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Renato Mauricio Prado

De vilão a herói, em dois lances

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Curiosa é a vida do goleiro. Saulo, do Botafogo, falhou no segundo gol do São Paulo, mas, em compensação, impediu a derrota, nos acréscimos, com duas defesas milagrosas seguidas – a primeira, num chute de Rojas, dentro da área, e a segundo, no rebote à queima-roupa de Diego Souza. Seria uma injustiça, pelo que jogou o alvinegro, colocando-se duas vezes em vantagem contra um adversário tecnicamente bem mais forte e que liderava o campeonato até a rodada passada.

O Glorioso também não merecia perder porque o primeiro gol que sofreu, marcado por Diego Souza, foi assinalado em posição de impedimento – o argumento de que o passe veio do zagueiro botafoguense Carli me parece ridículo. Após o chute de Nenê, a bola resvala primeiro em Igor Rabello e depois nele. Não houve passe algum, tampouco outra jogada, como justificaram alguns ex-árbitros que, agora como comentaristas, continuam a errar tanto quanto quando tinham o apito na boca.

O resultado deixou o Botafogo a quatro pontos do Z-4, mas com o moral em alta, após duas vitórias seguidas e um empate com o líder da tabela. O time, realmente, parece mais arrumado e a entrada de Erick, no ataque, melhorou consideravelmente o seu poder ofensivo. Ele e Kieza estão se entendendo bem, como se pode ver no lance do segundo gol.

O próximo desafio é na próxima quarta-feira contra o Bahia, pelas oitavas de final da Sul-Americana. Uma vitória por 1 a 0, garante a vaga.

Poupar ou não?

Assim como o Botafogo, o Fluminense joga no meio de semana, pela Sul-Americana. Enfrentará o Deportivo Cuenca, no Maracanã, na quinta-feira e pode até perder por 1 a 0, pois venceu o jogo de ida por 2 a 0. Diante da fragilidade do adversário, pode ser até que Marcelo Oliveira queria poupar alguns titulares mais desgastados. Mas a inesperada derrota para os reservas do Grêmio aumentou muito a pressão da torcida, que o chamou de “burro” ao final do último jogo. Com caminho aberto para as quartas de final da Sul-Americana, o Flu segue a apenas cinco pontos do Z-4 e já a 11 da última vaga na Libertadores.

Chance perdida

Se o Flamengo tivesse derrotado o Bahia, na estreia de Dorival Junior como técnico, estaria na quarta posição da tabela e a apenas dois pontos dos líderes Palmeiras e Internacional. Como empatou, caiu para quinto lugar, a quatro pontos da liderança. Matematicamente, o título ainda é possível, faltando 11 rodadas para o final. Mas com a bolinha que o rubro-negro vem jogando é cada vez mais difícil acreditar nisso.

Dorival terá agora alguns dias para tentar apimentar o insosso esquema de Barbieri, baseado em maior posse de bola na base de toques improdutivos. Acredito que conseguirá melhorar um pouco a performance geral. Se isso será suficiente para recolocar o Mais Querido na luta pelo título só as próximas rodadas dirão. Fato é que o clube já está fora do G-4 (que garante vaga direta na Libertadores do ano que vem) e vê o Atlético Mineiro, atual sexto colocado, se aproximar perigosamente.

Só não corre maiores riscos em relação a um lugar na pré-Libertadores de 2019, porque o Cruzeiro, sétimo colocado está a 12 pontos e muito mais focado na final da Copa do Brasil e ainda na própria Libertadores deste ano. Mas é bom não bobear, porque o Santos, a 13 pontos, vem babando...

Surra memorável

Tudo que a seleção brasileira masculina de vôlei fez de bom no Mundial, no caminho até a final, não foi visto na arena de Turim, na hora de decidir o título contra a Polônia. O primeiro set ainda foi parelho, mas a partir da derrota na primeira parcial, por 28 a 26, o time dirigido por Renal Dal Zotto desmoronou e se tornou presa fácil, acabando fragorosamente batido por inapeláveis 3 sets a 0.

Kurek (eleito o melhor jogador do torneio) e Kubiac, cracaços poloneses, simplesmente demoliram o bloqueio brasileiro, marcando a maioria dos pontos dos agora também tricampeões mundiais – curiosamente, no segundo título, há quatro anos, sem Kurek, cortado por indisciplina, o adversário também foi o Brasil, ainda dirigido por Bernardinho.

Resta agora torcer pelas meninas de José Roberto Guimarães. O Mundial é o único título que ele ainda não conseguiu conquistar dirigindo a seleção feminina. Pena que seu time já não é tão forte quanto na época do bicampeonato olímpico. Se vencer, será uma agradável surpresa.

Contra a Ferrari? Bem-feito!

É claro que a atitude da Mercedes, obrigando Valtteri Bottas a ceder a vitória ao companheiro Lewis Hamilton, no Grande Prêmio da Rússia, no circuito de Sochi, não foi bonita nem esportivamente elogiável. Mas sendo contra a Ferrari, confesso, não consigo deixar de achar muita graça. Afinal, quantas vezes não vimos o mesmo acontecer com Rubinho, em favor de Michael Schumacher, e Felipe Massa, para privilegiar Fernando Alonso? Quem com jogo de equipe fere, com jogo de equipe será ferido. E, convenhamos, isso sempre foi feito no circo da F-1. Desde os tempos de Juan Manuel Fangio...

Obrigação

Assombradíssimo pelo fantasma do rebaixamento (o quarto, em dez anos!), o Vasco não pode nem pensar em não vencer o lanterna Paraná, hoje à noite. Até o empate será um péssimo resultado.



Tags: futebol F1

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