1,3% de dezembro, mas ainda abaixo dos 1,6% de março de 2020).

Mas é na avaliação dos créditos com 15 a 90 dias de atraso (usados nas filiais de todo o mundo, como se compara no quadro abaixo dos custos de captação, taxas dos empréstimos - em parte devido à inflação) que se nota a inadimplência recorde do Brasil (5,68%, segundo dados do balanço da matriz espanhola). A América do Sul - influenciada pelo Brasil, pelo Chile (4,70%) e pela Argentina (3,21%), onde os juros ainda não tinha acompanhado a inflação mensal de 6,7% em março e 55,1% em 12 meses - tinha atraso de 3,21%.

Na Europa, a média era de 3,01%, puxada pelos 4,47% da Espanha, pelos 4,02% no “Digital Consumer Bank” e os 3,50% da Polônia. Na América do Norte, a taxa era de 2,83%, sendo de 2,75%, nos Estados Unidos, e de 3,09% o índice de operações em atraso no México.

Quando se mede a inflação acumulada em 12 meses, o Brasil, que atingiu 11,30% em março, só perde para os 6,7% ao mês (55,7% anuais da Argentina). A Polônia vem em 3º, com 11%, a Espanha acumulava 9,8%, o Chile, 9,4% e os Estados Unidos, 8,5%. A menor taxa era de Portugal: 5,3%.

 

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. (Foto: .)

 

Mercado espera Vale e Petrobras

Embora os bancos sejam dos mais lucrativos, o que está deixando os analistas e investidores interessados são os balanços das duas maiores distribuidoras de lucros e dividendos do país: a Vale e a Petrobras. A Vale divulga os resultados financeiros do 1º trimestre nesta 4ª feira, após o fechamento dos mercados no Brasil e Nos Estados Unidos. A Petrobras divulga os resultados financeiros na 5ª feira, 5 de maio, mesmo dia que o Bradesco. Só que os números do Bradesco sairão pela manhã, antes da abertura dos mercados e o da estatal após o fechamento dos mercados.



Gilberto Menezes Cortes
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