Jornal do Brasil

Música em Pauta

Música em Pauta

Mariana Camargo

Quarteto da Guanabara

Jornal do Brasil

Saudades do Rio de Janeiro/Guanabara e de uma baía limpa que nem conheci. Mas tem o Quarteto da Guanabara, um dos mais antigos do Brasil, atualmente formado por Daniel Guedes e Ramon Feitosa (violinos), Daniel Albuquerque (viola) e Marcio Malard (violoncelo), e que fará apresentação nesta sexta-feira, às 20h na Sala Cecília Meireles. Em coluna recente, Quartetos, falei sobre o interesse dos compositores a partir do século XVIII em escrever especialmente para esta formação, sendo Haydn considerado um dos precursores deste gênero, tendo escrito 68 quartetos para cordas! No programa desta sexta-feira serão três: Quarteto op.76 nº 3 “Imperador”, de Haydn; Quarteto de cordas nº 1, de Villa-Lobos e o famoso Quarteto de cordas nº 14 “A morte e a donzela”, de Schubert.

Macaque in the trees
Quarteto da Guanabara (Foto: Daniel Ebendinger)

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Franz Schubert (Foto: Reprodução)

Schubert morreu aos 31 anos e mesmo assim deixou uma obra enorme, cerca de 1.500 peças que incluem sete sinfonias completas, 20 quartetos para cordas, vários quintetos, trios, duos e muitos lieder (música para piano e voz). O quarteto “A morte e a donzela”, escrito pelo compositor já muito doente, quatro anos antes de sua morte, inicia com um violento uníssono de afirmação e durante todo o primeiro movimento é pura tensão e angústia, chegando calmo ao final, quase exaurido. O segundo movimento inspirado no lied de mesmo nome, composto em 1817, deixa clara a intenção de retornar ao tema original da canção com um texto relacionado à morte. O terceiro movimento é o menos angustiante, mais jocoso ao tratar a dramaticidade, que, no entanto, permeia os quatro movimentos, mostrando um compositor inspiradíssimo e atormentado pelo rondar da morte.

NOTAS e ACORDES

SomaRumor: Encontro Latino-Americano de Arte Sonora, que acontecerá entre os dias 26 e 30 de junho, reúne artistas e pesquisadores de diferentes países em uma programação que inclui seminários, oficinas, exposições e homenagens aos artistas Guilherme Vaz e Vania Dantas Leite.

Giuliano Obici, artista sonoro que está na curadoria do evento, conta: “O objetivo do Encontro é constituir um espaço de diálogo expandido entre as artes. SomaRumor propõe um conjunto de atividades voltadas para reflexão, formação e fruição visando estabelecer pontes com a produção local e global da arte sonora”.

Música em Pauta: Você já participou de outros eventos como este?

Giuliano Obici: Sim, tive a oportunidade de apresentar trabalhos em festivais, conferências e galerias na América Latina, nos EUA e na Europa. Me impressiona a consistência e relevância que existe em torno da arte sonora latino-americana além do seu protagonismo. Um exemplo é o Festival Tsonami, que existe há mais de 12 anos em Valparaiso no Chile, com papel significante no contexto mundial. Outra característica marcante é a existência, em alguns países latinos, de cursos instituídos no contexto acadêmico, voltados exclusivamente para arte sonora, que por diferentes razões, não se configurou ainda no Brasil.

Música em Pauta: Qual o público-alvo para este evento?

Giuliano Obici: São todos os interessados em pensar com todos os sentidos, porque a arte sonora pode soar, pode não soar, pode revelar com os ouvidos ou com o corpo todo, com a imagem e com o imaginário, com a palavra e não palavra, com ou sem silêncio.

O encontro é aberto àqueles interessados em experimentar o sonoro num sentido ampliado e o público acaba por ser de leigos e amantes de arte, artistas e pesquisadores, curiosos e simpatizantes pelo estado atual do mundo e que se interessam pelo experimentalismo de maneira geral.

Informações sobre o evento no endereço: http://www.artes.uff.br/somarumor/