Semana do Cravo

Um programa especial acontece a partir de segunda-feira (29): a Semana do Cravo. O cravista Marcelo Fagerlande, criador do evento, organiza na UFRJ uma programação intensa dedicada ao instrumento, que inclui concertos e mesas-redondas. O evento contará com a participação de vários cravistas. Os recitais abrangerão estilos variados, desde obras tradicionais do Século XVII e XVIII até composições do século XX. Nas mesas-redondas, serão discutidos temas como o cravo brasileiro nos séculos XX e XXI e os 350 anos do nascimento de François Couperin.

A origem do cravo não é bem precisa, há referências de escrita para o instrumento já no final da Idade Média, mas foi a partir do século XVI que compositores começaram a escrever especificamente para ele, chegando ao seu apogeu quando os maiores nomes do período Barroco, Bach, Handel e Scarlatti dedicaram uma infinidade de peças ao instrumento. No entanto, com a invenção do piano por volta de 1700, o cravo caiu em desuso, voltando a despertar interesse dos compositores no século XX, com Poulenc, Ligeti, Philip Glass, entre muitos que trouxeram o cravo para uma linguagem contemporânea.

Conheci Fagerlande quando tínhamos 9 anos, estudávamos piano com a mesma professora e Marcelo se sobressaía como talentosíssimo pianista. Na adolescência, depois de juntos termos tido algumas aulas de harmonia, nos perdemos de vista. Fiquei sabendo que tinha ido estudar na Alemanha. Voltei a ouvir falar dele décadas mais tarde, quando, para minha surpresa, não era mais pianista, mas tinha se tornado um dos maiores cravistas brasileiros. Fagerlande é um músico completo. Onde coloca o dedo, sai arte da melhor qualidade. Lembro-me ainda hoje da ópera “Orfeu”, de Monteverdi, a que fui assistir na Sala Cecília Meireles no final dos anos 90, montada por Fargelande, que era diretor musical, regente e tocava o cravo. A Sala lotada derramou-se em aplausos ao fim da apresentação. Perdemos-nos de vista novamente e agora o reencontrei graças à Semana do Cravo, projeto ao qual se dedica para mostrar a beleza do instrumento e trazer conhecimento musical ao público.

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Marcelo Fagerlande, idealizador da Semana do Cravo (Foto: divulgação)

MC: Geralmente os cravistas começam seus estudos pelo piano. Sei que é o seu caso, mas quão comum é ter o cravo como primeiro instrumento?

Marcelo Fagerlande: Nos anos 70, quando comecei a tocar cravo, não era comum começar pelo instrumento, mas pelo piano. Aliás, acho que fui uma exceção para padrões brasileiros, pois já tinha um cravo em casa aos 12 anos de idade! Na Europa os cravistas da minha geração já começam com cravo. Hoje em dia a situação no Brasil mudou bastante. Já tive vários alunos que começaram direto com o cravo.

MC: Entre os compositores modernos que escreveram especificamente para o cravo, quais você mais admira?

MF: Adoro o concerto de Manuel de Falla. Dos brasileiros gosto da sonata de Osvaldo Lacerda e das obras de Almeida Prado. Gravei uma peça de Edino Krieger com orquestra de câmara e uma solo de Marisa Rezende, muito boa.

MC: Tudo indica que esses dias de Cravo serão um sucesso...

MF: Assim espero. Estou feliz de estar realizando pelo 15º ano consecutivo a Semana do Cravo, um momento único em que cravistas de todo o Brasil, profissionais e estudantes, se reúnem em torno do instrumento.

A programação completa pode ser encontrada

em: www.promus.musica.ufrj.br

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