Com ata do Copom, Itaú prevê alta de 1% em agosto

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Ao interpretar a sinalização do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) na divulgação hoje, 22 de junho, da ata da reunião da semana passada que elevou a taxa Selic de 3,50% para 4,25% ao ano, o Itaú considerou que a indicação de “um ritmo mais rápido de normalização monetária (completa, ao invés de parcial) aponta que “para um aumento de 1,0 p.p., que levaria a taxa Selic para 5,25% a.a” na reunião de 3 e 4 de agosto “e o nível de fim de ciclo para 6,5% (com aumentos de 1,00-0,75-0,50 p.p. nas próximas decisões).

Antes, o Departamento de Estudos Econômicos do Itaú BBA, comandado por Mário Mesquita, que foi diretor de Política Monetária do Banco Central e integrante do Copom, esperava que a Selic fechasse 2021 em 6% ao ano e a assim se mantivesse até dezembro de 2022. Haveria um último aumento de 0,75 p.p. em agosto, e duas altas de 0,50 p.p. em setembro (21 e 22) e outubro (26 e 27). Agora, o Itaú espera alta de 1% em agosto para 5,25%, outra alta de 0,75 p.p em setembro e 0,50 p.p. em outubro. O Depec do Bradesco também mudou sua previsão, antecipando para este ano a alta de 6,50% esperada para a Selic em 2022. O Safra também previa taxa de 6,50% este ano antes da ata.

Santander e LCA prevêem Selic em 7% em 2022

Mas o espanhol Santander e a LCA Consultores, embora prevendo 6,50% para a Selic este ano, estimam uma trajetória diferente. Na revisão das projeções do PIB e demais diretrizes da economia para 2021 e 2022, feita dia 18 de junho, o Santander elevou o PIB para 4,85% este ano, mas com crescimento de apenas 1,51% em 2022. Já a inflação, medida pelo IPCA, ficaria em 5,94% este ano e 3,91% em 2022.

Na visão do departamento econômico do Santander, comandada pela ex-secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, a inflação vai acelerar até agosto, em função das pressões da energia elétrica (a inflação em 12 meses que estava em 8,06% em maio, atingiria 8,3% em junho, 8,5% em julho e em agosto, com ligeiro declínio para 8,2% em setembro e encerrando o ano em 5,94%). A taxa voltaria a subir para 6,4% em janeiro. Em função da resistência da inflação, o Copom elevaria para 7,00% ao ano a taxa Selic na 1ª reunião do ano em 1 e 2 de fevereiro, permanecendo a taxa neste nível até o final do ano.

A LCA que previa a Selic em 6,50% este ano e em 2022, já prevê alta da Selic para 7% no 1º trimestre de 2022.

Por que aperto só nos juros?

Na minha opinião, os departamentos econômicos dos principais bancos brasileiros estão interpretando de maneira estreita os recados do Copom sobre a “normalização monetária”. No parágrafo 20 da ata do Copom está dito claramente: “Contudo, uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários”. Na minha visão isso vai além do manejo da taxa Selic.

A baixa acentuada dos juros da Selic na pandemia (declarada oficialmente em 17 de março de 2020) foi precedida, dia 16 de março, por um pacote de medidas de afrouxamento nos recolhimentos compulsórios e exigências de capital e reserva, além de provisões. A taxa Selic estava em 4,25% ao ano em fevereiro e caiu para 3,75% em 18 de março (na 1ª reunião na pandemia), não se deveria entender menções à “normalização monetária” exclusivamente ao nível da Selic, que é decidido pelo Copom a cada 45 dias, segundo calendário previamente divulgado (o de 2022 é conhecido desde 18 de junho).

O Banco Central poderia aumentar o compulsório ou apertar o afrouxamento das regras prudenciais para reduzir o excesso de liquidez bancária. De fato, os bancos não chegaram a transformar em empréstimos às famílias e às empresas (de todos os portes) nem 40% dos recursos liberados nos compulsórios sobre depósitos à vista, a prazo e de poupança. Na minha opinião é esse o recado da frase “uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários.

Índia vê eficácia de 77,8% na Covaxin

A Covaxin, a vacina da Bharat Biotech contra a Covid-19, mostrou eficácia de 77,8% em ensaio conduzido na Índia em 25.800 indivíduos, de acordo com relatórios. A Covaxin é uma das três vacinas que estão sendo usadas no país. A Covishield, do Instituto Sorum, da Índia, e a Sputnik V da Rússia, também foram administrados aos cidadãos indianos até agora.

Mas no Brasil, houve gente no governo que enxergou longe a “eficácia” da Covaxin antes mesmo dos testes aprovados pelas autoridades de saúde pública da Índia e decidiram apressadamente comprar os Insumos Farmacêuticos Ativos do Bharat Biotech com ágio de 100% em relação ao valor unitário de outras vacinas, que já poderiam estar no braço dos brasileiros, como a da Pfizer. A Covaxin só estará disponível no fim do ano.