Bradesco e Itaú vêm forte expansão no 3º trimestre

Itaú reduz a 4,1% queda do PIB em 2020 e eleva a 4% em 2021

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Itaú e Bradesco, os maiores bancos privados do país viram com otimismo os últimos indicadores de atividade econômica no 3º trimestre e preveem “forte expansão no período, quase compensando a queda do 2º trimestre”, segundo o Departamento Econômico do Bradesco. O Depec lembra que “o comércio varejista cresceu 0,6% entre agosto e setembro e o faturamento do setor de serviços avançou 1,8% no período” e que, “embora defasado em relação aos demais segmentos, o setor de serviços avança de forma mais sólida e espraiada conforme o consumo de bens se acomoda, já em patamares mais elevados”

Para os próximos meses, o Bradesco entende que “o mercado de trabalho seguirá em recuperação, compensando ao menos parte da queda de renda ocasionada pelo fim do auxílio emergencial”. O Itaú pensa semelhante e embora ainda em níveis recordes, as projeções do Itaú para a taxa de desemprego foram reduzidas tanto para 2020 como em 2021. A taxa de desemprego baixou para 15,3% ao final deste ano (de 16,6%), e 15,3% também (de 16,2%) ao final de 2021. Já a inflação sobe para 3,5% este ano e 3,1% em 2021, na visão do Itaú. O Bradesco espera 3,1% e 3,4% para o IPCA, respectivamente, em 2020 e 2021.

Itaú melhora PIB em 2020 e 2021

Estimulado pela divulgação da alta de 1,29% em setembro, frente a agosto, no IBC-BR (o indicador do Banco Central que tenta antecipar o comportamento do Produto Interno Bruto, calculado pelo IBGE), e o crescimento de 9,47% no trimestre julho-agosto-setembro sobre o trimestre anterior, o Itaú lembra que o indicador ainda está 0,8% abaixo do patamar observado no mesmo mês de 2019, mas assinala a “forte recuperação no 3º trimestre de 2020”.

Apesar de a pandemia da covid-19 “ainda permanecer”, com o aumento do número de casos e aperto nas restrições à mobilidade, como vem acontecendo na Europa e agora também nos EUA, colocar em risco a dinâmica de recuperação da economia, em especial no setor de serviços, o Itaú vê sinais de desaceleração na propagação do vírus, e considera que os riscos de 2ª onda parecem contidos, pelo menos por ora, no Brasil. Como a ocupação hospitalar segue controlada, entendemos que ainda é possível continuar a reabertura gradual da economia com relativa segurança”, diz o Itaú.

Por isso, o banco revisou para menos a queda do PIB deste ano (-4,1%, de -4,5% anteriormente). A projeção de crescimento para 2021 aumentou de 3,5% para 4,0%. O Bradesco manteve queda de 4,5% este ano e alta de 3,5% em 2021.

Para a taxa de câmbio, o Itaú manteve a projeção em R$ 5,25 por dólar ao final de 2020, mas revisou de R$ 4,50 para R$ 5,00 por dólar a projeção para o final de 2021. Em função do dólar apreciado e da inflação maior, o Itaú espera “que a taxa básica de juros permaneça inalterada em 2,0% até perto do fim de 2021, quando seria elevada para 3,0% – mas o risco, na ausência de solução satisfatória para o dilema fiscal, é de uma alta antecipada” nos juros.

Dilema fiscal

O Itaú adverte, através de seu Departamento de Estudos Econômicos, que “o risco fiscal, no entanto, permanece elevado, e deve seguir assim especialmente até a aprovação do Orçamento de 2021”.

O banco espera “déficits primários de 11,7% do PIB em 2020 e de 2,5% do PIB em 2021. O primeiro trimestre do ano deve contar com uma redução do auxílio emergencial e gastos dentro do teto. As incertezas em relação ao financiamento de gastos sociais, na ausência de consenso político, englobam cenários de possível flexibilização do regime fiscal.

À medida que o governo reduz e, eventualmente, elimina as transferências extraordinárias de renda para a população feitas este ano, acreditamos que as vendas sensíveis à renda (como supermercados) devem recuar, enquanto as vendas sensíveis ao crédito (móveis e eletrodomésticos, material de construção, veículos) tendem a se sustentar em patamares elevados. Esta desaceleração nas vendas no varejo sensíveis à renda deve se tornar mais clara no final do ano e no início de 2021.

Além disso, uma nova rodada de estímulos fiscais resultante de mais restrições pressionaria ainda mais as contas públicas. Embora ainda bastante incipiente, algumas capitais brasileiras vêm registrando aumento do número de casos e hospitalizações e merecem ser monitoradas.

No exterior, casos de Covid continuam crescendo, mas incertezas arrefecem com eleições americanas e avanços com vacinas. De um lado, conforme diminuem as chances de uma batalha jurídica pelo resultado final da eleição presidencial americana, aumenta a probabilidade de encaminhamento de um novo pacote de estímulo fiscal, provavelmente no ano que vem. De outro, notícias favoráveis sobre desenvolvimento das vacinas ajudaram a reduzir a percepção de risco, sustentando preços de ativos em todo o mundo. Novamente, o avanço da pandemia permanece como risco à medida que a nova rodada de medidas restritivas já tem reduzido os índices de mobilidade na Europa, o que deve afetar o desempenho da economia no 4º trimestre, em especial no setor de serviços", acrescenta a análise do Itaú.

Pandemia nos EUA continua acelerando

O Itaú criou um departamento para acompanhar a pandemia da covid-19 no mundo, dado seu impacto na economia global e adverte que “o número de casos nos Estados Unidos continua crescendo, com o país registrando recordes diários de novas infecções e, consequentemente, elevando o risco de novas restrições à mobilidade no país".
Na Europa, também há preocupação, mas sinais incipientes sugerem estabilização de novos casos em alguns países, como na Alemanha. Vale lembrar que grandes países europeus reintroduziram medidas nacionais de confinamento para conter a propagação do vírus. Embora o número de pessoas hospitalizadas siga aumentando, esperamos que o número de novos casos comece a se estabilizar em meados de novembro.

Esperança nas vacinas

“No entanto, uma vacina bem-sucedida está a caminho, após a candidata da Pfizer apresentar 90% de eficácia. Os laboratórios Pfizer/BioNTech anunciaram que sua vacina apresentou eficácia superior a 90% na prevenção de infecções. Economias desenvolvidas, como EUA, Japão, Reino Unido e União Europeia já firmaram contratos para distribuição de milhões de doses. Há relatos de que o projeto dos dois laboratórios também conta com logística preparada para distribuição, o que é significativo, dado que a vacina precisa ser armazenada à temperatura extremamente baixa (cerca de -70ºC). De acordo com declarações recentes, as empresas poderiam iniciar a distribuição no final de 2020 e produzir mais de 1 bilhão de doses em 2021.

Outras candidatas, como as vacinas produzidas por Moderna, Astrazeneca e Sinovac, também devem apresentar resultados em breve. As duas últimas planejam ampla distribuição em economias em desenvolvimento. Brasil, China e outros países emergentes firmaram contratos com Astrazeneca e Sinovac.

Assim, o Itaú acredita que a distribuição mundial de vacinas em 2021 poria fim à crise da Covid-19, consolidando a recuperação completa da economia.