Jornal do Brasil

Música em Pauta

Música em Pauta

Mariana Camargo

Johann Sebastian BACH

Jornal do Brasil MARIANA CAMARGO*, mcamargo@jb.com.br

É Bach realmente o Einstein da música? Para a maioria dos músicos e dos que gostam de música erudita: Sim.

Entre muitos depoimentos sobre Bach, estão os de alguns outros grandes compositores. Mahler: “Em Bach, todas as células vitais da música estão unidas como o mundo está em Deus; nunca houve polifonia maior que essa!”. Schubert: “Bach fez tudo completamente, ele era um homem de ponta a ponta”. Wagner: “O milagre mais estupendo de toda a música”. Schoenberg: “JS Bach foi autorizado a escrever músicas de um tipo que, em seus valores reais, somente um expert é capaz de compreender. No auge da arte contrapontística, é com ele que algo totalmente novo começa simultaneamente – a arte do desenvolvimento através da variação motívica”.

Macaque in the trees
Bach (Foto: Reprodução)

A música do compositor barroco não só resumiu tudo que já tinha sido feito antes como também abriu novos horizontes para todos os compositores que vieram depois dele. Bach, que era virtuoso organista em igrejas que frequentou e trabalhou durante sua vida, foi guiado por sua fé para escrever uma quantidade enorme de músicas sacras, incluindo mais de 200 cantatas e oratórios. Bach quase me convence a ser cristã.

 Abaixo, segue uma lista de algumas gravações que dão uma ideia do porquê o compositor é considerado o gênio da música. Detalhe: se você ainda não é fã de Bach, insista, pois apesar de algumas obras populares, outras exigem uma atenção extra para serem apreciadas. O compositor tinha a mente de um matemático e engenheiro, deve-se olhar para além da beleza do edifício e enxergar o que foi necessário para erguê-lo.

Cantata BWV 147 – Nikolaus Harnoncourt

Concertos de Brandenburg – Trevo Pinnock, European Brandenburg Ensemble

Tocata e Fuga em Ré menor, BWV 565

Tocata Dó menor, BWV 911 – Marta Argerich

Suíte Inglesa em Sol menor, BWV 808 – Pierre Hantï

Concerto Italiano em Fá maior, BWV 971 – Alicia de Larrocha

Fuga em Lá menor, nº 20, BWV 865 – Ewa Poblocka

A Arte da Fuga, BWV 1080 – Pierre-Lauren Aimard

Suítes nº 1 em Sol maior para cello – Yo-Yo Ma

Missa em Si menor, BWV 232 – Harry Bicket

O Cravo Bem Temperado – Glenn Gould

Variações Goldberg, BWV 988, Aria – Murray Perahia

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O P I N I Ã O

Uma pena que a Sala Cecília Meireles não estivesse lotada, pois foi um concerto que beirou a perfeição. O sexteto para cordas “Souvenir de Florence”, Tchaikovsky, apresentado na última quinta-feira, foi um daqueles momentos em que se pensa: esses músicos não são humanos. O primeiro violinista Shmuel Ashkenasi (do Quarteto Vermeer) magnetizou a plateia com seu fraseado lapidado, em que as frases musicais eram encadeadas dando coerência a cada nota e a cada harmonia. E com que facilidade parecia tocar! O arco de seu violino dançava com Tchaikovsky. Não menos brilhante estavam os outros cinco músicos no sexteto: Daniel Dalikov, segundo violino, Katharina Kang e Daniel Guedes nas violas. Sim, Guedes toca viola também! Mais os violoncelistas Mark Kosower e Gabriel Vasco, que pareciam estar tocando juntos há décadas, tamanho o equilíbrio de sonoridade entre eles. Ainda na mesma noite, Guedes e John McGrosso tocaram belissimamente a “ Sonata para dois violinos” de Prokofiev, encerrando o concerto com a “Sinfonia Concertante para violino e viola”, de Mozart, com a Orquestra de Câmara de Barra Mansa, sob a regência de Guedes, com Shmuel Ashkenasi e Katharina Kang. Música do mais alto nível e bem ali na Sala Cecília Meireles.

Macaque in the trees
Shmuel Ashkenasi, Daniel Dalikov, Gabriel Vasco Mark Kosower, Danie Guedes e Katharina Kang (Foto: Laura Carvalho)