Para Itaú, Copom já sobe Selic em março

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Ao analisar a Ata da reunião do Copom da semana passada, divulgada hoje pelo Banco Central, na qual foi mantida, por unanimidade a taxa Selic em 2% ao ano, o Departamento de Estudos Econômicos do Itaú (que esperava a retomada do processo de alta só em maio) já considera “possível alta iminente da taxa Selic, de “0,25 p.p. na reunião de março”, que está marcada para os dias 16 e 17 de março.

Para o banco, a “Ata do Copom (...) elimina possíveis dúvidas sobre o senso de urgência das autoridades. Ela mostra que as autoridades consideraram um aumento de juros na reunião, e praticamente se comprometem com uma elevação em março (parágrafos 15-16)”. Isso se deve ao comportamento da inflação desde maio de 2020, quando decidiram que a conjuntura prescrevia “estímulo monetário extraordinariamente elevado”, e à contínua piora no balanço de riscos, principalmente relacionada ao cenário fiscal desafiador”, assinala o relatório do banco.

O Itaú espera agora um aumento de 0,25 p.p. em março, seguido por dois movimentos de 0,50 p.p. e uma alta final de 0,25 p.p., que levaria a taxa Selic para 3,5% (uma normalização parcial) ao final do ano. Conforme indicado na ata, o ritmo de elevação dependerá da evolução da atividade econômica, da inflação e da política fiscal.

Inflação assusta

A alta de 0,78% no IPCA-15 de janeiro (espécie de prévia do índice cheio de janeiro, que será divulgado em 9 de fevereiro pelo IBGE) assustou um pouco o mercado financeiro, que está esperando nível menor no fechamento do mês (0,29%). O Itaú esperava alta de 0,81% no IPCA-15, com alta de 4,33% em 12 meses (4,23% em dezembro).

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito subiram. O maior impacto (0,32 p.p.) veio de Alimentação e bebidas (1,53%), que desacelerou em relação ao resultado de dezembro (2,00%). Na sequência, veio Habitação, com alta de 1,44% e 0,22 p.p. de contribuição. Juntos, os dois grupos responderam por cerca de 69% do índice de janeiro.

A terceira maior variação veio dos itens de Vestuário (0,85%), que apresentaram deflação no mês anterior (-0,44%). Outros destaques foram as altas de Artigos de residência (0,81%) e Saúde e cuidados pessoais (0,66%). Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,01% em Comunicação e a alta de 0,40% em Despesas Pessoais.

Aumentar juros ou Auxílio Emergencial?

O grande dilema da política econômica do governo, diante da persistência da Covid-19, agora com novas mutações de contágio mais rápido, - e da falta de um calendário preciso (por não existência de estoques de vacinas) para ampliar o espectro da vacinação além dos profissionais da saúde e idosos confinados em asilos - é decidir a extensão (em valor e tempo) do Auxílio Emergencial.

Como o vírus não respeitou o ano fiscal, é evidente que o Brasil deve seguir o caminho das nações mais desenvolvidas que estenderam medidas de ampara à economia, sobretudo às famílias e empresas mais atingidas pela perda de renda no isolamento ou controle das atividades, como as áreas de turismo e lazer, no setor de serviços.

Esta foi uma das preocupações expressas pelos membros do Copom: de um lado forte ociosidade da economia e do emprego (que deve piorar neste 1º trimestre). Ampliar por três ou quatro meses o auxílio seria medida razoável, mesmo com manutenção ou pequeno corte em relação ao piso de R$ 300 encerrado em 31 de dezembro.

Por isso, as informações sobre a economia em dezembro que serão conhecidas esta semana serão importantes para a decisão das autoridades. O ministro da Economia, Paulo Guedes, já admitiu: se a média das mortes diárias passar de 1,3 mil pessoas, pode prolongar o AE. A média semanal aponta 55 mil novos contágios diários.

