Jornal do Brasil

Futebol & Cia

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Renato Mauricio Prado

O renascimento de Neymar

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Pela primeira vez, desde a malfadada Copa da Rússia, Neymar encheu os olhos de torcedores e analistas. Ele teve uma atuação irretocável na goleada do Paris Saint-Germain sobre o Estrela Vermelha, no Parc des Princes, pela segunda rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões. O adversário era o mais fraco da chave, é verdade. Mas o camisa dez usou e abusou das jogadas de classe e, além dos três gols (dois em cobranças perfeitas de falta), comandou as tramas mais importantes do ataque francês, inclusive no seu outro gol e no de Mbappé, com quem fez várias tabelas durante a partida, formando uma dupla que esbanja talento e começa a se entender às mil maravilhas.

O melhor de tudo, porém, tem sido a sua atitude em campo. Provando que enfim caiu a ficha do mico monstruoso que pagou no último Mundial, com tantas simulações, quedas cinematográficas e arrancos de cachorro atropelado, a cada vez que era tocado, Neymar praticamente não cai mais e, quando isso acontece, por ter sido de fato derrubado por um adversário, levanta-se imediatamente, sem drama, nem cinema. Foi assim nos seus dois gols de falta, ontem, ambas cometidas sobre ele.

Atuando mais centralizado, como os meia-esquerdas do passado, ele passou a comandar o PSG pelo centro do campo como um maestro. Foram várias as boas jogadas que saíram de seus pés, ontem, em passes e lançamentos perfeitos para Mbappé, Cavani, Di María e Rabiot. O artilheiro egoísta de antes, quem diria, passou a se mostrar um altruísta. Isso sem perder o faro e a gana do gol. Mas agora se existe um companheiro mais bem colocado, o passe tem sido feito com generosidade, em prol do que é melhor para o time. Perfeito.

Ao que parece – para o bem do PSG, da seleção brasileira e do próprio futebol -, Neymar resolveu enterrar, juntas, as simulações, as permanentes queixas da arbitragem e a condenável mania de só passar a bola quando não via mais nenhuma possibilidade de ele próprio fazer o gol. Um reflexo direto da onda mundial de críticas que passou a sofrer, por conta do péssimo comportamento que vinha alimentando desde que deixou o Barcelona e se tornou a grande estrela da milionária equipe de Paris.

Quem acompanha a carreira do craque, desde que ele apareceu no Santos, sabe: o que houve nos gramados russos foi o ápice de um comportamento deletério, forjado em alucinante espiral de narcisismo, incentivado e incensado por seu pai e todo o gigantesco estafe de “parças” e puxa-sacos.

Ainda bem que Neymar dá fortes indícios de que finalmente acordou para a realidade. E aí, chego até a achar que a derrota na Copa e seu rotundo fracasso pessoal (não pelo pouco futebol que jogou, mas por suas atitudes) foram uma benção para a sua carreira. Já imaginaram se, com tudo isso, o Brasil tivesse sido hexa? Como ficaria a cabecinha do nosso camisa dez, além da de seu polêmico pai? Tremo só de imaginar.

O revés doído e inesperado por ele (tendo como reflexo direto sua exclusão da lista dos dez melhores jogadores do planeta) fez renascer à fórceps um jogador muito melhor e bem mais próximo do que era, quando surgiu no Santos. Apostaria até que o melhorou como ser humano. Grande derrota!

Nem tudo é perfeito

Um único reparo deve ser feito, em relação a Neymar, ontem. Ele reapareceu com aquele medonho topete amarelo, meio pintassilgo, meio Donald Trump – o mesmo da estreia na Copa. Mas, quer saber? Jogando como jogou e se portando como se portou durante a partida, pouco importam a cor e o penteado de seu cabelo. Que o pinte em tons de roxo, acaju ou qualquer outra coloração exótica, mas siga jogando a sério e sepulte de uma vez por todas o péssimo momento vivido na Rússia.

Gato sem guizo

A CBF divulgou ontem o seu calendário para 2019, mas nada fez em relação à paralisação dos nossos campeonatos nas datas Fifa. Continua a se dobrar aos interesses da Rede Globo, que não quer ficar sem jogos à tarde e à noite, nos dias em que a seleção faz seus amistosos. E os clubes, quase todos dirigidos por bananas, não agem. Só vão chorar no ano que vem, quando forem, uma vez mais, prejudicados.

Centro de Incompetência

E o pomposo Centro de Excelência em Performance do Flamengo, hein? Com 33 integrantes, entre eles, cinco médicos (inclusive o chefe do departamento, Márcio Tannure) e não sei quantos fisioterapeutas, fisiologistas, preparadores físicos etc. foi incapaz de prever e evitar a série de contusões musculares que assola o elenco. Diego Alves, Diego e agora Vitinho estão no estaleiro.

Que saudades dos bons tempos dos doutores Célio Cotecchia, Giuseppe Taranto e José Luiz Runco e do preparador físico José Roberto Francalacci.

O melhor técnico

Fala-se muito em Felipão, pelo que está fazendo com o Palmeiras, mas na minha opinião o melhor treinador do Brasil na atualidade é Renato Gaúcho. Enquanto Scolari tem um elenco galáctico nas mãos, meu xará montou um timaço – que dá gosto de ver jogar – com um bando de jogadores que ninguém mais queria: Léo Moura, Cortez, Cícero e Jael que o digam.

Dá gosto ver o Grêmio jogar. Mais do que o Palmeiras. Seria sensacional vê-los frente a frente, numa final da Libertadores. Mas, com o atual desprestígio da CBF na Conmebol, me espantarei muito se River Plate e Boca Juniors não forem os finalistas. Tomara que eu esteja errado.



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