Bancos veem Selic em até 11,50% em 2022

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Após a Ata do Copom, explicando a troca de patamar de reajustes da taxa Selic (o piso do mercado financeiro) de 1% ponto percentual para 1,50 p.p,, com o anúncio de que o Comitê de Política Monetária do Banco Central espera movimento igual, na sua última reunião do ano, em 8 de dezembro, quando a taxa chegaria a 9,25% ao ano, os departamentos econômicos de bancos e consultorias avaliam até quanto irá a alta. Há condicionantes no caminho.

O 1º será definido esta tarde, quando o Federal Reserve Bank, o Banco Central dos Estados Unidos, divulgará o calendário do “tapering”, o processo de redução de recompras de títulos públicos (municipais e estaduais e privados) no “open Market”, com eventual desenho de alta nos juros dos “fed funds”.

Os juros foram mantidos no intervalo de 0% a 0,25% ao ano, mas o Comitê de decidiu reduzir o ritmo mensal de suas compras de ativos líquidos em US$ 10 bilhões para títulos do Tesouro e US$ 5 bilhões para títulos lastreados em hipotecas de agências. A partir do final de novembro, o Comitê aumentará suas posses mensais de títulos do Tesouro em pelo menos US$ 70 bilhões e de títulos garantidos por hipotecas de agências em pelo menos US $ 35 bilhões. A partir de dezembro, o Comitê aumentará suas participações em títulos do Tesouro em pelo menos US $ 60 bilhões por mês e em títulos lastreados em hipotecas de agências em pelo menos US$ 30 bilhões por mês

O 2º é a evolução do quadro fiscal brasileiro, com a aprovação ou não da PEC dos Precatórios, que implica em furar o teto de gastos para abrigar o novo formato da fusão do Bolsa Família com o Auxílio Emergencial, com a criação do Auxílio Brasil com valor mensal de R$ 400 para 17 milhões de famílias.

A maioria dos bancos e consultorias espera que o ciclo se encerre em 16 de março (a 1ª reunião do ano é nos dias 1 e 2 de fevereiro), com duas altas de 1 ponto percentual. Este é o caso do Itaú, que espera a Selic fechando 2021 em 9,25%, e 11,25% ao ano no final do 1º trimestre, mas com a ressalva de que “a política fiscal precisa ajudar”. A LCA espera 9,25% este ano e 10,75% em março de 2022. O Santander é mais pessimista e espera 9,25% este ano e que o ciclo de alta se encerre em 11,50% em março de 2022, projetando três altas de 1,50 pontos percentuais e uma de 1 p.p. até 16 de março. Para o Santander, a inflação chega a 9,6% este ano e bate em 5% em 2022, no limite da meta (3,50%, com tolerância de 1,50 p.p.

Os céticos X os crédulos

O ceticismo do mercado diz respeito à capacidade do Banco Central e do Ministério da Economia domarem as pressões inflacionárias. O Ministério da Economia parece ter cedido às pressões eleitorais da candidatura do presidente Jair Bolsonaro à reeleição e afrouxou o teto de gastos e foi leniente com a contratação de despesas confiante no cenário de maior arrecadação derivada da alta dos alimentos e combustíveis, com impactos gerais na cadeia de preços. Acontece que esse cenário seria sustentável se a economia seguisse na trajetória de recuperação deste ano.

Mas não é o que apontam os departamentos de economia. Há despesas contratadas para 2022 com base na inflação de 2021. Há otimistas, como o Bradesco, tratada no mercado como a velhinha de Taubaté (o banco nasceu em Marília, em 1943), que espera IPCA de 9% este ano, com crescimento de 5,2% do PIB e a taxa Selic em 9,25%, mas acredita em melhora geral no ano que bem, quando o a inflação cairia para 3,8%, permitindo a Selic recuar para 8,50% e o PIB avançar 1,6%%.

Tal visão contrasta frontalmente com a do Itaú, que espera inflação de 9,3% este ano, taxa Selic em 9,25% e reduziu o crescimento do PIB a 4,8%. Para 2022, o banco é ainda mais pessimista, embora a inflação possa recuar a 4,3%, a manutenção da Selic em 11,25% ao ano, de março até dezembro, aliada aos problemas ainda não dissipados no suprimento de energia elétrica, tende a provocar recessão de 0,5% no PIB. O Santander elevou a projeção de inflação deste ano para 9,6%, com Selic em 9,25% e estima que a Selic chegue a 11,50% em março.

Numa linha intermediária se posiciona agora a LCA Consultores, que ficou mais pessimista. O PIB, que antes cresceria mais de 5% este ano, reduz-se para 4,8% e a taxa de 2022, antes na faixa de 1,7%, encolhe para 1% (positivo). Isso num cenário em que a inflação chega a 9,7% este ano (antes a previsão era de 9,3%) e a 5% em 2022, no limite da meta de inflação – 3,50%, com tolerância de 1,50 ponto percentual.

