Gasolina leva inflação a 5% neste mês e a 6% em abril

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O Departamento de Estudos Econômicos do Itaú já fez as primeiras projeções dos impactos dos reajustes acumulados em fevereiro nas suas refinarias para a venda aos distribuidores de 15,2% para a gasolina, de 10,2% para óleo diesel e de 5,1% para o gás de bujão (GLP). Para o Itaú haverá impacto de 3 pontos base no IPCA de fevereiro, estimado em 0,69 (a estimativa antes dos reajustes era de 0,47%). Isso elevaria o IPCA em 12 meses dos 4,56% de janeiro para 5%.

Em março, o impacto seria de 8 pontos-base, elevando o índice mensal para 0,41% (foi de 0,07% em 2020), o que elevaria a taxa em 12 meses para 5,4%.

Para abril, o impacto seria de 1 ponto básico, produzindo IPCA de 0,35%. Entretanto, como abril de 2020 (o primeiro mês do mais forte impacto do isolamento da pandemia) houve deflação de 0,31%, o impacto vai ser forte e a taxa em 12 meses tende a superar os 6%.

A escalada do petróleo
É curioso verificar que em abril de 2020, quando o petróleo WTI (o do Texas) para entrega imediata chegou a ser dado com desconto porque ninguém queria estocar um produto sem espaço nos tanques e com perspectivas de baixa, o barril do tipo Brent (Mar do Norte), usado como referência ao petróleo da Petrobras, chegou a ser cotado a US$ 19,33. Com os US$ 63,60 alcançados nesta sexta-feira, 19 de fevereiro, houve aumento de 229%.

Mas essa é uma comparação efêmera. Os preços reagiram no segundo semestre de 2020, especialmente depois da eleição do presidente Biden, que tende a impor mais dificuldades à exploração de “shale gas” nos Estados Unidos, e a aprovação das primeiras vacinas em novembro, os preços deram um salto de quase 10 dólares por barril daquele mês em diante.

Agora, em fevereiro, com a forte nevasca no Texas e outros estados produtores nos EUA houve nova escalada, que pode merecer resposta da OPEP e produtores, com aumento da oferta, quando o mercado se estabilizar.

Em 2021 a alta do barril varia de 24% a 25%. No ano passado, o barril caiu muito, mas o dólar chegou a ficar 42% mais caro no Brasil. Fechou 2020 em alta de 33% e subiu 4,5% este ano.

O dilema da Petrobras
Dentro deste cenário e da diretriz estabelecida ainda no governo Dilma de redução de ativos, que foi aprofundada na gestão de Pedro Parente, no governo Temer, de vender 4 refinarias da estatal, número dobrado na gestão de Roberto Castello Branco, no governo Bolsonaro, para atrair compradores para as refinarias e liberar o mercado à concorrência, a estatal tratou de ajustar a paridade dos preços dos derivados ao mercado internacional.

Quando o petróleo caiu no ano passado, a Petrobras, como outras petroleiras mundo afora, parou de extrair óleo e gás onde os custos estavam incompatíveis com o mercado. A decisão foi vender poços em terra e em águas rasas. E a Petrobras decidiu concentrar a exploração no pré-sal, que tende a passar a responder por mais de 70% da produção, pois seu custo, incluindo fretes das plataformas e equipamentos de exploração, estava abaixo de US$ 10.

Hoje, o barril do tipo Brent para entrega em abril estava cotado a US$ 63,60. A Petrobras incorporou nos dois primeiros meses do ano a escalada de preços internacionais e o dólar.

Período de silêncio
A polêmica em torno dos preços, cuja escalada foi criticada pelo presidente Bolsonaro, que teme nova greve dos caminhoneiros e procura recuperar a sua popularidade (e o reajuste dos combustíveis), pegou particularmente a direção da Petrobras num momento difícil.

A empresa divulga os resultados do quarto trimestre (e do ano de 2020) na próxima quarta-feira, dia 24 de fevereiro. Pela legislação das S.As., a empresa está guardando o “período de silêncio. Não pode se manifestar.

Para piorar, o mandato de Castello Branco vence em 20 de março. Em condições normais, seria reconduzido por mais dois anos. Diante das manifestações de Bolsonaro, de que “alguma coisa vai mudar na Petrobras”, os investidores nos papéis da estatal ficaram à deriva e as ações chegaram a cair mais de 6%. Muita tensão seguirá no ar até o dia 24.

Senador: “erro está no atrelamento de preços”
Depois de promover, há uma semana no Senado, um debate sobre a problemática do petróleo e dos preços dos combustíveis domésticos, o senador Jean Paul Prates (PT-RN), que foi um dos redatores da Lei do Petróleo, no governo FHC, considera que o grande erro foi cometido na gestão Pedro Parente, no governo Temer, com o atrelamento dos preços do mercado interno às cotações internacionais, para atrair compradores para parte de suas refinarias.

Contrário à privatização, pois o país que é virtualmente autosuficiente em petróleo e quase 100% em combustíveis, ele diz ser “absurdo que o Brasil transfira à sua população as cotações dos combustíveis n o mercado de Roterdam (Holanda) e mais o frete, se os combustíveis estão aqui”.

O rabo não pode abanar o cachorro
Para Jean Paul Prates, todos os governos, desde JK, tiveram a sabedoria de sustentar os preços evitando saltos bruscos para a população.

“Só o governo Temer, por imposição de Pedro Parente, orientação que foi ampliada no governo Bolsonaro, abandonou o bom senso. Deixaram o rabo abanar o cachorro”, alfineta.