Recital em Melbourne

A maior atuação esportiva do final de semana não aconteceu num campo de futebol, basquete ou vôlei – para ficarmos apenas nos esportes mais badalados por aqui. O grande destaque esportivo do sábado e domingo veio da quadra central de Melbourne, onde o sérvio Novak Djokovic conquistou o seu sétimo título do Aberto da Austrália.

O mais espetacular, entretanto, nem foi a inédita conquista, que fez dele o maior campeão do torneio na história (superando o suíço Roger Federer e o australiano Roy Emerson, ambos com seis taças). O extraordinário foi como, na grande final, Nole fez gato e sapato de seu arquirrival, o espanhol Rafael Nadal, transformando aquele duelo, que se esperava duríssimo, num autêntico solo. Um recital de luxo do atual número 1 do mundo.

Curiosamente, durante as duas semanas do torneio, enquanto Djokovic chegou a demonstrar certa irregularidade, nas vitórias sobre o canadense Denis Shapovalov e o russo Danili Medvedev, Nadal passou por cima de todos os adversários, como um trator, sem ceder um set sequer.

– Ele mudou o saque e seu serviço ficou muito mais efetivo. Passou a jogar dentro da quadra, atacando o tempo todo e não deixa o adversário nem respirar. É o jogador que mais novidades apresenta em seu jogo neste ano – disparavam os comentaristas, em sua maioria ex-tenistas, principalmente depois que o espanhol despachou categoricamente o jovem grego Stefanos Tsitsipas, que havia eliminado Federer.

Foi assim que, embora na semifinal contra o francês Lucas Pouille, Djokovic também tivesse conseguido uma vitória incontestável, com uma atuação impressionante, o Miúra pisou a quadra Rod Laver como o grande favorito dos “entendidos”. Fazia sentido, pelo que os finalistas vinham jogando até então. Só que, há hora H...

Nole entrou disposto a dominar todos os pontos e, com um índice baixíssimo de erros não forçados, simplesmente, afogou Rafa do outro lado da quadra. O saque de Nadal mudou pra melhor? Não diante das devoluções infernais de Djoko, elogiado durante a transmissão americana pelo genial John McEnroe como “o melhor devolvedor da história do tênis”. Isso vindo de alguém que enfrentou Jimmy Connors e Andre Agassi (dois mestres no quesito) dá bem a medida do que foram as devoluções do sérvio.

Mas se recebendo, Djokovic brilhou intensamente, servindo se mostrou ainda mais absoluto. Em três sets, permitiu apenas um break-point a Nadal, que não conseguiu aproveitá-lo e acabou tomando a maior surra que já levou numa final de Grand Slam.

A grande expectativa no circuito, agora, é por uma possível revanche entre ambos na final de Roland Garros, onde o espanhol é praticamente imbatível e já derrotou o adversário em duas finais (2012 e 2014), três semis (2007, 2008 e 2013) e uma quarta de final (2006, na primeira vez em que se enfrentaram como profissionais).

Na última vez que lá se cruzaram na Phillippe Chatrier, entretanto, deu Nole: 7/5, 6/3 e 6/1, nas quartas de final de 2015.

Paris vai tremer este ano...