Bradesco e Itaú preveem PIB murcho em 2021

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Com a lentidão na compra de vacinas pelo governo federal e a explosão dos novos contágios e das mortes pela Covid-19, que levaram governos estaduais e prefeituras a restringir as atividades e a circulação de pessoas, o Itaú, que acertou a previsão de queda de 4,1% em 2020, reviu hoje para baixo as previsões de crescimento do PIB de 2021 (de 4% para 3,8%) e de 2022 (de 2,5% para 1,8%). Em contrapartida, a inflação subiu para 4,7%, de 3,7%.

A relação entre a falta de empenho do governo federal para coordenar as ações de enfrentamento à Covid-19, desde que a pandemia foi declarada há um ano pela OMS, com atitudes negacionistas e contrárias ao isolamento e ao uso de máscaras, além da falta de empenho na compra antecipada de vacinas (enquanto dava prioridade ao “tratamento precoce”, com cloroquina e azitromicina), que puseram o Brasil na liderança de novos contágios e mortes no mundo, se refletem claramente no desempenho da economia.

Copom deve elevar Selic para 2,50/2,75%

As incertezas no campo sanitário se somam às pressões inflacionárias vindas do dólar, cuja taxa para dezembro foi elevada de R$ 5,30 para R$ 5,50 (nível mantido em 2022, contra R$ 5,00 na previsão de fevereiro), e das commodities, a começar pelo petróleo e seus derivados.

Para enfrentar a inflação, que ameaça furar o teto (a meta é de 3,75%, com tolerância de 1,5 ponto percentual – até 5,25%) o Itaú e o Bradesco preveem que o Comitê de Política Monetária do Banco Central vai elevar a taxa Selic em 0,50 p.p. na reunião de 16 e 17 de março e fechar o ano em 5%. Mas há correntes do mercado esperando um choque maior, para 2,75% ao ano.

O Bradesco também prevê um PIB murcho (com alta de apenas 3,6% este ano e 3% em 2022, quando a Selic (4% este ano) iria a 5,25% ao ano.

Brasil cresce menos que grandes economias

A visão oficial otimista de que a economia brasileira teria se saído melhor que boa parte do mundo, com queda de apenas 4,1 no PIB – ver colunas anteriores que mostram queda de 22,7% em dólar – não é corroborada pelas projeções do Departamento Econômico do Itaú.

Na média, a economia mundial encolheu 3,2% em 2020, mas o Itaú prevê alta de 6,9% este ano e de 4,3% em 2022 (números melhore que os do Brasil). A economia americana, após cair 3,5% em 2020, deve crescer 6,7% este ano, impulsionada pela agressiva campanha de vacinação para a normalização das atividades já no 2º semestre, e avançar 4,2% em 2022. O desemprego, que bateu 8,5% em julho, deve cair a 4,0% em 2021 e 3,6% em 2022.

A economia da Zona do Euro encolheu 6,8% em 2020 e, ainda às voltas com a pandemia e com lenta vacinação, cresceria 4,5% este ano e 4,2% em 2022.

A economia da China, que cresceu 2,3% no ano passado, daria um salto de 8,5% este ano e teria expansão de 5% em 2020. O Japão, que teve contração de 4,2% na economia em 2020, cresceria 2,6% este ano e 2,2% em 2022.

País fica para trás até na América Latina

Mas é no comparativo com as principais economias da América Latina que os analistas econômicos do Itaú (presente na Argentina, Chile, Colômbia, Panamá, Paraguai e Uruguai) veem o Brasil mais em desvantagem.

O México teve queda de 8,3% em 2020 e deve crescer 5% este ano e 5% em 2022. A Argentina deve crescer 6%, recuperando parte do tombo de 2020 e avançar 5,5% em 2022. A previsão para o Chile é de 6,5% este ano e em 2022.

A Colômbia, que teve queda de 6,8% em 2020, deve crescer 5% este ano e em 22. Por fim, o Peru, que foi a economia mais atingida, com retração de 11,1% no ano passado, deve crescer 10,7% este ano e no próximo ano.

Mas o peso do Brasil no PIB da América Latina e do Caribe vai fazer a região como um todo crescer apenas 5,5% este ano e 2,2% em 2022.



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