SPFW53: dois destaques de edição (ainda) híbrida

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Marcelo Soubhia/ @agfotosite/divulgação
Credit...Marcelo Soubhia/ @agfotosite/divulgação

Vamos voltando aos desfiles com salas cheias, conceitos renovados, celebridades circulando ou desfilando. Depois do Dragão Fashion Festival em Fortaleza foi a vez da 53ª edição da São Paulo Fashion Week, desta vez distribuída em várias locações para as apresentações presenciais e ainda com versões fashion film.

O lema In-Pacto, trouxe nomes novos e o prestígio dos tradicionais, como Reinaldo Lourenço, Gloria Coelho, Lino Villaventura. E há destaques, como a coleção preta do João Pimenta ou a celebração dos 10 anos da Handred, ambas marcas predominantemente masculinas, com interferências femininas.

 

Macaque in the trees
Blazer em branco e tons de vermelho, na Handred (Foto: divulgação)

 

 

Macaque in the trees
Estampa vulcão no look com chapéu oversized (Foto: divulgação)

A Handred celebrou 10 anos. Liderada por André Namitala, começou entre os novos nos desfiles do Veste Rio, abriu loja em Ipanema e voou para as apresentações em São Paulo. Ou melhor, para o fashion film que mostrou a coleção Atelier, uma homenagem às funcionárias que tornam realidade as ideias do autor. O vídeo com styling do Felipe Veloso mostra as cores em torno dos vermelhos e brancos, os chapéus oversized da Claudia Taylor, as estampas vulcão e treliça, as calças mais largas. Como é proposta de inverno, além das sedas e linhos, há veludos e lãs cashmere, ainda mantendo o jeito praiano prometido pelo André.

 

 

Macaque in the trees
Separadas, as peças de alfaiataria e rendas dão vontade de usar neste inverno (Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite/divulgação)

 

Já o Pimenta impressionou pela coerência dos looks pretos, parecendo uma representação dos tempos difíceis que vivemos. Do ponto de vista da moda, de todas as coleções que vi deste talentoso criador, esta foi a que me pareceu mais comercial, apesar da montagem ousada de alguns looks. Texturas transparentes arejam os conjuntos de calças estreitas e casacos mais pesados. Roupa que dá vontade de usar, assinada por um nome de prestígio, este é um dos segredos do sucesso na moda atual.

Não falo de modelos ucranianas que não puderam desfilar por falta de visto de trabalho, do simpático Scooby circulando, das eventuais celebridades na fila A, são histórias acessíveis em muitos canais. O evento deu a impressão de ser decidido em cima da hora, as prévias chegavam tardias. É uma fase de passagem, de sair das telas para as salas. Tomara que a plateia, devidamente mascarada contra a covid, volte a disputar seus lugares nas salas de desfiles. Porque, gente, me desculpem o comentário, mas os vídeos precisam ser mais objetivos. A moda é arte, mas deve ser bem vista. Um filme esconde as peças, perde a função de mostrar as novas ideias. Os que vi, foram fechados no meio do caminho. Em tempo: não fui à SPFW.

De qualquer forma, segui a Handred até o final do vídeo, e notei que todas as costureiras, acabadoras, modelistas e até as passadeiras de loja foram citadas nos créditos. Uma bela homenagem, digna do nome Atelier da coleção.

 



Alfaiataria quase saia com blusa rendada, por João Pimenta
Blazer em branco e tons de vermelho, na Handred
Estampa vulcão no look com chapéu oversized
Separadas, as peças de alfaiataria e rendas dão vontade de usar neste inverno


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