Panetone permanente

Na gestão pública, muitas vezes o problema costuma estar nos detalhes. E a nova secretária de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Fabiana Bentes, teve clara noção disso em menos de um mês à frente da pasta. Essa semana ela viu sobre sua mesa um pedido de renovação de contrato de R$ 35 mil para alimentação por um ano de 50 crianças portadoras de deficiências da rede estadual.

Aparentemente tudo bem, mas aí Fabiana resolveu dar uma olhada na lista de compras e se surpreendeu. Entre os itens estavam litros e litros de Coca-Cola e Fanta, 45 quilos de mortadela, 3.600 unidades de polenguinho e uma quantidade não determinada de panetones. “Sou mãe e é evidente que uma dieta à base de refrigerantes, polenguinho e mortadela não é recomendável para nenhuma criança”, diz Fabiana.

“Fora que não entendi a necessidade de comprar panetones fora do Natal”, que exigiu de pronto uma justificativa técnica. O contrato, naturalmente, não foi assinado e a nutricionista responsável responderá a uma auditoria. Fabiana quer agora passar um pente fino em todos os outros contratos vinculados a sua pasta. Ela está convencida que é nesses pequenos detalhes que se esvai boa parte da capacidade de realização do estado. Força. guerreira.

Chapa fracassada

O deputado Rodrigo Amorim, da ala heavy metal do PSL, pôs na conta do Partido Novo o fracasso na tentativa de construir uma chapa alternativa ao petista André Ceciliano na Assembleia. O problema foi a cabeça de chapa que o Novo, com dois deputados, quis impor aos 12 do PSL. “O Novo entrou no ônibus agora, quis sentar na janela e até tomar o lugar do motorista”, afirmou o parlamentar.

Revolta das laranjas

A segurança da Assembleia recolheu exatas 26 laranjas que militantes do MBL levaram para as galerias (confira vídeo exclusivo no site do JB). Eduardo Camões, um dos líderes da ação, disse que ninguém ia jogar laranjas nos deputados, apenas levantá-las na hora da votação. Tão tá. Cada uma delas trazia o nome do deputado André Ceciliano.

Aliás e a propósito

Ninguém entendeu a escolha das laranjas como o símbolo do protesto do MBL. A fruta, afinal, está hoje mais associada a Flavio Bolsonaro do que ao PT. Por que não um tomate?

The Flash

Rápido no gatilho, o deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha foi ontem o primeiro a protocolar um pedido de CPI na nova legislatura. A secretaria abriu às 14h e exatos seis minutos depois o tucano saiu de lá com o carimbo registrando a entrada em um pedido de investigações sobre as origens e consequências da crise fiscal enfrentada pelo estado.

Vesti azul

Nestas duas primeiras sessões do ano, o deputado Alexandre Knoploch se destacou no plenário. Não por algum pronunciamento específico, mas pelo vistoso quipá azul que enverga. “Sou judeu, e deus está acima de mim a todo o momento”, explicou.

Estrela solitária

Nem tudo são más notícias para o Botafogo. A eleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara é o primeiro tricampeonato conquistado por um alvinegro desde 1934. Essas coisas, a imprensa não vê.

Alô Garatucaia

No fim das contas o que importa mesmo é o recado do samba deste ano do Bloco do Bomba, que anima o Carnaval de rua em Angra dos Reis: “Se é rosa ou se é azul/lobisomem ou jacaré/homem com homem, mulher com mulher/no Bloco do Bomba só não samba quem não quer”.

Lance Livre

Juliana Fiurza contará a experiência do cineasta Orson Welles no Brasil, no tour “Revelando o Rio de Orson Welles”, dias 6, 14 e 26, as 17h, partindo do Museu de Arte do Rio.