Produção da Petrobras em 2025 era a meta de 2020

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Nada mais interessante para ver como as coisas mudam no Brasil do que acompanhar os diversos Planos de Negócios e Gestão (PNG) quinquenais da Petrobras, a maior empresa brasileira e também a mais endividada em dólar. Devido às desvalorizações do real bem acima das estimativas e às quedas do preço do barril (acentuada este ano com a covid-19), os investimentos encolhem em dólar a cada ano e as metas de produção vão sendo adiadas. A meta de 2025 – 2,7 milhões de barris-dia de petróleo - era para ser atingida este ano. Em comparação à meta de 4,9 milhões de barris-dia fixada para 2020, no PNG de 2011-2015, quando o dólar valia menos que R$ 1,60 – hoje está a R$ 5,336 -, a frustração chega a uma queda de 44,9%.

A pandemia da covid-19 deu um choque de realidade no mercado de petróleo e nos planos da estatal. Comprimiu os preços do barril à vista e a futura e fez o dólar disparar. O resultado do PNG da estatal para o período 2021-2024, apresentado nesta 5ª feira, 26 de novembro, quando o dólar está em R$ 5,336 e o barril do Brent (óleo de referência) está cotado à vista a US$ 48 e só passará dos US$ 50 em junho de 2025 foi que com a produção de 2,7 milhões de barris-dia prevista para 2025 é menor do que a que o PNG de 2016-19 (elaborado em abril de 2015, no governo Dilma, logo após a saída de Graça Foster da presidência da estatal em fevereiro) estipulava para 2020.

De acordo com o PNG de 2016-19, o dólar estaria hoje em R$ 3,56 e o barril na faixa dos US$ 70. Se voltarmos ainda mais no tempo, na gestão de Sérgio Gabrielli, antes da crise financeira global de 2008 derrubar os preços, as diferenças entre as metas e as produções efetivadas são ainda mais gritantes.

Quando se imaginava em meados de 2008 (quando o barril do Brent chegou a ser negociado em julho a US$ 147 (em dezembro caiu abaixo de US$ 40) os PNGs de Gabrielli chegaram a prever que o Brasil produziria 4,9 milhões de barris-dia em petróleo e gás em 2020. Para tanto, no PNG de 2011-2015 seriam investidos no período US$ 224,7 bilhões, sendo US$ 131,6 bilhões em Exploração&Produção. O dólar se multiplicou por quase 4, a cotação do barril encolheu mais de 60% e a produção ficou 45% menor, em números redondos.

Graça Foster corta delírios de Gabrielli

Diante desta dança de premissas, fica até difícil dizer se os investimentos (que são feitos em reais, na maior parte dos casos) encolheram de fato. Como desde a troca de Gabrielli por Graça Foster, em fevereiro de 2012, já no 1º governo Dilma, houve uma correção de rumos (no PNG de 2012-16 Graça Foster faz várias críticas a desvios de metas e atrasos de prazos de execução em obras de refinarias, como Abreu e Lima e Comperj, gasodutos e oleodutos, entrega de navios e plataformas), o processo se renova a cada PNG.

Graça Foster revisou para baixo todas as metas (do refino à E&P). A produção prevista para 2020 foi reduzida para 4,2 bilhões de barris-dia de petróleo. A meta anterior, de Gabrielli para 2020 era de 4,9 milhões de b/dia. Agora, com a queda do barril dos US$ 65 previstos no ano passado, para a faixa inferior a US$ 50 e o dólar saltando os R$ 3,56 para mais de R$ 5, a gestão de Roberto Castello Branco reduziu os investimentos (em dólar) no período 2021-24 de 75,7 bilhões para 55 bilhões (-27%) no PNG 221-25.

Com a proposta de avanço dos desinvestimentos em refinarias e em campos de petróleo em terra, em águas rasas e até em águas profundas da Bacia de Campos, para concentração no pré-sal das Bacias de Santos e de Campos, a fatia a ser investida em Exploração&Produção (US$ 46 bilhões, teve queda ainda maior: de 28% frente aos US$ 64,3 bilhões previstos no PNG de 2020-2024.

Mas a estatal frisou que vai concentrar 84% dos investimentos em E&P, sendo mais de 70% no pré-sal, onde tem baixíssimos custos de produção. Vale lembrar que na previsão de Gabrielli, o pré-sal produziria em 2020 40,5% do petróleo do país e a produção chega a 70%. É verdade que parte do avanço da fatia do pré-sal deriva da venda de outros campos em terra e no mar. A própria Petrobras informou, no comunicado de hoje, que isso corresponde a apenas 600 mil barris-dia de petróleo até 2025. No PNG do ano passado, com esses campos, a produção era projetada em 2,84 milhões de barris por dia para 2020.


Retomada de 68% dos empregos na pandemia

As 394.989 novas contratações líquidas do Caged em outubro, o 4º mês seguido de saldo positivo, com crescimento de 26,8% sobre setembro e 4,5 vezes superior às de outubro do ano passado, surpreenderam as previsões mais otimistas do mercado financeiro (o Departamento de Estudos Econômicos do Itaú previa saldo líquido de 237 mil contratações sobre as dispensas).

Mas as 1.093.968 vagas líquidas criadas nos meses de julho, agosto, setembro e outubro, só correspondem a 68% das 1.600.212 vagas perdidas nos meses de março, abril, maio e junho. Só em abril foram fechados 942 mil postos de trabalho com carteira assinada. Faltam ainda recuperar 566 mil vagas perdidas no auge da pandemia.

Entretanto, como nos dois primeiros meses do ano foram criadas 340.105 vagas líquidas, o ministro da Economia, Paulo Guedes disse que faltam apenas 216 mil vagas para o ano ficar zerado. Em se tratando da recuperação da pandemia, os números são maiores. De qualquer forma, o mercado pode fechar próximo de zero a zero se as vendas da “black friday” animarem os setores de comércio e serviços a contratarem para o Natal. Mas dezembro é sempre mês de queda nas contratações.

Mercado perde 3 milhões de empregos desde 2015

Infelizmente, é sempre bom ter em perspectiva que a tal recuperação em V, no mercado de trabalho é só em relação ao tombo da pandemia.

Na comparação com anos anteriores, o próprio Ministério da Economia aponta que os números atuais de empregados com carteira assinada – 38,638 milhões - está quase 3 milhões abaixo dos 41,568 milhões de outubro de 2014 (quando o mercado de trabalho começou a encolher com a recessão de 2015-16). E quase 600 mil vagas abaixo dos 39,652 milhões de outubro de 2019.

No Estado do Rio de Janeiro a situação é mais grave: lidera as perdas de vagas no país (-166 mil em 2020).

Macaque in the trees
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