Itaú prevê leve baixa no desemprego

O Itaú prevê que taxa de desemprego de novembro (divulgada na 5ª feira pelo IBGE) fique em 13,9%, com a taxa ajustada sazonalmente caindo para 14,3% (14,5% em outubro). Como já é hábito, para tentar neutralizar o impacto negativo dos dados do IBGE, no mesmo dia o ministério deve divulgar a criação de empregos formais do CAGED de dezembro.

O Itaú está otimista e espera queda de 150 mil vagas com carteira assinada. Dada a queda sazonal em todo o mês de dezembro, a taxa ajustada sazonalmente implicaria a criação de 239 mil vagas. Em novembro houve criação de 390 mil vagas. Vale lembrar que em dezembro de 2019 foram fechadas 307 mil vagas.

Se os números do Itaú forem confirmados, o ano de 2020 fechará com a criação líquida de 77 mil vagas, pois até novembro o saldo era de 227 mil novos empregos criados com carteira assinada.

Em 2019 foram criadas 948 mil vagas. Entretanto, como em abril e junho foram fechadas mais de 1,3 milhões de vagas, vê-se forte recuperação no 2º semestre.

O Itaú espera que “o emprego continue aumentando à frente, em linha com a recuperação contínua da atividade econômica, mas a recuperação da taxa de participação (pessoas da força de trabalho que voltaram a procurar uma colocação) provavelmente evitará que a taxa de desemprego caia significativamente”.

O rombo fiscal de 2020

Em relação às contas fiscais, o balanço do governo central de dezembro será divulgado na 5ª feira. O Itaú espera déficit mensal de R$ 62,7 bilhões, mas na 6ª feira, quando serão publicadas as contas públicas consolidadas de 2020, o banco estima um déficit de R$ 91,9 bilhões no mês, levando o déficit acumulado em 2020 a atingir R$ 743 bilhões, ou 10% do PIB.

Meio Ambiente paga o pato
A informação é do site da Revista Plurale, que está nas bancas. A tesoura dos cortes do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) foi impiedosa com o Ministério do Meio Ambiente. Na repartição das verbas do Orçamento Geral da União, o MMA, ficará com apenas R$ 1,72 bilhão. Esta é a menor verba do ministério neste século (em valores atualizados pelo IPCA, a menor cifra anterior era de R$ 2,9 bilhões).
Com a falta de empenho do ministro Ricardo Salles de cuidar do Meio Ambiente, fica difícil a carta do presidente Jair Bolsonaro propondo colaboração com o governo Biden e a negociação de um acordo de livre comércio com o Tio Sam.
Vai ficar no limbo como o da União Europeia com o Mercosul.

Uma estranha dança das cadeiras
A Comissão de Valores Mobiliários, o xerife do mercado de capitais, tem mesmo que passar a lupara para ver a movimentação das ações e BDRs da Eletrobrás e da BR Distribuidora nas últimas três semanas. Não basta ver o que ocorreu depois de domingo (24 de janeiro), quando Wilson Ferreira anunciou que estava deixando o comando da Eletrobras.

Trocou a presidência da 2ª maior estatal do país pela futura presidência da BR Distribuidora, da qual a Petrobras saiu do controle ao pulverizar as ações nos últimos dois anos.
Um trapezista por mais experiente que seja, não vai fazer uma pirueta dessas sem rede de proteção. Ou seja, o convite para a BR já devia estar rolando desde dezembro.

A CVM devia passar no crivo as relações da BR Distribuidora com a Amazonas energia, a distribuidora que atua em Manaus e usa óleo combustível e gás para a geração de energia , com o monopólio de suprimento da BR (o quadro não mudou após a privatização da distribuidora de combustível).
No balanço do 3º trimestre de 2020, foi encontrado um sobrepreço de mais de R$ 400 milhões nas contas da BR com a empresa de energia, que devia R$ 1,9 bilhão à Eletrobrás.