Jornal do Brasil

Futebol & Cia

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Renato Mauricio Prado

Hora de chacoalhar o Fla

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Maurício Barbieri nunca deveria ter sido o técnico do Flamengo. Somente mesmo gente que não é do ramo para crer que um jovem promissor, mas sem experiência, sem estofo, sem história no clube e ainda sem estatura profissional, como ele, poderia dirigir um time milionário, paixão da maior torcida do Brasil, onde as cobranças e a pressão são colossais durante as 24 horas do dia, todos os dias do ano.
O que torna a opção por Barbieri mais imperdoável é o fato de que o clube já cometera erro semelhante quando, há pouco mais de dois anos, Muricy Ramalho pediu demissão, por motivos de saúde, e em vez de contratar Abel Braga, então disponível e disposto a assumir o rubro-negro, o comando do futebol rubro-negro optou por Zé Ricardo, outro treinador inexperiente na primeira divisão (dirigia a equipe sub-20 do Fla).
Zé Ricardo não deu certo (diga-se de passagem, em nenhum dos clubes pelos quais passou, até agora); Maurício Barbieri, tampouco. Ambos, entendo, podem até vir a ser treinadores de sucesso, no futuro. Mas precisam ainda percorrer muita estrada, passando por clubes menores até chegarem aos grandes, onde, como se diz agora, na gíria boleira, “a criança chora e a mãe não ouve”. Em outras palavras, “o bicho pega”, ou “se separam os homens dos meninos”.
Jargões do esporte à parte, o fato é que a insegurança evidente de ambos e um carrossel de escolhas equivocadas marcaram suas passagens – como esquecer Cuéllar no banco de Márcio Araújo (o absurdo mais gritante, nos tempos do Zé) ou a insana insistência de Maurício com os insípidos e inodoros Matheus Sávio e Marlos Moreno (o Cafuringa colombiano)?
Chega agora Dorival Júnior que, ironicamente, era o técnico quando a atual administração assumiu. Foi demitido porque teria direito, por contrato assinado ainda nos tempos de Patrícia Amorim, a um aumento substancial que, entendiam os novos dirigentes, não se encaixava na filosofia austera que implantariam, nos primeiros anos.
Vai dar certo? Impossível dizer. Mas a chegada de um treinador experiente pode dar uma chacoalhada num elenco apático, preso numa forma de jogar manjada e ineficiente e, pior, acomodado e conformado com as derrotas nos jogos decisivos – vide Carioquinha, Libertadores e Copa do Brasil. Com Maurício Barbieri, até uma vaga para a Libertadores do ano que vem me parecia seriamente ameaçada.


Prova de fogo
O jogo de hoje à noite, contra o Bahia, já será uma prova de fogo para Dorival Júnior. Embora esteja próxima do Z-4, a equipe baiana é perigosa e jogará, na Fonte Nova, como se fosse uma final de Copa, pois uma derrota pode colocá-la na zona do rebaixamento. Para piorar, os dois Diegos (Ribas e Alves) estão fora, por problemas musculares. Que pedreira, hein? Mas, se vencer, pode dormir na liderança do campeonato.


O estilo avestruz de Bandeira
Desde a derrota para o Corinthians, ninguém dá entrevistas no Flamengo. É o famoso estilo avestruz da administração atual. Enfiam a cabeça no buraco e deixam o bundão de fora. Tudo o que se soube até o momento foi através de notas no twitter oficial ou no site do clube. Mais ridículo e contraproducente, impossível. Mas, como já se sabe, ninguém por lá tem mesmo coragem de dar a cara a tapa. O novo diretor executivo, Carlos Noval (o “pai” de Barbieri), se fosse mudo, pouca diferença faria.


Chance de ouro
Diante do Grêmio com um time alternativo (eufemismo da moda para reserva), o Fluminense tem hoje, no Nílton Santos, uma oportunidade e tanto para somar mais três pontos na sua luta para espantar de vez o fantasma do rebaixamento. Por enquanto, ainda está mais perto do Z-4 (seis pontos) do que da primeira vaga para a Libertadores (oito pontos).
Com a final da Copa do Brasil sendo disputada entre Cruzeiro e Corinthians, diminuíram as chances de se ter um G-7, quanto mais um G-8. A menos que Grêmio ou Palmeiras consigam vencer a Libertadores desse ano, somente os seis primeiros do Brasileiro se classificarão. Uma vaga tricolor me parece mais possível através da Sul-Americana.


Afrouxou o nó?
Zé Ricardo acha que as vitórias seguidas sobre o América Mineiro e o Vitória “afrouxaram o nó da gravata” e, assim, o Botafogo enfrentará o São Paulo, no domingo, no Nilton Santos, bem mais confiante. A possível volta de Gatito Fernández ao gol ajudaria ainda mais a aumentar o otimismo, a ponto de o técnico não considerar o empate um bom resultado, mesmo diante do líder do campeonato. Nos últimos cinco jogos, o São Paulo venceu apenas uma vez, empatou três e perdeu uma. Apesar dos dois triunfos seguidos, o Botafogo ainda está a apenas quatro pontos do Z-4.


Sempre pode piorar
Anulada a eleição do Vasco pela Justiça e impedidos de participar da próxima todos os membros da chapa do ex-deputado, as diversas correntes de oposição simpatizam com a ideia de lançar um candidato único, para substituir Alexandre Campello. Trata-se de Edmundo, o Animal. É incrível como a turma da colina sempre arruma um jeito de piorar ainda mais a situação...


Colírio
Quer ver futebol de verdade, hoje? Assista ao clássico inglês, entre Chelsea e Liverpool, às 13h30m. A Rede TV e a ESPN Brasil transmitem.



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