Debandada à vista no Flu

É caótica a situação do mais aristocrático clube do Rio, o Fluminense. Com a tradicional sede das Laranjeiras imunda e a piscina sem manutenção, por atraso nos pagamentos dos serviços de limpeza, o departamento de futebol vive autêntico caos, com salários dos jogadores atrasados, na carteira e nos direitos de imagem, o que permite que saiam quando bem quiserem.

Há pelo menos quatro deles que confessam, nos bastidores, só estar esperando o final da participação na Sul-Americana e a fuga matemática do rebaixamento. A partir daí, estão decididos a procurar outro destino e a tendência é de uma debandada geral, pois só mesmo quem não tiver para onde ir, aceitará ficar num clube que vive situação financeira tão precária e sem a menor perspectiva de solução.

Desde os tempos da Unimed, quem conhece os meandros do tricolor temia o dia em que tal patrocínio acabasse. Terminou em 2014, quando Peter Siemsen era o presidente e, bem ou mal, conseguiu, durante os seus últimos dois anos de gestão, manter o clube em razoáveis condições de equilíbrio e funcionamento. Seu sucessor Pedro Abad, porém, não teve a mesma sorte nem competência. Desde que assumiu, há dois anos, o Flu só faz descer a ladeira em termos econômicos e esportivos.

Os últimos títulos importantes datam de 2012 (estadual e brasileiro), ainda sob o patrocínio da Unimed. Em 2016, ganhou a Primeira Liga, competição que teve apenas duas edições e nunca decolou no calendário.

Xerém é a sua única fonte de renda razoável, mas nem mesmo a venda ininterrupta de seus melhores valores, casos de Wendel, Gerson, Douglas, Kenedy, Marlon, Fabinho, Wellington Nem e, mais recentemente, a joia João Pedro, tem sido capaz de equilibrar a equação receitas x despesas.

Pedro e Ayrton Lucas deverão ser os próximos a sair. Resta saber se vendidos ou simplesmente liberados, por lei, por falta de pagamento, como aconteceu com Gustavo Scarpa. Triste sina tricolor.

Em meio a tudo isso, o time vai a campo hoje, no Allianz Parque, enfrentar o líder e virtual campeão Palmeiras... Seja o que Deus quiser.

Drama em São Januário

Um único pontinho separa o Vasco do Z-4. A improvável vitória da Chapecoense sobre o Santos incendiou de vez a luta contra o rebaixamento e obriga o time de Alberto Valentim a derrotar o Atlético Paranaense, hoje em São Januário. Caso contrário, são enormes as possibilidades de que acabe entre os quatro últimos ao final da rodada. Nas semifinais da Sul-Americana (venceu o jogo de ida, contra o Flu, por 2 a 0) e sétimo colocado no Brasileiro, a um ponto do Atlético Mineiro, o sexto, o Furacão atravesse ótima fase e luta por sua primeira vitória como visitante.

Osso duríssimo de roer para o Gigante da Colina. E os jogos que faltam são todos de lascar: Corinthians (fora), São Paulo (em casa), Palmeiras (c) e Ceará (f). O Fantasma do Rebaixamento voltou a rondar perigosamente a Colina histórica. Pela quarta vez, em 11 anos.

Curiosidade

Estou muito curioso para ver o Flamengo, sem Lucas Paquetá, contra o Santos. Desde que foi vendido, na absurda negociação com o Milan, em plena reta final do Brasileiro, o até então melhor jogador rubro-negro na temporada desapareceu em campo. Um risco mais do que previsível para quem conhece o futebol. Não é o caso de Eduardo Bandeira de Mello e seus pares, que acharam estar fazendo um grande negócio.

Sem Paquetá, Arão e Renê (todos suspensos), Dorival deve ser obrigado a escalar Pará na esquerda (meu Deus!) e parece preferir Rômulo no meio-campo. Eu escalaria Piris da Motta, ao lado de Cuéllar, mas creio que o ex-volante do Vasco é o típico “leão de treino”, pois impressiona todos os treinadores, embora, quando escalado, não jogue “néris de pitibiriba”. É mais uma das várias contratações desastrosas da era Bandeira.

O Flamengo precisa muito dos três pontos, pois já tem Grêmio e São Paulo em seus calcanhares, brigando pelas vagas diretas na Libertadores. Os dois se enfrentam na rodada e o empate, naturalmente, é o resultado dos sonhos para os rubro-negros. Mas é preciso também vencer o Santos – que vem de um surpreendente fiasco contra a Chapecoense, no Pacaembu.

Jogo difícil para o Fla.

Jogo de seis pontos

A vitória da Chapecoense sobre o Santos elevou o sarrafo na luta contra o rebaixamento e, por isso, o Botafogo, que a enfrentará amanhã, lá na Arena Condá, deve encarar tal confronto como o famoso “jogo de seis pontos”. Se vencer, o Glorioso abrirá sete pontos para o primeiro do Z-4 (a própria Chape) e estará, virtualmente, salvo. Mas se perder, o pesadelo estará de volta. O empate, que levaria o alvinegro carioca a 42 pontos, não é um mau resultado. O time de Zé Ricardo vem crescendo (ganhou as duas últimas partidas) e se encheu de moral ao bater o Flamengo. Uma derrota pode jogar um balde de água fria nessa reação.

Indiferença inglesa

A seleção brasileira desembarcou em Londres praticamente incógnita. Os ingleses não estão nem aí para Neymar ou para a seleção de Tite. Cá entre nós, o sentimento por aqui não é muito diferente... A ressaca por causa do fiasco na Copa da Rússia é grande e estes amistosos caça-níqueis não empolgam ninguém.