Alimentos sobem 14,09% no país "celeiro do mundo"

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Puxada pela alta de 36,19% do dólar (a maior desvalorização do real desde 2015, quando subiu 48% no 1º ano do 2º governo Dilma), que pressionou os custos das empresas e estimulou os produtores agrícolas a exportar o máximo da produção, provocando escassez de produtos cujos preços dispararam (o óleo de soja subiu inacreditáveis 103,79%, o arroz aumentou 76,01% e as carnes, que ficaram 17,97% mais caras), mesmo com a maior recessão da história, causada pela Covid-19, o ano de 2020 registrou inflação de 4,52% pelo IPCA. No maior país exportador agrícola, “celeiro do mundo”, os Alimentos subiram 14,09%, recorde desde os 19,47% de 2002.

Além de superar a meta de inflação do Banco Central (3,75%, ficando, porém, abaixo do teto da margem de tolerância – 1,5 pontos percentuais para cima ou para baixo, que seria de 5,25%), as altas de 1,32% no IPCA e de 1,46% no INPC em dezembro, divulgados nesta 3ª feira pelo IBGE, surpreenderam o governo e os departamentos econômicos dos principais bancos. O Itaú esperava alta de 1,24% no IPCA e o Bradesco, de 1,25%. Já o governo esperava alta menor no INPC, que mede as despesas das famílias com renda até cinco salários mínimos.

Salário mínimo terá de subir para R$ 101,95

Nos cálculos do governo feitos na última semana de dezembro, o INPC subiria menos de 1,45% em dezembro, por isso fixou o salário mínimo de 2021 em R$ 1.100 desde 1º de janeiro, com reajuste de 5,26%.

Mas o INPC subiu 1,46% e elevou a inflação de 2020 para 5,45%. Com isso, o salário mínimo, que por lei acompanha o INPC, terá de ser aumentado para R$ 1.101,95. Ou arredondado para R$ 1.102,00.

Esta é a 2ª mudança na previsão do mínimo. Em agosto, quando apresentou ao Congresso a proposta de Orçamento para 2021, o governo previa o SM em R$ 1.088.

Choque de energia

Em dezembro, embora os alimentos continuassem com altas surpreendentes – as carnes subiram 3,58% e tiveram o maior peso nos alimentos dos IPCA, seguido pela nova alta de 4,99% do óleo de soja e de 3,84% no arroz – só o tomate ajudou, com queda de 13,76% - gerando aumento de 1,76% em Alimentos e Bebidas, o grande vilão foi o item Habitação, com alta de 2,88%, principalmente devido ao aumento de 9,34% no item energia elétrica.

É que após 10 meses consecutivos de vigência da bandeira tarifária verde (em que não há cobrança adicional na conta de luz), passou a vigorar em dezembro a bandeira vermelha patamar 2, com acréscimo de R$ 6,243 a cada 100 quilowatts-hora consumidos.

Mas no ano de 2020, a energia elétrica subiu 9,14%, um pouco menos que os 9,24% do gás de botijão (GLP), usado por mais de 80% das donas de casa. Nos dois casos pesou a alta do dólar, que na energia elétrica incide sobre as tarifas de Itaipu (que responde por quase 20% da energia do Sudeste). Os reajustes regionais da energia elétrica são distribuídos ao longo do ano. A maior alta acumulada (bandeira vermelha mais o reajuste anual) foi em Salvador: 16,58%; a menor, em Belém (PA): 2,06%. Em Brasília a alta foi de 5,50%.

Capitais com mais ou menos inflação

Em função do calendário de reajuste de energia elétrica e das contas de água e esgoto, algumas capitais tiveram inflação bem acima da média nacional. Casos da recordista Campo Grande (MS), com alta de 6,85% no IPCA, e de Rio Branco (AC), com aumento de 6,12%. Fortaleza foi a capital do Nordeste com maior inflação: 5,74%.

Em compensação, num comportamento introduzido no governo Dilma, o calendário de reajustes de preços públicos torna a capital federal a que teve a menor inflação no ano passado: 3,40%, bem abaixo dos 4,52% do IPCA nacional. Curitiba, com 3,95%, também ficou abaixo da inflação nacional. O Rio de Janeiro, com 4,09% e São Paulo, com 4,40%, também tiveram inflação abaixo da média nacional pelo IPCA.

No INPC, cuja estrutura tem mais peso dos itens alimentos e bebidas, Campo Grande voltou a liderar as altas no país – 7,96% contra 5,45% da média nacional. Rio Branco (AC) ficou em 2º lugar, com alta de 6,92%. Brasília voltou a ser ilha de tranquilidade, com inflação de apenas 4,22% no INPC. No Rio, o índice foi de 5,08% e em São Paulo superou a média nacional, com 5,55%.

Macaque in the trees
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Itaú revê IPCA de 4,9% em março

Com base no resultado de dezembro e com “as altas recentes nos preços de petróleo e de commodities agrícolas, além da depreciação cambial, o Departamento Econômico do Itaú reviu as projeções de infração para o 1º trimestre de 2021. O Itaú projetamos alta de 0,24% no IPCA de janeiro (0,21% em 2020), 0,41% em fevereiro (0,25% em 2020) e 0,24% em março (0,07% no ano passado). Se o cenário for confirmado, a inflação do IPCA em 12 meses salta de 4,52% em dezembro para 4,89% em março deste ano.

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Alta dos alimentos do Brasil bate recorde

Em apresentação nesta 3ª feira para Executivos do Santander, o presidente do Banco Central apresentou gráfico sobre o custo da inflação dos alimentos no mundo em 2020 até novembro. O Brasil empatou com a Turquia em 21,1% de alta, seguido de 8,8% da Índia. A diferença é que o Brasil é o maior exportador de alimentos do mundo (exporta para a Turquia, China e Índia), mas não consegue garantir comida em conta para sua população.



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