Jornal do Brasil

Música em Pauta

Música em Pauta

Mariana Camargo

Ian Krouse

Jornal do Brasil MARIANA CAMARGO, mcamargo@jb.com.br

Numa lista recente, a Gramophone, revista inglesa especializada em música clássica, citou como os dez compositores americanos top: John Adams, Samuel Barber, Leonard Bernstein, John Cage, Aaron Copland, George Gershwin, Philip Glass, Charles Ives, Steve Reich e Eric Whitacre. A lista é sem dúvida bacana, porém muito óbvia, com os nomes dos mais famosos e não reflete necessariamente os melhores. Seria de imaginar que um país como os Estados Unidos tenha milhões de compositores, e têm. Alguns absolutamente espetaculares e de quem nunca ouvimos falar, seja de séculos passados ou da atualidade.

Então vou escrever um pouco sobre um compositor, que quem não conhece, vai adorar conhecer! Ian Krouse. Nascido em 1956 no estado de Maryland, tornou-se inicialmente conhecido por suas composições para violão clássico, tendo sido pioneiro em compor para quarteto de violões, incluindo o “Quartet nº5 Labyrinth” (sobre um tema do Led Zeppelin). Krouse tem completo domínio da arte de compor, o que o permite passear com seu estilo único pelas mais variadas formas, sejam sinfonias, quartetos, canções, óperas etc. Uma de minhas peças preferidas é a “Rapsódia para violino e orquestra”, de 1991, em que o compositor já mostrava sua exuberância em harmonias ricas para ressaltar tensões e delicadezas.

Perguntado como descreveria sua música, Krouse reponde: “Desde o início procurei expressar beleza – nem sempre algo exatamente “bonito”, mas beleza em suas muitas e variadas formas. E, no entanto, não me contentei em simplesmente repetir o que os outros fizeram, mas procurei falar com uma voz pessoal e original. Sou muito interessado em conectar-me às nossas grandes tradições – tanto clássicas quanto folclóricas”.

Macaque in the trees
Ian Krouse (Foto: Reprodução)

Entre suas peças recentes estão as comissionadas pela Lark Musical Society, baseadas em textos armênios: “Noturnes” sobre poemas de Matzarents, Mahari e Terian, para barítono e quinteto; e o “Armenian Requiem”, encomendado para lembrar os 100 anos do genocídio armênio. A grandiosidade deste Réquiem, baseado na liturgia armênia, pôde ser vista em sua estreia de 2015, em Los Angeles, com uma partitura que requer uma força orquestral digna de dar inveja a Mahler: quatro cantores, quarteto para cordas, órgão, instrumentos armênios, coro de crianças, coro e orquestra. O álbum foi lançado pela “Naxos” em março de 2019 e pode também ser adquirido em várias plataformas. Mais informações sobre o compositor podem ser encontradas em sua página https://www.iankrouse.com/.

Macaque in the trees
O recém lançado álbum Armenian Requien (Foto: Reprodução)

 

 

NOTAS e ACORDES

Esta semana começa um evento muito interessante para compositores, produtores e quem mais esteja interessado na produção de trilhas sonoras para cinema, games, etc., o Hollywood Audio Summit, que acontece em São Paulo nos dias 19 e 20 de julho e no Rio de Janeiro em 26 e 27 de julho. O evento reunirá palestras, aulas e mesas redondas com profissionais estrangeiros e brasileiros, como Norman Ludwin, Antonio Teoli, Tim Rescala, Gustavo Kurlat, Guta Roim, André Abujamra entre outros.