Copom segue correndo atrás do dólar e inflação

Apesar da queda afinal de 1,97% na cotação do dólar ante o real, para R$ 5,586, que voltou praticamente ao patamar da 4ª feira passada (R$ 5,555), 27 de outubro, quando temia-se que o Copom fosse mais agressivo, podendo adotar alta de até 3 pontos na Selic, como previa a Genial Investimentos, a visão do mercado financeiro, ao ler a ata do Copom - que informa ter cogitado dose mais dura, mas optou pela trajetória intermediária de 1,50 p.p. – é de que o Comitê de Política Monetária do Banco Central não teve ousadia suficiente para adotar uma postura mais agressiva que derrubaria o dólar e ajudaria no combate da inflação em áreas sensíveis ao mercado internacional, como os combustíveis, minérios e os alimentos.

Neste sentido, se o Banco Central demonstrou temor de que uma mexida forte – para cima – nos juros básicos afete a liquidez estrutural de alguns fundos de renda fixa e instituições financeiras, o consenso é de que tão cedo o dólar não volta ao patamar de R$ 5 que seria um poderoso aliado contra pressões inflacionárias. Em outras palavras, em vez de enfrentar, o Banco Central pretende conviver amigavelmente com a inflação para trazê-la a uma faixa mais confortável, sem desajustar a economia, a começar pelo mercado financeiro. Para isso, precisaria ter uma ajuda forte do ministro Paulo Guedes.

A Petrobras quer mostrar serviço na COP26

Enxovalhada, de graça, na reunião do G-20, em conversa paralela do presidente Jair Bolsonaro, que ao ser provocado pelo presidente Erdogan, da Turquia, que puxou o tema da Petrobras (poderia ser futebol, Pelé ou outro tem, de admiração do manda chuva turco em relação ao Brasil), a Petrobras pretende mostrar esta 5ª feira, na COP-26, que está fazendo o dever de casa para mitigar e reduzir as emissões de CO2 nas atividades de exploração e produção de petróleo e gás e nas inúmeras atividades em terra, a começar pelas refinarias.

Ela vai reafirmar a meta de redução das emissões absolutas em 25% até 2030 (tendo por base o ano de 2015). Nos últimos 11 anos, a Petrobras reduziu em 47% as emissões de gases de efeito estufa na produção de cada barril de petróleo, atingindo no primeiro semestre de 2021 uma intensidade de carbono de 15,8 kgCO2e por barril de óleo equivalente – marca que a posiciona entre as empresas líderes na produção de óleo e gás com menos emissões.

A companhia implantou soluções pioneiras, adotou medidas de gestão e desenvolve novas tecnologias para garantir uma produção de óleo e gás no pré-sal da Bacia de Santos com baixas emissões, que será tema de um dos cases apresentados. Entre as principais soluções estão ações para redução da queima de gás em tocha, ganhos de eficiência energética e projetos de captura, uso e armazenamento geológico de CO2 (CCUS), além do próprio perfil dos novos ativos e gestão de portfólio. Assim, o petróleo produzido no pré-sal da Bacia de Santos está entre os de menor intensidade de emissões no mundo. Os dois maiores campos na região, Búzios e Tupi, operam, em média, com cerca de 10 kgCO2e por barril de óleo equivalente produzido.

Onde há problema, Petrobras traz solução

Crise é também oportunidade, dizem os chineses. Erdogan, que mal consegue extrair 50 mil barris-dia no território turco, também pensa parecido e manifestou sincera admiração pela Petrobras, que é a única empresa a alcançar mais de 3 milhões de barris-dia fora das “majors” e das estatais russas e sauditas. Mas só Bolsonaro viu problemas onde há soluções: o presidente não podia dizer que gostaria de congelar os preços dos combustíveis, sobretudo o diesel e o gás de cozinha, como fizeram Lula e Dilma para garantir a reeleição em 2006 e a eleição (2010) e reeleição (2014). Assim, fez discurso enviesado e sem nexo.

Bolsonaro deveria ter orgulho da estatal que produziu no 3º trimestre deste ano, só no pré-sal, mais de 71% da produção total de petróleo e gás do país (2,01 milhões de barris/dia equivalentes de petróleo). Isso poria o pré-sal entre os 12 maiores “países” do mundo, disputando com a Noruega. Em 2020, o Brasil foi o 9º produtor, com 3 milhões de barris-diários em média, superando o Kuwait (2,686 milhões), Noruega (2,001 milhões) e México (1,910 milhões).

Mais do que isto. A Petrobras conseguiu extrair petróleo do pré-sal, a até 7 mil metros abaixo da superfície marítima (a 180-300 km da costa e com até 2 mil metros de lâmina d’água), com o custo de US$ 4,35 por barril, já incluídos os custos de afretamento dos equipamentos. Como o barril está cotado a mais de US$ 80, trata-se de um ganho extraordinário. Era a admiração de Erdogan. Se Bolsonaro conhecesse um pouco de história poderia elogiar a tapeçaria turca.

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